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BallasCast – Episódio 32 – Criatividade e Improviso

EPISÓDIO 32 – CRIATIVIDADE E IMPROVISO.


Senhoras e senhores, ladies and geeeeeeeeeeeeeeeeentlemans, madames et messieurs, jabutis e jabutias, está começando mais um…


BALLASCAST…


MÚSICAAA…


Olá, olá, olá, seja incorruptivelmente bem-vindo a mais um BallasCast, muito obrigado pela sua presença, muito obrigado pelas sugestões, estou recebendo sugestões muito legais do que falar no podcast.


Inclusive, no episódio de hoje eu vou falar de um assunto que veio por demanda né?


Muitas pessoas perguntam assim, “Mas Ballas, o que que você faz nessa sua palestra que você dá nas empresas? O que que é? O que que rola lá? ”.


Então eu resolvi contar um pouquinho, obviamente não vou falar da palestra exatamente, mas eu vou falar um pouquinho do assunto de hoje.


Então sejam bem-vindos a este episódio… NOW!


(Música)


CRIATIVIDADE E IMPROVISO.


Pra você que acompanha o BallasCast, sabe que eu já fiz dois episódios inteiros sobre improviso, e hoje eu vou misturar um pouquinho e falar de criatividade junto e devanear, pensar um pouquinho, colocar algumas ideias, deixar alguns pensamentos e coisas pra você que está ai do outro lado.


Eu comecei a falar desse assunto, especificamente, porque é muito tempo já que eu faço, tanto mestre de cerimônias como shows de improviso nas empresas.


E sempre que acabavam os shows as pessoas vinham falar comigo “Nossa Marcio! Que incrível, mas realmente, é tudo improviso mesmo? ”.


Tanto que nosso programa na Band chamava “É Tudo Improviso”.


As pessoas desconfiavam se a gente fazia tudo aquilo na hora mesmo, de verdade, ou se não tinha uma coisinha combinada, ou se não tinha uma coisinha ensaiada, ou se não tinha uma coisinha que a gente tinha pensado antes.


Outra coisa que as pessoas sempre falavam era, “Mas Marcio, como é que você consegue ser tão criativo? Como é que você consegue criar as coisas assim, na hora? ”.


E depois de ouvir tantas vezes essa pergunta, eu criei primeiro um workshop, que era pra trabalhar com grupos pequenos, 30, 40, 50 pessoas e depois me pediram isso pra grupos maiores e eu acabei criando a palestra que chama-se “Improviso e Criatividade”.


Essa palestra é uma mistura de humor com conteúdo, porque?


Porque lá eu faço as minhas interações, as minhas brincadeiras, meus jogos de improviso e também do conteúdo, isto é, eu falo sobre o assunto CRIATIVIDADE, eu falo o que que o improviso me ensinou e como é que as pessoas podem ser um pouco mais criativas nas vidas delas.


A primeira pergunta que eu faço para as pessoas quando eu tô palestrando é…


“Quem aqui é criativo? Quem de vocês é criativo? Você que tá me ouvindo aqui, você é criativo? ”.


E sempre que eu fazia essa pergunta eu notava um silêncio constrangedor na sala, as pessoas não levantavam as mãos e ficavam meio olhando umas para as outras e tal.


Aí de repente apontava…


“Não, Rogerião, Rogerião, ele é criativo! ”.


Ou apontavam pra uma outra pessoa.


Mas assim, elas nunca se colocavam como criativas, 90% das pessoas não levantam a mão nunca quando eu faço essa pergunta.


Aí conversando com essas pessoas no tête-à-tête, falando com elas diretamente, quando eu falo sobre isso eu percebo que tem um pequeno equívoco quando as pessoas ouvem falar sobre criatividade.


As pessoas associam imediatamente criatividade a áreas que são, teoricamente, as áreas criativas.


Do tipo, “Não criatividade e a galera da propaganda, criatividade é o pessoal do marketing”, ou “Criatividade é o Regérião, porque é um cara mais extrovertido, mais engraçado”.


Ou então, “Ah, vocês artistas, vocês são criativos, eu não”.


Ta aí, a primeira coisa que a gente precisa entender, e as pessoas precisam saber, você que está me ouvindo precisa saber que é uma coisa que todo mundo sabe.


Eu acho que no fundo todo mundo sabe, todo mundo sabe, mas alguém precisa chegar e dizer que é…


TODO MUNDO É CRIATIVO. O SER HUMANO ELE NASCE CRIATIVO.


A gente sai de fábrica assim, todo mundo nasce espontâneo e criativo, é só você lembrar de você quando era criança, quantos jogos você não inventou?


