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BallasCast – Episódio 01 – O dono de Papelaria que virou Palhaço

BallasCast - Episódio 01 - O dono de Papelaria que virou Palhaço

Transcrição - Episódio 1 #BallasCast


Senhoras e senhores, ladies and gentlemans, madames et messieurs, cidadãos e cidadoas.


Está começando o primeiro BallasCast


(Músicaaaa)


Bom, em primeiro lugar é um prazer tá aqui!


Eu tô enrolando esse podcast já faz mais de um ano. Tive várias ideias.


Eu pensei em fazer um podcast só falando sobre improvisação, teoria de improvisação. Depois eu falei, não! Eu vou chamar minha turma do improviso pra gente fazer vários jogos de improviso. Depois eu falei, não! Vou contar minhas histórias! Depois eu falei, não!  Vou chamar convidados legais, e chamar eles para improvisar junto comigo e a gente vai fazer uma entrevista e no final vai ter improviso.


Aí eu tive tantas ideias e fiquei desesperado e uma hora eu falei: “Não, chega! Eu vou gravar o que eu quiser, afinal o podcast é MEU, e vou começar com o mais simples, que é contando as minhas histórias”.


E depois você que tá ouvindo vai me falar se achou legal ou se não achou legal, o que quer ouvir, o que quer fazer… E vamos que vamos!


Então esta começando agora, OFICIALMENTE, o primeiro BallasCast


(música).


 


O DONO DE PAPELARIA QUE VIROU PALHAÇO.


Quando eu tinha dezessete anos meu pai morreu.


Morreu num acidente de carro, dessas tragédias mesmo. Aquelas coisas que acontecem na vida e você nunca imagina que vai acontecer com você mas, aconteceu comigo.


Meu pai tinha uma pequena papelaria no centro de São Paulo na clássica Rua Aurora (da musiquinha “A festa da Rua Aurora, começa à zero hora”). E bom, como ele morreu eu não tive outra escolha e eu virei dono de papelaria. De um dia pro outro.


Eu tinha acabado de entrar na faculdade, eu fiz ESPM — por que eu não sabia o que fazer, então acabei prestando Propaganda e Marketing porque as pessoas falavam “Ai Márcio você é criativo, faz Propaganda”. Eu nem sabia o que que era aquilo e entrei naquela faculdade.


Então, todo dia eu trabalhava das 8h ás 18h e saía de lá e ía pra ESPM.


Lá eu fiquei 10 anos — eu era um cara normal, com horário normal, com salário normal.


ERA tudo normal , até que um dia um amigo me liga e fala:


— “Ballas, você topa fazer um curso de clown comigo?”


— “Um curso de quê?”


— “Um curso de Palhaço.”


Esse tipo de curso nem existia aqui no Brasil. Eu não tinha ideia que que era aquilo e ai eu falei: “Vamos, deve ser divertido!”. E lá fomos nós.


A verdade eu já descobri, indo pra lá, que meu amigo desistiu no meio do caminho, e eu fui sozinho fazer um curso de dois dias de Introdução a Linguagem do Palhaço.


Eu me lembro a primeira vez que a gente colocou o nariz vermelho. O professor chamava-se Fernando Vieira, pediu pra todo mundo fechar os olhos, deixar a cabeça livre. E quando eu abri os olhos, tive a impressão que o mundo ao meu redor tinha se transformado. Foi uma sensação muito louca, porque foi só colocar o nariz vermelho, respirar, entrar em contato comigo e de repente (PÁÁÁ), parecia que o universo tinha mudado ao meu redor.


O curso acabou e eu, assim que saí — eu já saí assim meio vidrado assim, e eu não consegui pegar meu carro e saí andando. Eu comecei a andar, andar. Eu fiquei andando horas assim, acho que eu queria ficar com aquela sensação ali por mais tempo. No dia seguinte foi a mesma coisa, eu fui o primeiro a chegar, fui o último a ir embora. O pessoal depois foi no bar, eu fui no bar. Fiquei até as duas, três da manhã. Cheguei em casa não conseguia dormir, e eu acho que eu tinha sido picado pelo bichinho do palhaço.


E eu passei a semana sorrindo pro mundo. Parecia que alguma coisa tinha mudado mais eu mesmo não sabia o que era.


A partir deste dia eu passei a frequentar todos os espetáculos de palhaço que tinha (não eram muitos), todos os cabarets, tudo, tudo que eu via de palhaço eu ía atrás.


E um dia eu tava lendo o jornal (Folha de São Paulo) e num cantinho da ilustrada eu vi uma nota que contava de um palhaço brasileiro que tinha trabalhado no Clown Care Unit no Big Apple Circus, um circo de Nova Iorque, e agora vinha para o Brasil trazendo um projeto de lá que chamava Doutores da Alegria.


Quando eu li aquilo eu pirei, eu falei:


“NOSSA ISSO É INCRÍVEL. EU QUERO FAZER ISSO. EU TENHO QUE FAZER ISSO.”


Eu anotei o nome do cara (Wellington Nogueira), e fui atrás.


Na época era 1996, não tinha internet. Então ir atrás não era só dar um google, ir atrás era tipo…IR ATRÁS MEESMO.


Então eu fiz a primeira coisa que qualquer pessoa na época fazia, que é ir abrir as páginas amarelas.


