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BallasCast – Episódio 07 – Palhaços sem Fronteiras

Epi 07 - Palhaços sem Fronteiras - Ballascast.png

 

Clique aqui para ler a transcrição do episódio.


Senhoras e senhores, ladies and gentlemaaaaaaaaaans, mesdames et messieurs, paleontólogos e paleontólogas, está começando mais um BallasCast


MUSICAAAA…


Olá! Olá! Olá!


É um prazer imensurável, impressionante, impactante, Imenheeenheenso…


Estar aqui novamente com vocês!


Onde estará você neste momento?


Estará na academia?


Estará correndo?


Estará no trânsito?


Estará no nº2?


Enfim, o que importa é que você esta aqui comigo, nesse momento!


Tá muito legal ouvir os feedbacks da galera.


Tão gostando, tão dizendo que tão gostando.Quer dizer, a maioria deve ser meu amigo, mas na página do Facebook recebi o Alexandre Vieira aqui no grupo Ballas Cast e escreveu:


Ballas, eu tô achando muito legal, mas tô achando muito curto. Queria dar, fazer essa crítica pra você. Porque normalmente Podcast tem meia hora e o seu só tá com dez minutos e tal”.


Aí eu falei:


— Olha, faz o seguinte… Não me ouve nas próximas duas semanas e eu vou resolver isso aí.


E aí depois de duas semanas eu escrevi pra ele:


“Pronto! Pode ouvir os anteriores com os três juntos. Três juntos de dez minutos, dá meia hora.”


Ele escreveu “Ballas, você é gênio!”.


Obrigado Alexandre. Tâmo Junto.


E vamos começar esse episódio continuando l’histoire de ma vide en France.


MAINTENANT!


AGORRRA!


 


PALHAÇOS SEM FRONTEIRAS  — Clowns Sans Frontières.


Eu continuei em Paris fazendo shows de rua, fazendo pequenos cabarets, fazendo tudo, tudo que aparecia pela frente e um dia eu fui jantar na casa da minha tia Françoise.


Eu tinha uns tios franceses.


O Rafa, a Alinne, a Fabienne, o Natan, meu tio Remon que me convidavam de quando em quando para jantar na casa deles e num desses jantares minha tia Françoise me pergunta:


— Marcio, tu connais les Clowns Sans Frontières?


— Quê? Clownn Sans Frontières? Palhaços Sem Fronteiras?


Eu nunca tinha ouvido falar que existiam “Palhaços Sem Fronteiras”.


Quando ela me falou disso, eu me lembrei de um dia que a minha prima francesa me mostrou uma foto dela num campo de refugiados, quando ela trabalhava nos “Médicos Sem Fronteiras”.


Isso eu ainda eu tava em Nova Iorque e quando ela me contou dos médicos sem fronteiras eu falei:


— Uau! Eu quero fazer esse negócio!


Cheguei nos médicos sem fronteiras, cheguei a preencher uma ficha, cheguei a me voluntariar, só que eu não era nada. Então… Eu não era médico, eu não era psicólogo, eu não era enfermeiro.


Eu não tinha muito o que fazer lá.


Quando a minha tia falou:


— PALHAÇOS SEM FRONTEIRAS!


Eu falei:


— Uau! É ISSO. EU SOU PALHAÇO E EU QUERO IR NESSE LUGAR! EU VOU ATRÁS DISSO!


Ela tinha só o endereço do lugar, porque ela tinha achado num negócio que chamava vídeo-texto, que era o que antecedia a Internet lá, ela procurou “palhaço” e achou essa organização.


E eu só tinha o endereço.


Então eu um dia fui lá bater na porta da casa onde ficava a associação Palhaços Sem Fronteiras.


Quando cheguei lá fui recebido pelo Antoine Morer, que era o presidente dos Palhaços Sem Fronteiras que me explicou que os Palhaços Sem Fronteiras surgiram na Espanha com o Tortell Poltrona que era um palhaço incrível que abriu os Payaços Sin Fronteras.


E um dia ele convidou o Antoine pra fazer uma expedição e o Antoine ao voltar pra França abriu o Clowns Sans Frontières ….. que era o braço francês dos palhaços sem fronteiras.


E ele me explicou que eles faziam expedições pelo mundo, em lugares em guerras, em lugares em conflito, em lugares que estivesse acontecendo alguma coisa muito grave.


Eles montavam uma expedição e iam lá apresentar um show no lugar.


E eu falei:


— Antoine. EU QUERO FAZER ISSO! EU QUERO FAZER ISSO DE QUALQUER MANEIRA.