Quantas brincadeiras, quantos mundos imaginários, quantas coisas você não criou com três, quatro, cinco, seis, a sua vida inteira?


E isso é muito importante reforçar, que a primeira coisa que a gente precisa saber pra ser criativo, é acreditar, EU SOU CRIATIVO.


Então repita comigo!


EU SOU CRIATIVO!


EU SOU CRIATIVO!


EU SOU CRIATIVO!


Porque a gente precisa acreditar que a gente é criativo, se a gente não acredita aí realmente eu te garanto que você não vai ser!


Mas assim, existe uma possibilidade muito maior se você acreditar, então acredita, porque estamos falando de um fato, de algo que é real e que no fundo eu acho que todo mundo sabe, mas a gente esquece né?


(Música)


“Mas Marcio, se a gente nasce criativo e criança a gente era super criativo, porque que a gente deixa de ser criativo? ”.


O que acontece é que quando a gente vai crescendo a gente vai entrando nos padrões de comportamentos sociais, a gente vai entrando na sociedade, nas formas sociais, a gente vai se formatando né?


E aí a gente vai deixando esse nosso lado criativo ali, afastado, adormecido.


A gente vai acreditando que a gente é sério, que a gente é importante, que a gente não pode errar e a gente vai deixando essa maneira de pensar, esse jeito de olhar a vida, de olhar o mundo, um pouco de lado.


Eu sempre digo que criatividade é uma ferramenta para resolução de problemas.


CRIATIVIDADE É FERRAMENTA PARA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS.


E quem tem problemas?


Todos nós, todo mundo tem problema.


Seja um problema cotidiano, seus pequenos problemas no dia a dia, a mãe que precisa que tem que dar comida pro filho, a criança não abre a boca porque não quer comer alface, não quer legume, as crianças não gostam de legumes, não sei porque, e aí a mãe vai tentar achar uma solução criativa pra ele comer aquele maldito alface.


“Olha o aviãozinho, eeeeeeeeeeehhh”.


O moleque não abre a boca, ela vai ter que achar um outro jeito.


“Eu sou o alface lanterna verde e estou em direção a caverna, eeeeeehh”.


O moleque não abre a boca.


“Peppa Alface está chegando”.


O moleque não abre a boca.


“Olha o chocolate”.


O moleque abre a boca, enfia o alface.


Quer dizer, ela acha uma solução criativa pra resolver o problema dela.


E a mesma coisa vale para problemas que você tem no seu trabalho, no seu dia a dia, na sua empresa, sejam eles problemas grandes, sejam eles problemas pequenos.


A gente poderia dividir nossos problemas em duas mesas.


Numa das mesas iam estar 99% dos nossos problemas, nessa mesa são os problemas cuja soluções já existem.


Pessoas já pensaram sobre isso, tem no Google, tem no manual…


Agora na outra mesa, estão 1% dos nossos problemas, esses não têm solução e pra esses problemas a gente vai ter que pensar de uma maneira diferente.


É aí que vai entrar a nossa capacidade criativa, é aí que vai funcionar o lado direito do nosso cérebro, é aí que a gente vai olhar de uma outra maneira pra essa mesa, a gente precisa pensar diferente.


Ou então, algo que está acontecendo muito hoje em dia, muito, muito, muito que é…


A gente tem um problema velho e a gente precisa de uma solução nova.


Então a gente tem que passar esse problema de mesa, ou então a gente tem um problema que já temos uma solução aqui, mas essa solução tá cara, ou essa solução tá chata, ou essa solução tá me fazendo perder muito tempo.


Aí a gente vai mudar de mesa, ir pra essa outra mesa, a gente vai ter que pensar diferentemente.


E a boa notícia que eu tenho pra dar pra vocês é que criatividade é algo que quanto mais a gente faz, quanto mais a gente pratica, quanto mais a gente exercita, mais criativos a gente vai ser, né?


Como musculação, academia.


Quanto mais você vai, mais forte você vai ficar.


É a mesma coisa com criatividade.


Sendo assim, a criatividade serve pra um monte de coisas, pra gente ter ideias, pra gente melhorar, pra gente economizar, pra gente inovar né?


A criatividade é o primeiro passo pra inovação, a criatividade é o primeiro momento onde vão acontecer ideias, onde vão surgir coisas e aí mais pra frente, alguma dessas ideias, que vai ser trabalhada, refinada, empacotada, produtizada, vai virar uma inovação.


E nesses 20 anos criando shows ali na frente do público, eu trabalhando com a criação em estado puro, eu percebi que tem um elemento que é central que não pode faltar em nenhuma cabeça criativa, em nenhum processo criativo, em nenhum grupo criativo que é o SIM.


