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BallasCast – Episódio 29 – O que é o Improviso? (Parte 2)

EPISÓDIO 29 – O QUE É O IMPROVISO (PARTE 2)


Senhoras e senhores, ladies and geEENENENENENENEntleeeeeeeeeeeeeeeemans, madrastas e madrastos, está começando mais um…


BALLASCAST…


MÚSICAAA…


Olá, olá, olá, seja exageradamente, extraordinariamente, assombrosamente, enormemente, se mente, se não mente, com semente se você mente, bem-vindo ao nosso BallasCast.


Muito legal que você está aqui, ou que você está aí, ou que você está acolá, ouvindo-me mais uma vez.


É muito legal mesmo fazer isso toda semana.


É uma loucura porque toda semana é uma loucura, mas vamos que vamos.


Na semana passada a gente falou sobre…


A gente não né? Sou eu.


E na semana retrasada eu falei sobre o palhaço, na passada sobre o improviso, fiz entrevistas, fiz improviso, e hoje quero falar novamente sobre o improviso, nessa segunda parte do mesmo assunto, então let’s go. Now!


 


O QUE É O IMPROVISO? (PARTE 2).


(Música)


Eu vou continuar respondendo perguntas que chegaram, vou nomear algumas pessoas que mandaram as perguntas, muito obrigado você, Caroline Silveira, Gabriel Góes, Isabela Simon, Juliana Simon, Ana Paula Plasqui, Ronaldo Menis, Alexandre…


Geovana… Alexandre Nakatami, Jessica Cândido, Jessica Candido de novo – são duas perguntas – Luca Luís, Daniel Coutinho, Daniel Coutinho, Henrique Soares…


Ana Paula Ferreira Camargo…


Obrigado pelas suas perguntas e vamos a elas, começando por…


 


“Marcio, quais são os princípios do trabalho do improviso?”

Muito bem, lembrando vocês que estamos falando aqui da improvisação como espetáculo né? Que é um estilo teatral em qual os atores vão criar cenas no instante, no aqui agora, no momento presente, junto ao público, no calor da ação, tendo aquele público como cocriador, como participante ativo da cena, porque ele que dá os títulos, ele que escolhe vários elementos que vão ser improvisados ali na cena.


Vou falar de alguns princípios, o primeiro princípio é o princípio da aceitação.


Aceitar, eu dizer SIM para as propostas que são dadas, pelos meus colegas, pelos meus parceiros, sempre numa cena que alguém dá uma proposta o improvisador DEVE aceitar e criar em cima dessa proposta, é o que no mundo inteiro se chama do SIM E,  YES AND, eu dou uma proposta e o outro diz…


“Sim! E tal, tal, tal”. “Sim! E tal, tal, tal”.


Então primeiro um improvisador vai dar uma ideia “Hei, venha! Vamos lá colher manga no quintal do seu Jorge”, imediatamente o outro improvisador vai dizer “Sim, vamos! E se fizéssemos uma competição pra ver quem colhe mais manga? ”.


Opa! Ele pegou a ideia do parceiro, criou em cima dele, na cena seguinte vai estar os dois lá, colhendo as mangas, e quem sabe um terceiro vai chegar…


“Hei! O que vocês estão fazendo aí? Eu sou o seu Zé! ”.


Opa! Ele criou em cima da proposta que está dada e assim sucessivamente, quer dizer, a gente aceita sempre a ideia que o nosso colega dá e cria em cima dela.


Não aceitar é o que a gente chama de bloqueio.


A gente tenta sempre fugir do bloqueio, não fazer o bloqueio, é muito comum os improvisadores iniciantes boquearem as cenas, porquê?


Porque a gente tem medo!


Porque a gente tem medo do desconhecido, a gente não sabe o que vai acontecer então a gente prefere não ir pra lá, no improviso a gente diz sim e cria em cima da proposta do colega.


Outro princípio é o erro, no improviso uma das regras do improviso é assim…


NÃO TEM ERRO! Não tem erro. Porquê?


Porque quando a gente está criando ali ao vivo, a gente não tem domínio sobre o que vai acontecer e uma vez que algo aconteceu de errado, alguma informação está equivocada, a gente tem que jogar, brincar, e não tem como se desvencilhar desse erro, não tem borracha.


