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BallasCast – Episódio 02 – Aspirante de palhaço em Nova York

Episódio 02 - Aspirante de palhaço em Nova York

 

TRANSCRIÇÃO - EPISÓDIO 02 #BALLASCAST


Senhoras e senhores, ladies and gentlemans, madames et messieurs, SENHIÔRAS, SENHIÔRES…


Está começando mais um… BallasCast


(Música!)


OLÁ!


É um prazer estar aqui novamente, tô muito feliz, porque eu tô gravando meu segundo BallasCast!


O primeiro é muita felicidade e o segundo é mais ainda porque se não for o segundo não adianta nada, se só gravar um não quer dizer: “Ah! Eu tenho um podcast!” Não. Um é só um. Dois já é PODCAST, então é realidade isso aqui e graças a você que está ouvindo aí do outro lado.


Como eu falei no primeiro, aqui você vai ter entrevistas muito legais com pessoas legais que vão improvisar — eu vou chamar improvisadores, amigos também e a gente vai fazer só de improviso e vou contar também as minhas histórias é com isso que eu resolvi começar.


Então mais um capítulo, of the history of my life now. Fuck Yeah!


ASPIRANTE DE PALHAÇO EM NOVA IORQUE


Como eu falei no primeiro episódio (se você não ouviu vai lá e ouve, senão não tem graça ouvir a história da metade), eu larguei minha papelaria pra tentar ser palhaço profissional. E quando eu decidi isso, a primeira coisa que eu fui fazer é procurar o Wellington Nogueira dos Doutores da Alegria porque eu queria ser palhaço em hospital, e quando eu fui lá eu falei: “Wellington, agora eu sou profissional, eu larguei tudo, eu quero fazer só isso!”.


Ele falou: “Ah que legal, mas a gente não tá precisando de palhaço agora, sabendo eu te ligo”.


Eu fiquei arrasado e aí eu fui atrás de várias coisas, só que em São Paulo, no Brasil — não tinha cursos, não tinha escola, não tinha nada que fosse importante ou nem uma escola de palhaço nem nada que eu pudesse estudar. E conversando com meu irmão, ele me deu uma grande sacada, foi um grande insight, ele falou: “Mas Márcio, o Wellington estudou com quem?”.


Eu falei: “Não, ele estudou lá em Nova Iorque, com Clown Care Unity”.


Ele falou: “Vai lá! Vai na fonte”.


Falei: “UAU. BOA IDEIA”.


Voltei ao Wellington Nogueira, pedi o contato deles e ele me deu o fax deles.


É senhoras e senhores, existia um aparelho chamado fax, onde você passava uma folhinha de um lado e ela chegava do outro lado, era uma invenção incrível na época. Então eu escrevi um fax contando a minha história, abri meu coração, expliquei pra eles tudo isso e alguns dias depois veio a resposta: “Oh. A gente recebeu sua resposta e tal”.


Nesse fax que eu escrevi pra ele eu tinha colocado o seguinte: “Olha, eu estarei a partir de Agosto em Nova Iorque então eu gostaria muito de trabalhar com vocês e tal,tal,tal,tal,tal,tal”.


Por quê? Porque eu falei: “Bom, se eles me aceitarem aí eu vou!”.


Aí, ele me manda a resposta: “Que legal que você tomou essa decisão”. Nem era ele que mando era a secretária.


“Quando estiver aqui em Nova Iorque, entra em contato com a gente”.


Aí eu fiquei num dilema cruel, porque eu só iria pra Nova Iorque se eles falassem; “Vem pra cá!”, só que ele me deixou em aberto: “Ah, quando você estiver aqui, liga pra gente”.


Aí eu pensei e falei: “Bom… Vou pra Nova Iorque”.


Comprei uma passagem e embarquei São Paulo-Nova Iorque pra ver o que dava.


[música]


Chegando em Nova Iorque eu liguei pra eles e a secretária me agendou uma reunião pra dalí a três semanas. Eu ia ficar lá durante três semanas então comecei a buscar alguns cursos, algumas coisas que eu podia fazer e algumas coisas também pra eu me sustentar lá nesse “periodozinho” que eu talvez fosse ficar. Depois de uma semana eu achei uma padaria chamada Burk & Burk que tava precisando de pessoas pra vender sanduíches nos prédios em Nova Iorque durante o horário do almoço e o cara gostou de mim, brasileiro, I’M FROM BRAZIL, e eu comecei a trabalhar. Eu tinha uma cestinha de sanduíches. Eu vendia o vegetarian sandwich, tuna sandwich, o avocado sandwuich — porque lá eles comem o abacate na hora do almoço (é um nojo, mas eles comem) então eu passava com o meu carrinho e ia vendendo o sanduíche, prédio em prédio durante todos os dias.