O SIM é o elemento chave que eu trago do improviso e do palhaço que eu acho que é mestre Yoda da criatividade, sem ele não existe criatividade.


Pra quem não sabe, eu fiz um TED que eu falo sobre o olhar do sim, né?


Que é essa filosofia que o palhaço e o improvisador tem em comum, então quem quiser dar uma olhadinha na internet, chama-se “O Olhar do Sim, lições de um palhaço e do improvisador”.


Lá eu falo sobre a essência do que é o olhar do sim, e aqui eu queria falar um pouquinho mais prático…


O que é o SIM? O que quer dizer esse SIM aí que vocês falam no improviso e no palhaço, que quer dizer isso aí?


O SIM é a ACEITAÇÃO, ACEITAR…


Em primeiro lugar eu preciso aceitar o outro, e quando eu fala em aceitar o outro eu não estou falando apenas de aceitar em gêneros diferentes, sexo diferente, religiões diferentes, isso é óbvio, isso você tem que ter em todo lugar, em todo o mundo.


Já falamos muito sobre isso, o mundo já fala o tempo inteiro sobre isso!


Mas eu tô dizendo da gente aceitar que o outro é diferente de mim, pensa diferente de mim e isso é muito bom pro processo criativo, é muito bom criar com pessoas diferentes de nós.


É muito bom cocriar com pessoas que vem de outros universos, porque?


Porque as pessoas vão vir com novas ideias, novos olhares, né?


Cada um de nós tem uma experiência, uma história, uma visão, quando a gente se junta com uma pessoa que tem uma outra história, outra experiência, outra visão, a nossa capacidade criativa aumenta exponencialmente.


Somos mais criativos em grupo.


A gente consegue cocriar muito melhor do que sozinho, isso se a gente tiver alguns pré-requisitos, e um deles é esse que eu estou chamando de SIM.


Então a gente precisa aceitar o que em primeiro lugar?


O outro!


Com tudo, as ideias que vem do outro, as sugestões que vem do outro, a proposta que vem do outro.


Quando a gente cria uma cena no improviso é assim que funciona, a gente pede um título pro público, o público fala “A mala azul”, então o primeiro improvisador entra na cena com a primeira ideia, a mala azul e ele vai lá…


“Hum, eu sou um expert de malas… aqui eu faço todo tipo de malas. Eu tenho malas de todas as cores, de todos os tamanhos, de todos os tipos, e hoje eu estou confeccionando uma mala pra um cliente muito importante. Um milionário, um nobre, ninguém sabe mas ele é até príncipe, é a mala azul e ela está aqui, olha só”.


E ele começa a cena, na sequência um outro improvisador vai dizer SIM pra essa ideia, vai aceitar essa primeira ideia que foi criada e vai criar em cima dessa primeira ideia que foi dada, por exemplo, ele poderia ser o príncipe chegando ali.


“Olá, tudo bem meu caro? Vim aqui retirar a minha encomenda, a minha mala azul…”


“Oh, nobre príncipe, aqui está a sua mala azul”.


E aí entra um terceiro improvisador fazendo como se fosse a mala.


Ele é a mala, então temos três personagens.


A mala, o príncipe e o fazedor de malas, o expert em malas.


E assim a cena vai sendo crida, a partir das sugestões, da aceitação das ideias que um dá para o outro.


Se um improvisador entra em cena e dá uma primeira proposta pra um outro…


“Pai, pai, eu queria dinheiro pra poder ir num parque de diversões…”


E o outro imediatamente nega e bloqueia essa ideia e fala…


“Oh meu filho, eu não sou seu pai não, quem falou que eu sou seu pai? Eu sou só uma pessoa que tava passando aqui”.


Pode até ser que isso seja engraçado no primeiro momento, mas você não tem pra onde ir, não tem o que fazer, isso é o que a gente chama de bloqueio.


Um improvisador dá uma ideia e o outro bloqueia, não aceita a ideia que foi dada.


Um improvisador começa a cena e fala…


“Por favor garçom, eu queria um filé à parmegiana com queijo bem, bem, bem quentinho”.


“Ah não, não, não, eu não sou garçom”, “Ah não, não temos filé”, “Ah não”.


Não, aceita essa ideia e cria em cima dela, é isso que a gente chama de aceitação.


Isso pode e deve ser trazido pros processos criativos que acontecem em qualquer lugar, seja numa empresa, seja você pensando num produto novo, seja você tendo uma ideia pra uma obra nova, pra qualquer coisa.


O grupo inteiro, as pessoas têm que estar com esse espírito do SIM.