Pra você que é jovem e não sabe o que é isso, era uma grade revista gigante com vários nomes, com vários telefones, mas eu não achei o tal do Wellington Nogueira lá, muito menos Doutores da Alegria, porque eles não tinham nenhuma sede na época, eles não tinham nada. E ai eu fiquei com aquela informação guardada na cabeça e, eu sempre que ia ao teatro eu perguntava: “Ah! Você já ouviu falar desse cara?”, ou se eu via algum palhaço. “Você já conhece esse cara?”


E ninguém conhecia o tal do Wellington Nogueira.


Um dia um amigo falou. “Ah, eu conheço esse cara. Ele mora em tal lugar e eu conheço alguém”.


Consegui o telefone dele.


Liguei.


Ele foi muito receptivo, me contou que funcionava ali na casa dele mas, que eles trabalhavam com palhaços profissionais e como eu não era palhaço profissional, não dava para eu trabalhar com eles. Eu fiquei arrasado mas… ESSA É A VIDA E TUDO CONTINUOU.


(Música de fundo).


Continuei trabalhando na papelaria diariamente, fazendo a faculdade e todos os cursos que apareciam eu fazia. Na época tinham pouquíssimos cursos, mas sempre que aparecia um curso, eu ia lá e me inscrevia. Eu era o primeiro a me inscrever, eu tinha meu salário, meu dinheirinho lá, então eu fui fazendo curso, fui fazendo curso, fui fazendo curso.


Dois anos se passaram e um dia meu irmão me chega com uma notícia. Ele era meu sócio na papelaria, nós dois trabalhávamos juntos desde a morte do meu pai e ele me disse: “Olha, meu amigo me propôs de eu trabalhar com ele então eu te proponho o seguinte, você fica dono da papelaria sozinho, eu te vendo por um real (quer dizer, ele praticamente me deu metade do negócio), você vai ganhar o dobro, e lá eu vou conseguir me virar e tal”.


E nisso eu fiquei pensando nessa proposta, pensando nessa proposta, e imediatamente eu fiz uma contra proposta.


— “EU te vendo a minha parte por um real, e você fica aqui sozinho.”


Ele falou: “Mas e você? O que você vai fazer?”.


Eu falei: “Eu vou tentar ser palhaço!”.


Ele era meu irmão mais velho e ele falou: “Não, não, Imagina! Você não vai conseguir. Você mora no Brasil”.


Eu falei: “Não. Eu quero tentar”.


Uma semana depois minha mãe me escreve uma cartinha e deixa embaixo do meu prédio falando: “Márcio, eu acho incrível essa sua ideia, acho realmente uma coisa muito bonita, mas a gente mora no Brasil, E COM ARTE NÃO SE ENCHE A BARRIGA”.


Eu fiquei com aquela frase ecoando na minha cabeça, ecoando na minha cabeça. Conversei com os amigos, conversei com meu irmão, conversei comigo mesmo e alguns meses depois eu sai da papelaria, vendi meu carro velho, raspei minha pequena poupança, comprei uma passagem para Nova Iorque, pra tentar ser palhaço. PALHAÇO PROFISSIONAL.


1…


FIM.


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final do primeiro capítulo da minha história (Aaaaahhhhh), mas saiba você que todas as segundas feiras eu vou colocar no ar um episódio desse Podcast do BallasCast então, pra quem não assinou, assina aí.


Pra você que tem iPhone, saiba que tem o aplicativo Podcast já tá no seu iPhone, então é só você ir lá assinar.


Link: https://itunes.apple.com/br/podcast/ballascast/id1146548666?mt=2&ls=1


Pra que tem Android vai lá no seu aplicatvo e assina o BallasCast.


Link: http://subscribeonandroid.com/marcioballas.com.br/feed/podcast/


 


E vamos agora ao momento Merchan… (música).


 


“Mas Márcio, eu sempre quis muito estudar palhaço, estudar improviso, como é que eu faço?”.


É SIMPLES. É só você acessar a Casa do Humor, que é um espaço que a gente dá curso de improviso, curso de palhaço, curso de Stand Up para qualquer pessoa que queira estudar essas linguagens. Não tem nenhum pré-requisito é só você ir lá e fazer o curso, e obviamente pagar o curso, porque é pago.


Então dá uma olhada lá: www.casadohumor.com.br. Fica em São Paulo próximo ao metrô Vila Madalena.


 


“Mas Márcio eu sempre quis assistir vocês, eu ADORO os seus vídeos no Youtube…”.


Então vem pra São Paulo e assiste a Noite de Improviso. Todas as quartas feiras no Comedians Club, que é uma casa de comédia que é do Danilo Gentilli e do Rafinha Bastos que fica ali na Rua Augusta (na famosa rua Augusta).


Todas as quartas feiras ás 21:00h.


Eu, Marco Gonçalves, Edu Nunes, grande elenco.


A gente faz uma noite de improviso todas as quartas (sempre depois da terça e sempre antes da quinta).


 


“Mas Márcio, eu tenho uma empresa, eu sou muito legal e eu quero contratar você para dar um Workshop de improviso e criatividade e uma palestra. COMO é que eu façooooo?”


www.marcioballas.com.br e manda um e-mail pra gente e você me contrata e EU VOU ATÉ VOCÊ, BABY!


 


E esse foi o históooorico primeiro episódio do BallasCast, é histórico pra mim. Pra você não deve fazer a menor diferença, mas realmente SAIU.


Muito obrigado.


Thank you very much.


Gracías.


Merci Beaucoup.


And in the last week waiting for you and the next episodes of the BallasCast!


BYE BYE.


 

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