É como você escrever a caneta, não dá pra apagar e se acontece um erro, por exemplo, uma cena, um improvisador chama-se Lauro, e em algum momento alguém chama ele de Mauro, cabe a esse improvisador trazer esse erro pra si.


Se ele corrigi-lo, mas dentro do jogo, por exemplo, ele poderia dizer “Você está me chamando assim, mas é só meu pai que me chama de Lauro, meu nome é Mauro Lauro mas quero que me chames de Lauro”, entende?


Ele traz o erro pra cena, incorpora, brinca com isso, o público fala…


“Nossa, genial, ele corrigiu o erro do colega”.


E aí aqui o que era um erro acaba virando um grande acerto e uma coisa muito bacana pra cena, então não tem erro.


A gente joga com tudo que nos acontece.


(Música)


Próximo princípio é que o improviso é um trabalho de cocriação, que é um trabalho de criação coletiva, vários atores vão criar uma cena que não é de ninguém.


A cena não é minha, a cena não é sua, a cena é nossa!


Então é muito importante a gente saber disso pra gente estar tranquilo de que eu não tenho a responsabilidade de fazer a cena inteira, não, não, não, a responsabilidade é do grupo, é um trabalho de criação coletiva onde cada um vai trazer um elemento e juntos vamos fazer uma cena aqui agora.


Mais um princípio é o princípio do aqui agora, do momento presente, a gente tem que tentar sempre estar conectado conosco, com o momento, com o que está acontecendo, porquê?


Porque esses pequenos elementos que acontecem na cena, eles não podem ser esquecidos, eles não podem ser simplesmente ignorados, por exemplo, se um improvisador fala “Ah meu filho, vou te deixar aqui em casa, mas não mexa nesse baú rosa do vovô”, quando a cena seguinte acontecer é obvio que o improvisador, o filho, ele tem que ir atrás do baú rosa do vovô, porque foi dado uma proposta e ele tem que criar em cima da proposta do colega.


Por isso que é importante eu estar no aqui agora, pois preciso escutar, realmente ouvir tudo o que acontece em cena, ou por exemplo, a gente tá fazendo uma cena de improviso ali no nosso bar, no Comedians, e um copo cai… PA!


E quebra, é um evento muito grande pra gente simplesmente ignorar, a gente tem que incorporar essa cena…


“Olha, os vizinhos devem estar brigando de novo! Ai meu Deus, eles não vão se divorciar nunca Jorge? ”.


Quer dizer, ela traz o elemento pra cena como se fosse um vizinho, o público gosta muito, normalmente bete palma desses momento porque ele percebe que o improvisador está realmente criando no momento presente, no aqui agora.


E outro elemento importante, que eu acho legal de falar e que pouca gente fala quando falamos de improviso, é o fluxo.


Estar no fluxo, eu me deixar levar, eu estar espontâneo, quanto mais espontâneo melhor, então follow the flow, siga o fluxo, deixa o fluxo acontecer…


Quanto mais um time, um grupo, estiver improvisando no fluxo, mais a chance da cena ficar legal, bacana e divertida.


E por último, a gente deixar o juízo de lado, não ter julgamento, não ficar achando…


“Ai, essa ideia foi boa”.


“Não, essa ideia não foi boa”.


“Ai, essa ideia que ele deu foi muito ruim”.


“Ai, essa ideia que eu tô tendo não foi legal”.


“Ai essa ideia que… Não, essa ideia que eu tenho não é legal”.


Não! Não tem julgamento, não tem filtro, deixe a coisa acontecer…


Deixa acontecer naturalmente…


(Música)


“Marcio, você falou que é muito comum a gente dizer NÃO no começo, porque você acha que a gente diz tanto NÃO? ”.


Ah então, o Keith Johnson disse que dizemos muito não por medo, temos medo.


Por exemplo, improvisadores estão andando caçando numa floresta, de repente UUUUUUAAARRRRRR.


“Nossa, um barulho de um tigre, vamos para lá”.


“Ufa! Escapamos”.


Não! Não escape do tigre, enfrente o tigre, face the tiger, fight the tiger, lição dele.


O público quer ver esse encontro acontecer, então a gente vai aprendendo com o tempo, porque como tudo, com o tempo você aprende a improvisar cenas melhores.