Depois de uma semana eu encontrei um lugar chamado New York Clown Academy, quando eu achei esse lugar eu falei: “Pronto. É ISSO QUE EU TÔ PROCURANDO! UMA UNIVERSIDADE DE PALHAÇOS, UMA ESCOLA SÓ DE PALHAÇOS. ACHEI O QUE EU ESTOU PROCURANDO”.


Imediatamente liguei pra eles, me atendeu um cara, muito simpático, senhor Herbie Hoffman me disse: “OOH YEES! WE HAVE THIS COURSE, IS FOUR YEARS COURSE!”.


Eu falei: “Nossa, um curso de quatro anos”. Eu não sabia nem o que podia se ensinar em quatro anos. Eu falei: “Nossa, é isso que eu quero!”.


Ele falou: “Você pode vir visitar aqui a escola”.


E eu que não falava bem inglês, levei minha amiga e a gente foi lá na New York Clown Academy conhecer essa universidade.


Chegando lá a gente subiu num prédio em Nova Iorque, o prédio já era um prédio meio velho assim e eu comecei a achar um pouco estranho. E a gente subiu ele tinha várias salas, várias salas, várias salas e uma salinha assim, tinha uma plaquinha escrito “New York Clown Academy”.


Tocamos a campainha, abriu a porta, um senhorzinho gordo com um bigode assim, uma cara estranha assim, abre a porta pra gente e fala:


“HI I’M HERBIE HOUFFMAN, WELCOME TO THE NEW YORK CLOWN ACADEMY”.


Eu entrei, e era uma salinha cheia de arquivos mortos e papéis e tudo meio velho, e tinha uma secretaria meio velha. Ela tava fumando ali dentro (naquela época podia fumar dentro dos lugares) e era um lugar muito estranho assim, e eu comecei a achar aquilo meio bizarro, mas tava feliz da vida porque bom, aquilo devia ser a sala, mas eu queria conhecer a universidade, onde era o campos. E aí ele começou a me explicar e tal,tal,tal, aí uma hora ele falou: “NO, IT’S A FOUR DAYS COURSE…”.


E não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê, e aí eu me liguei que eu tinha entendido errado, na verdade era um curso de quatro dias. É, um curso de quatro dias e mais, era um curso de quatro dias pra ser palhaço em festinha de crianças. O que eu tava buscando era essa coisa do clown, palhaço teatral. Eu não queira ser palhaço de festinha de criança. E aí fiquei absolutamente desapontado, arrasado, mas como eu estava em Nova Iorque e eu não tinha nada pra fazer, eu resolvi me inscrever no curso pra ver o que eles me ensinavam nesse curso.


E lá estava eu para me formar na New York Clown Academy em 4 dias. E era muito louco porque assim, em quatro dias o que eles ensinavam?


No primeiro dia eu fiz uma aula de face painting, isso é, pintura de rosto, eles ensinavam você a fazer umas pinturas básicas, toscas. Ah põe dois traços aqui, um batom e um negócio… Aaahh… Princesa. Põe um risco aqui, três risquinhos aqui e um olho aqui… É o pirata. Eles deram cinco, seis maquiagens muito básicas.


No segundo dia você aprendia magic tricks, então eles te vendiam um ovo que some, os truques mais BARATOS e mais básicos do mundo assim.


No terceiro dia você aprendia animal balloons. Sabe aquelas bixiguinhas que você enche, são compridas, você dá uns nós e vira um balão? Eles me ensinaram a fazer balão e espada que era o básico, e eu aprendi e sei fazer até hoje.


E no quarto dia… Aaah… O quarto dia era muito importante, porque no quarto dia tinha um teste, era um teste, porque se você passasse nesse teste, você poderia entrar pra Best Clown.


O que que era a Best Clow? Best Clown era a agência que eles também tinham, e essa agência vendia os palhaços pras festinhas de crianças. Então as pessoas contratavam a agência e ele mandava os palhaços de lá. Ele era bom de nomes e de marketing né? Porque Best Clown é muito bom.


E eu tava lá, eu falei: “Bom vou fazer o teste também porque bom, é melhor fazer festinha de criança do que trabalhar de garçom ou trabalhar distribuindo panfletos”.