(Música)


Eu recebi uma vez um convite que eu achei muito interessante, que foi a única vez que eu consegui, nesses 20 anos, medir um pouco da efetividade disso que eu tô falando né?


Uma empresa de sorvetes, que eu não vou citar o nome aqui, me chamou pra fazer um trabalho com eles…


Então a Kibon, ela tinha feito um trabalho de brainstorm com as pessoas da área de marketing, isso faz muitos anos…


E aí eles anotaram a quantidade de ideias que tinha saído de uma reunião de brainstorm.


Aí 112 ideias saíram dessa reunião de duas horas.


Na semana seguinte eles tinham um segundo grupo pra fazer uma reunião de brainstorm e eles me chamaram pra fazer um aquecimento antes do trabalho, a menina do RH falou:


“Ballas, eu tenho 40 minutos antes, você consegue fazer alguma coisa com eles? ”.


Eu falei “Posso tentar”.


Então eu fiz uma dinâmica de improviso e criatividade, que é a que eu faço, reduzida obviamente, porque normalmente eu faço três horas, aqui eu fiz em 40 minutos, onde eu fiquei trabalhando com eles só o SIM, SIM, aceitar, aceitar, deixar sair, deixar rolar, deixar a coisa acontecer…


SIM, SIM, SIM, SIM, SIM…


Quando eles foram pra reunião, no final dessa reunião, o número de ideias que tinha saído eram mais de 2x maior do que o primeiro grupo, eles tiraram 260 ideias.


Era duas vezes e meia quase o número de ideias, que o primeiro grupo tinha feito.


Isso pra mim é obvio, porque eu trabalho com isso, eu sei que isso acontece.


Mas foi muito legal de verificar quantitativamente, olhar mesmo, é como se fosse cientificamente provado assim né?


Numa pequena prova obviamente, mas de que se a gente está aberto, tem um time que está aberto ao outro, se tem um ambiente criativo, espaço criativo, a possibilidade de surgirem, de nascerem coisas novas, obviamente é muito maior.


Até porque nessas reuniões, é muito comum de acontecer os bloqueios que eu estava falando ali, na improvisação.


Muitas vezes eu acompanho processos de criação e é muito comum o chefe falar:


“Bom, vamos aqui falar sobre o lançamento de… O nosso novo sabonete no verão, então ideias, vamos lá hein galera! Ideias! ”.


Aí você vê todo mundo pensando assim…


“Ai meu Deus, será que eu falo isso”.


Fica um silêncio.


E não, realmente o brainstorm é pra saírem as ideias, não é pra ficar em silêncio.


Não é pra você produzir o processo na sua cabeça, é pra deixar sair.


E as pessoas ficam pensando…


“Ai será que eu falo isso? Não, não vou falar isso… Acho assim, vou falar, não, não… Ai olha, ele falou uma ideia parecida com a minha, droga, e gostaram ainda… Ai, eu devia ter falado, eu sabia, essa ideia era minha”.


Já se pegaram nessa situação?


Pensando, criando na sua cabeça?


Não! A criação tem que sair, a gente tem que deixar isso acontecer, tem que deixar isso sair fora.


Até porque não necessariamente a sua ideia tem que ser incrível, até porque as ideias não precisam ser incríveis.


As ideias precisam apenas ser dadas, precisam ser soltas, precisam ir pro mundo.


Porque a partir de uma ideia que alguém dá, vai surgir de repente uma outra ideia.


E a partir dessa ideia que ele deu vai surgir uma nova ideia, e daí do outro vai surgir uma outra ideia, aí vai abrir uma nova porta pra um universo que ninguém tinha pensado sobre isso, sobre aquilo e de repente…


Opa! Olha isso que interessante! A gente nunca tinha pensado nisso!


E aí algo novo pode ser que surja.


Mas isso surgiu porque lá no começo todo mundo deixou as ideias virem à tona, então isso é muito importante pra saber quando você estiver participando em qualquer processo criativo.


Aposto que se você já participou de uma reunião dessa, que acontece uma reunião de criação e aí alguém fala…


“Ah, a gente podia experimentar fazer uma degustação no ponto de venda”.


“Porra Carlão, ideia pra valer eu falei, isso lá é ideia? Vamos lá gente, mais ideias”.


Percebe o que aconteceu?


Eu chamo isso de assassino de ideias, o cara matou não só o Carlão, como todo o time, toda a equipe.


Então primeiro, se você está conduzindo um trabalho lembre que você tem que instalar esse espírito do SIM no seu time.