Ele falou:


— Tá bom! Quando tiver expedição a gente te chama tal.


Deixei meu nome, meu telefone e OK…


Fui embora com aquilo na cabeça, mas passaram meses, meses, meses e nada.


Eu fui lá de novo tocar na casa deles, alguns meses depois.


— Ah Salut! Eu tava passando por aqui, tudo bem? Como cês tão? Tal,tal,tal.  Então! Se vocês precisarem de mim tô por aqui. Tô aqui fazendo Lecoq e tal.


— Não pode deixar Marcio. Se a gente precisar a gente liga pra você.


E eu ficava de quando em quando, dava uma ligadinha pra eles, ficava em cima deles porque realmente eu queria fazer AQUILO.


 


[Música]


 


Um dia ele me liga e perguntou se eu tinha uma data livre no mês seguinte e eu falei:


— CLARO! TENHO SUPER!


E ele me convidou pra fazer um espetáculo que não era fora da França — o que me deixou um pouquinho decepcionado.


Era duas horas de trem de Paris, quer dizer, era lá por perto e era pra ciganos que eram cuidados por uma associação chamava ATD Quart Monde e eu falei:


— Beleza. Beleza.


Eu topei. Eu topei.


— SUPER eu topo.


Tal.


— Pelo menos eu vou encontrar outros artistas. Vou começar né?


E uma semana antes ele me mandou o endereço e me falou:


— Ah Não! Então lá você vai pegar o trem lá, você vai encontrar tal pessoa.


Aí eu falei:


— Mas… Quem mais vai na expedição?


Ele falou:


— Não, só vai você. CÊ VAI SOZINHO!.


Então eu fiquei mal né?


Porque eu queria viajar pra fora, pelo mundo, pra guerra com palhaços do mundo inteiro e de repente eu tava indo sozinho pegar um trem pra duas horas de distância, no meio de uma floresta ali perto de Paris.


Mas enfim. Essa era a proposta dele. Eu topei. Vamos lá!


Eu fui lá fiz o show foi muito legal.


Eram pra ciganos que tavam acampados numa situação bem ruim mesmo, a galera não tinha nada por lá eu fiz o show fui super legal.


Uma semana depois ele me ligou e falou:


— Marcio? Eles me ligaram lá falaram que seu show foi muito bom. E agora você tá na lista. Quando tiver uma expedição eu te chamo.


Quer dizer, ele me mandou meio que pra fazer um teste porque acho que ele não tava botando muita fé no brazuca ali desesperado pra viajar com eles.


Então eu fiquei feliz e achei que talvez algo poderia acontecer.


 


[Música]


 


Passaram-se meses e nada deles me chamarem. Resolvi ir lá mais uma vez.


Toquei lá na casa deles:


— Salut Antoine!


Ele sempre me recebia muito bem.


— Ah Marcio ça va?


Tal. Tal. Tal.


Ele gostava de Brazil, Brazil.


Eu fiquei lá a gente ficou conversando um pouco e tal e nisso chegou a namorada dele a Sidony ela falou:


— Salut Marcio!


Eu conhecia ela, já tinha ido varias vezes lá.


Ele ajudou ela a guardar as compras na cozinha e ele ao invés de voltar pra sala foi pra uma saleta ao lado que tinha um piano e começou a tocar piano.


Legal!


Começou a tocar piano…


Ele tocava super bem, super bonito e eu fiquei ouvindo lá na oooutra sala…


Cinco minutos…


Dez minutos…


Quinze minutos…


Vinte minutos…


Passou uma hora e ele tava lá na outra sala tocando piano e eu não sabia o que fazer. Não sabia se eu ia lá e falava: “Ei! Eu tô aqui! É pra eu ir embora?”


Não sabia muito o que fazer.


Mais eu fui ficando lá. Fui ficando, até que a Sidony entrou tomou banho, se aprontou tava saindo de volta e falou:


— Marcio, tu es là?


Aí eu falei:


— Oui!


— Mas e o Antoine?


Ai ela foi lá:


— Antoine, Marcio la…


Deu uma bronca nele.


Aí ele:


— Excuse moi! Excuse moi, Marcio! Excuse moi!


E voltou pra sala, continuamos a nossa conversa e eu fui embora mais uma vez sem nada na mão.


 


[Música]


 


Passaram-se mais alguns meses e finalmente eu recebi um telefonema:


— Marcio? Vous êtes libre pour deux semaines?


Você está livre em duas semanas?


Eu falei:


— Não! Eu tenho uns shows, eu tenho escola.