 


“Oh Marcio, quando você falou do improviso, me lembrou muito do palhaço, é tipo a mesma coisa só que um tem o nariz vermelho? ”.


Não! Ehehe!


O palhaço e o improviso realmente tem muitas coisas em comum, acho que não é à toa que o Jogando no Quintal, que foi o meu primeiro grupo, onde tudo começou, onde praticamente foi o início do improviso no Brasil assim, pelo menos como pesquisa aprofundada, por que realmente tem muito a ver o trabalho do palhaço com o improvisador.


Porque na verdade o palhaço, ele é um improvisador, porque ele joga no aqui agora, porque ele joga no erro também, ele é um cocriador, ele aceita tudo o que acontece, a diferença básica é a seguinte…


O palhaço ele vai trabalhar na relação, muito profundamente, ele vai busca relação, então por mais que ele esteja criando uma cena e tal, se acontece alguma coisa ali no momento, ele vai pra essa coisa que é a coisa importante lá do momento.


Então por exemplo, eu lembro de uma cena do Jogando no Quintal, que tava acontecendo no Polo Norte e tal, e de repente o Adão vê no público um senhorzinho de barba branca…


“Olha, Papai Noel! ”.


E ele para a cena, pra ir falar com o Papai Noel, nisso todo o time para a cena que tava acontecendo uma cena no Polo Norte, pra ir falar com o Papai Noel.


E aí o outro time levanta do banco pra ir falar com o Papai Noel…


Então o improviso vai acontecendo a partir dessa relação muito louca do palhaço com o aqui agora, com o momento presente.


Já o improvisador não!


Normalmente o improvisador ele privilegia a história, ele está em busca da história.


Ele quer tentar construir uma história, uma narrativa, uma dramaturgia que tenha um início, um meio e um fim.


É como quando o público vai ao teatro que ele vai ver uma obra de teatro e tem uma apresentação dos personagens, que ele vê os personagens, ele vê onde eles estão, o que que eles estão fazendo, qual a relação entre eles, o conflito, o desenrolar dessa história e a finalização dessa história.


A mesma coisa tem que ter um improvisador dentro de um espetáculo de improviso teatral, ele tem que tentar criar uma história de início, meio e fim.


 


“Oh Marcio, improviso é sempre de comédia não mesmo? ”.


Nossa que voz insuportável!


É muito obrigado pela sua pergunta, nem sempre o improviso é comédia tá?


E algo que demorei muitos anos pra descobrir, a verdade é que assim…


O improviso como a gente conhece, a gente tá falando da comédia de improviso né?


Mas não necessariamente o improviso ele visa a comedia, ele tem como fim a comédia.


Inclusive eu tenho um espetáculo que se chama Caleidoscópio, onde a gente tem muitos momentos poéticos, bonitos, esdrúxulos, inusitados que não são engraçados.


A primeira vez que eu vi um espetáculo que não era de comédia eu fiquei estupefato, eu fiquei assim UAU, what’s goig on?


Porque eu descobri que tem várias maneiras de se fazer a improvisação.


(Música)


 “Marcio, mas como assim hein? Que que são essas maneiras aí? Eu só conheço esse jogo de improviso, é tipo só jogo de improviso, não é? ”.


Não! Não são apenas jogos de improviso, em linhas gerais existem apenas dois tipos de improviso.


Um deles é o espetáculo de improviso mais conhecido, que são jogos, são jogos teatrais, são os desafios, são esses jogos que a gente fazia na Band, no É tudo improviso, que talvez você conheça do Improvável, ou do Whose Line is It Anyway?


Nesse formato, normalmente tem um mestre de cerimonias que dá um desafio aos jogadores “fazer um jogo, cada vez que eu disser troca vocês têm que trocar alguma coisa que disseram ou fizeram”.


Ou “nesse jogo vocês vão poder fazer a história através de pergunta”, ou “nesse jogo quando tocar a campainha vocês vão trocar personagem”.


Então esses tipos de jogo de desafios, são os jogos mais comuns, os jogos de improviso teatrais que são os mais conhecidos.


Existe também um outro tipo de formato que é o chamado o long form, o formato largo.


Nesse tipo de formato, o grupo, ele tenta construir uma obra de teatro, uma peça inteira que o público assista, mas sem ter um desafio, sem ter um joguinho por trás, sem ter uma mecânica por trás, é como quando a gente vai assistir uma obra de teatro.