Aí fiz o teste, como as pessoas que estavam comigo eram muito ruins (porque eram pessoas quaisquer, eram caras totalmente sem noção que vinham fazer o curso, e eu já tinha feito alguns cursos, já sabia jogar três bolinhas, já tinha uma mínima experiência de fazer algum tipo de apresentação) eu fui o único que passou da minha turma. Eu fui o primeiro lugar da minha turma, e aí eu entrei na Best Clown e aí ele começou a me contratar pra fazer festinhas.


E eu me lembro a primeira festinha ele me mandou com um cara mais velho e ele falou: “Olha, esse aqui vai te ensinar, é nosso melhor palhaço”. E lá fui eu com o cara. E a gente foi fazer três festinhas no mesmo dia, E eu fui vendo como o cara fazia e o cara era muito mais ou menos, tipo muito meia boca mesmo, pra você ter ideia ela jogava toda a roupa dele, ele apresentava, depois jogava a roupa toda roupa embolada, quer dizer, na terceira festa aquela roupa tava com um futum, era verão, tudo suado e tal. E aí na hora de ir embora ele falou: “Vou te dar uma dica. Tá vendo isso aqui? Isso é um slapser!”.


Eu falei: “O que que é um slapser ?”.


Aí ele vestiu um negócio que era o quê? Era uma saqueira, essa saqueira que lutador de boxe ou cara de luta usa pra quê? Porque ele me explicou que ele levou tanto soco no saco dos moleques nas peças que ele fazia, então ele descobriu essa manha. Ele falou: “Então você pode usar essa saqueira, assim, quando eles te acertarem o saco não vai doer tanto”, quer dizer, vocês viram o nível do negócio. Era tão ruim, tão ruim, que ele já levou muitos socos no saco, então de vez de ser bom, ele usava uma saqueira. Grande dica. THANKY YOU MARK TWISMAN, meu primeiro mestre, fucking-mestre da vida.


E assim fiquei eu trabalhando em Nova Iorque.


(música)


Então, eu comecei a trabalhar como clown de festinhas em Nova Iorque. E aí, ele me mandava pra uns lugares muito longe.


Por quê?  Porque era a agência mais barata de Nova Iorque.


Por quê? PORQUE ERA MUITO RUIM.


Então ele tinha vários palhaços, então ele cobrava 75 dólares, te dava 25, ficava com 50 e te mandava pros lugares muito, mas muito longe. Eu ia pro Bronx, pro fim do Harlem, pro fim do Brooklyn, pros muitos, os cantos dos cantos mesmo.


E um dia ele me mandou pra uma festa no Harlem. E lá fui eu, eu peguei um metrô até o fim da linha, quando acaba o metrô. O metrô acaba uma hora e eu lá e depois eu ainda peguei um ônibus e ainda andei depois seis quadras. Fiz a festinha, foi super legal. Os caras me receberam super bem e tal. E no final da festa ela me perguntou: “Oh Márcio, como é que você vai voltar pra sua casa?”


Eu falei: “Vou andando até o ponto de ônibus, de lá pego o ônibus pro metrô”.


Aí ela falou: “Mas você vai como para o ponto de ônibus.”


Eu falei: “Eu vou andando”.


Ela falou: “Você vai andando?” Ela falou: “Como é que você veio pra cá?”.


Eu falei: “Eu vim andando!”.


Ela falou: “Você veio andando. YOU’RE CRAZY? NO, YOU CAN’T… YOU’RE WHITE. VOCÊ É BRANCO VOCÊ NÃO PODE ANDAR AQUI…”.


E eu: “Como assim, não pode andar aqui?”.


Aí ela chamou o marido dela e “Listen, He can’t coming alone.”


Ele falou: “UAU. VOCÊ VEIO ANDANDO SOZINHO?”.


“ÉÉÉ…” Eu comecei a ficar com medo só de ouvir eles me falando.


Ela falou: “Não, não, você não pode…”.


Eu falei: “Não…”.


Ela falou: “Você tem que pegar um táxi…”.


Eu falei: “Não, eu não tenho dinheiro para o táxi”.


Aí ela falou: “NÃO. VOCÊ-NÃO-PODE-IR-ANDANDO-SOZINHO”.


Aí eu fiquei desesperado. Aí ela falou: “ONE MINUTE. JAKE WAN, JAKE WAN”.


Era o filho dela mais velho, porque o moleque que fiz a festa tinha cinco e ela chamou o filho mais velho que tinha doze anos, e ela falou pra ele: “Você vai levar ele até a bus station”.