Que eu tava fazendo Le Samovar; eu tinha um monte de coisas…


Ele falou:


— Ah, porque tem uma expedição pros campos de refugiados do Kosovo na fronteira com a Albânia.


E eu falei:


— UUUAAUUUUU! Mas agora em duas semanas?


Ele falou:


— É. É pegar ou largar!


E eu tinha trabalho, eu tinha escola, eu tinha um monte de coisa já programada e fiquei numa dúvida cruel.


— Ai meu Deus! Perco meu trabalho, perco minha aula! Perco tudo! Mas e depois…?


Ele falou:


— Não. Mas eu te chamo pra outra depois e tal.


Mesmo assim eu tomei a decisão. Deixei o trabalho, deixei a escola e aceitei entrar na expedição que ía com os Palhaços Sem Fronteiras pros campos de refugiados do Kosovo.


 


[Música]


 


Uma semana depois eu tava na sede dos Palhaços sem Fronteiras, dessa vez não como visitante mas como parte do elenco que ia para a expedição em direção a Albânia.


E conheci os outros integrantes. A expedição era composta por oito pessoas.


Eu… Palhaço.


Anne Lor… Uma palhaça suíça INCRÍVEL.


O Antoine Morer… O fundador. Ele ia nessa expedição.


O Julien Morer… Que era o irmão dele que trabalhava no teatro de Soleil com a Ariane Mnouchkine, que era um palhaço incrível também.


Patrick Ransom… Músico.


Jeane… Uma trapezista da Inglaterra.


Então esse era o time elenco artístico.


Além de Malik Narasien o fotógrafo e o Pierre que era responsável por toda a logística.


Nesse primeiro encontro cada um falou o que fazia, contou dos seus números.


Eu dei sorte porque eu tinha um número de malabares de sacos plásticos que não era um número tão incrível mas o Julien, ele tinha dois números que ele precisava de assistente junto com ele e como eu não tinha número tal, eu achei muito legal entrar de assistente, por que era um assistente meio bobão e eu tinha esse physique bobão assim.


Diferente dele que sabia fazer muita coisa.


Ele equilibrava flor na cabeça. Ele andava no monociclo.


Então eu entrei de assistente dele, então eu tinha dois números junto com ele e mais um número que eu fazia sozinho. Então pra mim era incrível. Eu fazia três números no espetáculo.


Uma semana depois chegamos em Tirana, capital da Albânia e fomos para uma casa onde estavam os Médicins du Monde, que é uma organização humanitária que foi quem financiou essa expedição dos Palhaços sem Fronteiras.


E essa organização, cuidava de alguns campos que ficavam ali na fronteira da Albânia com Kosovo, e seriam todo nosso apoio logístico.


Então a gente ficava na casa que eles alugaram lá.


Nós dormimos essa noite lá. Eu praticamente não consegui dormir, porque eu tava muito, muito, muito ansioso.


E as oito da manhã do dia seguinte a gente encheu duas vans e fomos em direção aos campos de concentração dos refugiados.


Às oito da manhã a gente encheu duas vãs com todo nosso material e partimos pelas estradas na fronteira da Albânia.


Quando a gente ia andando a gente ia vendo postos de controle onde a gente tinha que parar, mostrar passaporte, mostrar uma carteirinha que a gente tinha do Médecins du Monde.


A gente passava por várias casas destruídas, várias coisas assim…


Ruínas. Tanques de guerra.


Duas horas depois a gente chegava no primeiro campo de refugiados do Kosovo no meio da guerra.


 


Fim desse episódio.


 


[Música]


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um episódio (AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH) mas segunda-feira que vem tem mais (EEEHHHHHHHHH).


Lembrando que os feedbacks são sempre muito bem vindos, você pode escrever no meu site, você pode entrar no grupo BallasCast que é o grupo que tem lá no Facebook.


Inclusive a Camila Toni ganhou um par de ingressos pra assistir uma noite de improviso no Comedians porque ela fez uma recomendação lá.


Então entra lá você ganha ingresso, você ganha muita coisa e ganha o meu amor …


Sendo assim vamos ao nosso momento merchan


— Márcio, eu tenho uma empresa e eu quero fazer um treinamento de criatividade com os meus funcionários. Você tem alguma coisa para me apresentar?


CLAAAAAAAAARO! VOCÊ pode comprar minha palestra improviso e criatividade ou o workshop com o mesmo nome. É só entrar no meu site


www.marcioballas.com.br


 


É isso aí.


Muito obrigado por ter ficado até aqui. Por ter resistido até o final.


Vive la resistence.


E até a prróxima!!!


 


 

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