Muitas vezes a gente pede de início do espetáculo, alguns pequenos elementos ao público, então por exemplo, no Caleidoscópio que é um espetáculo que a gente faz de improviso teatral, a gente conta uma história nossa de infância, real, verídica, e depois chega pro público e fala “Amigo, conta uma história que sua a mãe fazia, alguma coisa que sua mãe fazia e você não gestava”


Aí o cara conta “ Ah quando eu era pequeno, minha mãe fazia uma vitamina de manhã e colocava ovo e eu nunca gostei disso”.


Ah, legal!


Então a partir desse elemento que a gente colheu do público, de alguns outros elementos que a gente colhe no início do espetáculo, depois a gente faz uma hora, histórias que tem como inspiração essas histórias que a gente colheu no início do espetáculo.


Então por exemplo, nesse espetáculo, não é tudo cômico, não é tudo engraçado, inclusive alguns grupos fazem espetáculo de drama de improviso, então improviso não é só comédia.


É claro que, ele tende a comédia por ele ser imperfeito, pela cena estar sendo criada na hora, por muita coisa dar errado, porque ele está sendo feito ali, aos olhos dos espectadores.


Não é necessariamente um espetáculo de comédia.


 


“Oh Marcio, está acabando, me fala uma coisa de boas referências assim”.


Bom, vou dar umas referências latino americanas, porque esse tipo de mercado latino americano, é o mercado de improviso que a gente frequenta assim né?


Então na Argentina tem um grupo chamado Improcrash! Que é muito legal!


LPI que é um grupo das antigas, Mosquito Sancineto, que também é um improvisador das antigas.


LPI do Ricardo Behrens.


Marcelo Savignone também que tem uma escola muito legal, na Argentina, em Buenos Aires.


No Chile um grupo chamado Mamute, Sérgio Paris.


No Uruguai um grupo incrível, chamado Impronta Teatro.


No Peru, o Ketó, Pataclaun, também lá no Peru.


Na Venezuela eu joguei com um grupo chamado Imprevisto, eu não me lembro.


No México, um grupo chamado Conplotecena, do José Luíz Sardagna, do Mar Medina também.


Angélica e Romina, grandes improvisadores, mexicanas também.


Na Colômbia, Acción Impro.


Na Espanha um dos melhores grupos do mundo que é o Impromadrid, que tem também uma escola de teatro, um outro grupo incrível de lá chama-se Jamming.


No Brasil, Jogando no Quintal, obviamente.


Noite de Improviso, que é o espetáculo que a gente faz aqui as quartas feiras, os Barbixas, com o espetáculo Improvável.


Antropofocus, que um grupo de Curitiba.


O Z.E. Zenas Emprovisadas, que foi um grupo que no Rio também começou logo depois do Jogando no Quintal.


Enfim, sempre tem a Internet que é melhor do que eu.


 


“Oh Marcio, e pra terminar hein? ”.


Pra terminar, queria dizer que eu aprendi depois de muitos anos que o improviso, mais do que uma linguagem teatral, eu acho que é uma maneira de ver a vida.


Um way of life né?


Então a gente que é improvisador a gente acaba aprendendo e levando pra nossa vida, cocriar, aceitar, eu dizer sim pro outro, eu dizer sim pro erro, eu estar no fluxo, eu estar com tudo, eu estar no momento presente, eu olhar no olho.


Então eu espero que isso tenha servido pra alguma coisa pra você na sua vida também.


Sendo assim… this is the end of the epidsode. Now!


(Música)


Muito bem, muito bem, muito, chegamos ao final de mais um episódio (AAAHHH), mas segunda feira que vem tem mais (EEEHHH).


E se você quiser entrar no BallasCast, que é esse grupo que tem no Facebook, venha lá porque tá muito legal.


Lá eu também coloco alguns conteúdos que são exclusivos e explosivos que são elementos que não cabem aqui no podcast que eu posso colocar lá, alguns vídeos, algumas explicações, algumas imagens.


Então entra lá se você quiser, se você não quiser não entra também, porque você é FREE!


Sendo assim… thank you very much!


Fhrhoihfshvsio


Wmejig ied


Wsvnlebljb


Thank you very much and next Monday…


Kqnlfhie


Bye bye!


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