Aí eu fiquei assim, pior né, um moleque de doze anos, o que vai fazer? Então não sei se vou, se tenho que sair correndo, se eu deixo o moleque, mas eu vou, enfim… ela designou ele pra me acompanhar e lá fui eu andando com ele de guarda costas ao meu lado. E ele ficava querendo conversar e eu não tava querendo conversar porque eu só tava olhando pra todos os lados pra ver se chegava alguém. E andando meio rapidinho assim, meio pronto pra correr, falei meu, se aparecer alguém aí eu vou sair correndo e vou deixar o moleque aí.


Uma hora cruza alguém, do outro lado da rua assim, de longe, vem andando, andando, vem andando, aí o cara vem, atravessa a rua na nossa direção e eu falei: “Fudeu, fudeu, fudeu”. Aí ele pergunta pro moleque: “E aí, ele tá com você?”.


Aí o moleque: “Yes, yes. He’s mine. He’s me. He’s me”.  AH OK. Aí eles dão um touch daqueles assim, e aí tal, ele vai embora, quer dizer, o moleque realmente me salvou e eu cheguei na bus station e UFA!, SALVO PELO JAKE WAN, UM MOLEQUE DE DOZE ANOS!


Enfim, então eu tava feliz porque eu vendia sanduíche das 11h ás 14h, de fim de semana eu fazia algumas festinhas e depois de três semanas que eu estava em Nova Iorque chegou o dia da minha reunião no Clown Care Unity que é uma matriz do Doutores da Alegria onde tudo começou.


Fui pra lá, a secretária me dirigiu até a sala e me encontrei com o fundador do Clown Care Unity. E lá eu ia tentar realizar o sonho da minha vida que era ser palhaço de hospital.


TO BE CONTINUED… NO PRÓXIMO… EPISODE.


Muito bem, muito bem, muito bom. Chegamos ao final do segundo episódio (AAAAAHHHHHH) mas toda segunda-feira tem episódio novo (EEEEEEHHHHHHHHH). E você pode comentar o que você achou, manda pra mim, eu realmente tô curioso e me importa muito saber o que você acha, afinal, esse podcast é nosso. Suas sugestões, quem que você quer que eu chame aqui, quem que você quer que eu entreviste, tanto de improvisador como de gente comum e gente bacana.


Então você pode comentar isso na minha página do Facebook, Marcio Ballas (com dois ‘ls’) ou você pode entrar num grupo BallasCast, que é um grupo fechado, mas eu aceito você porque eu amo você.


Então se você gostou pode assinar o meu podcast, tem aquela aba “ASSINAR” e você vai receber toda semana.


Se você tem Apple, Iphone, saiba que o aplicativo Podcast já tá lá! ééééé…


To falando como se eu já soubesse mas eu descobri recentemente que já tem, você tem o aplicativo Podcast é só clicar lá. Se você tem Android, não tenho ideia porque eu não tenho Android, mas deve ser bem simples. BallasCast. Assina lá também!


 


Vamos ao momento merchan


(música)


“Poxa Márcio, eu gostei muito do seu trabalho e queria contratar a sua palestra de improviso e criatividade. Como é que eu te acho hein?”.


É simples…entra no meu site www.marcioballas.com.br (com dois ‘ls’) e lá você tem os meus contatos.


 


“Mais Márcio, eu sempre quis aprender improviso porque eu sou muito tímida. Eu sou muito, muito, travadinhaaaaaa!”.


É fácil. www.casadohumor.com.br tem curso, tem improviso, curso de palhaço, curso de stand up, para qualquer pessoa, qualquer pessoa mesmo.


Você é qualquer pessoa? Então você pode fazer desde que você pague a taxa e vem fazer o curso.


 


“Poxa Márcio, eu admiro muito o seu trabalho, e eu queria ver você ao vivo, queria ver se é realmente tudo improviso hein?”.


É fácil… É só você vir na noite de improviso que acontece todas as quartas feiras, sempre depois da terça e sempre antes da quinta, no Comedians Club que é uma casa de comédio do Rafinha e do Danilo Gentili, ali na Rua Augusta, inclusive vai ter programa pra você depois do espetáculo. Noite de improviso. Todas as quartas feiras…VENHA.!


 


É isso aí, muito obrigado pela sua presença, pelo seu ouvido, pelo seu martelo (que é aquele órgão que fica ali dentro do ouvido).


 


THAK YOU VERY MUCH!


MERCI BEACOUP!


GRACÍAS!


ARIGATÔ!


AND I SEE YOU AND THE NEXT FASE, THE NEXT PART AND THE NEXT EPISODES!


BYE! BYE!


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