E segundo, se você é parte do time, lembre-se que você pode e DEVE dar as suas ideias com tudo, sem julgamento, e esse é o próximo ponto importante que é, NÃO JULGAR.


No improviso a gente tenta tirar o julgamento, tirar o filtro.


A gente é muito acostumado, adulto principalmente, a ter julgamento.


A gente olha pra uma pessoa e já acha alguma coisa dessa pessoa, as vezes você nem conhece…


“Nossa, olha esse cara, olha com esses óculos que estranho, hein? Olha esse aí de trancinha, com esse cabelo esquisito, com essa voz fanha, vixi, esse aí é estranho, nossa esse aí não dá…”


A gente já acha um monte de coisa sem nem saber e sem nem conhecer.


A gente tem que deixar o julgamento de lado, o julgamento para com o outro e principalmente, o julgamento para conosco.


Essa vozinha que eu tava falando, que fica ali morando na nossa cabeça, que fica achando um monte de coisa, que fica falando pra você…


“Não, não, acho que isso não! ”.


“Ai, será que eu falo isso? Será que dá…”.


Não. Tira o seu julgamento, deixa o julgamento de lado.


Em processo criativo temos que deixar o julgamento de fora.


(Música)


E esse é um dos exercícios básicos que a gente faz numa aula de improviso, no workshop de improviso, num curso de improviso.


Umas das regras de ouro do improviso é que não tem erro.


NÃO TEM ERRO!


Porquê?


Porque o que foi criado ali não dá pra apagar, não tem borracha.


Então a gente faz exercícios pra tentar tirar cada vez mais esse julgamento, pra você estar no momento presente, no aqui agora, criando e cocriando com os seus parceiros e com os seus colegas.


O improviso é um trabalho de criação coletiva. Todos juntos vão criar uma cena e essa cena não é de ninguém, essa cena é de todo mundo.


Então a gente joga jogos, por exemplo, um dia eu tava lendo um livro do Michel Melamed, um amigo poeta que escreve umas coisas incríveis, talvez você já deva ter lido ou ouvido falar dele.


E numa das suas poesias dele, ele tava falando que a vida, ela pode ser metáfora pra qualquer coisa, você pode falar.


“A vida é como o mar, tal, tal, tal, tal, tal, tal”


Daí ele dava dois, três exemplos e tal, e ele instigava o leitor pra isso né?


A pensar!


E eu pensei, “Putz a gente pode tentar aplicar isso no improviso”.


Então no outro dia eu trouxe na minha aula e disse…


“Bom, vai lá um na frente, público falem um objeto”.


“Ventilador”.


Então o cara tinha que falar imediatamente, ele não tinha tempo pra pensar.


“A vida é como um ventilador, as vezes roda, roda, roda, mas uma hora o vento para”.


Né, aí foi o próximo, aí de um em um, e eu comecei a notar que o público ficava um pouco constrangido, as vezes o cara ficava assim, ele não tinha confiança.


Então o que que eu inseri nesse exercício?


A cada vez que o cara falava a poesia dele o público tinha de fazer “Bravo! Muito bom! EEEEHHHH! Incrível! Incrível! ”.


Pra que?


Pro cara ganhar confiança e sair e falar a primeira coisa que viesse a cabeça dele.


É claro que um monte de frases vão ser ruins, e vão ser mesmo.


Algumas vão ser tão ruins que vão ser boas, e algumas de repente vão ser boas.


Enfim, são treinos que a gente faz pra exercitar essa nossa capacidade de estar no momento presente, de tirar o julgamento e o filtro e de dizer…


SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!


QUE é o princípio do trabalho do improviso, do trabalho do palhaço, e também acredito eu, da criatividade.


Fim do episódio.


 


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um BallasCast (AAAHHH), mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH).


E se você quiser saber mais sobre o assunto, tem um grupo no Facebook, chama BallasCast, onde eu coloco outros conteúdos, eu coloco complementos do que foi falado aqui e as pessoas comentam.


É muito legal, muito divertido, muito supimpa, então entra lá no BallasCast.


E pra terminar eu queria dizer uma frase do Guilherme Tomé, um improvisador que começou a “Noite de Improviso” com a gente, e quando a gente tava fazendo o release, ele soltou uma frase que eu achei muito boa, que eu sempre falo nos cursos que é uma frase que diz o seguinte…


NO IMPROVISO A GENTE NÃO SABE O QUE VAI FAZER, MAS A GENTE SABE O QUE TÁ FAZENDO!


Sendo assim…


Thank you very much.


Snihrgpihwe[


Eefwjgoçer


Wkejpji´rf


And thank you very much.


See you next Monday.


Bye. Bye.


 

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