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BallasCast – Episódio 35 – Entrevista com Daniel Nascimento (Parte 2)

EPISÓDIO 35 – ENTREVISTA COM DANIEL NASCIMENTO (PARTE 2).


Senhoras e senhores, ladies and geeeeeeeeeeeeeeeeeentlemans, madames et messieurs, trapezistas e trapezistos, está começando mais um…


BALLASCAST


MÚSICAAA…


Olá, olá, olá, seja incomensuravelmente bem-vindo ao BallasCast!


Pra você que nunca ouviu meus podcasts, no começo eu comecei falando sobre as minhas histórias, Palhaços sem Fronteiras, Doutores da Alegria


E agora eu estou nessa fase de entrevistas.


Semana passada eu fiz a primeira parte da entrevista com Daniel Nascimento da Cia. Barbixas de Humor, e hoje sigo com ela.


Ele que é do Improvável, pra quem não conhece, que tem 2,6 milhões de inscritos no canal YouTube, os vídeos deles ultrapassam 700 milhões de views, ele está a 10 anos em cartaz e hoje está aqui conosco.


Então vamos a nossa entrevista… NOW!


(Musica)


ENTREVISTA COM DANI NASCIMENTO (PARTE 2).


Voltamos aqui com o BallasCast e a pergunta que ficou na volta do nosso episódio anterior…. É TUDO IMPROVISO?


Ballas, é tudo improviso! Você acredita nisso?


– Eu acredito!


– Muita gente para na rua, e para na rua mesmo, perguntando “Daniel, como você faz pra ter esse cabelo e dois, como você prova que ele é improvisado? “. A gente ainda tem que provar…


– Que é improvisado! É uma coisa muito louca porque eu faço a 20 anos e é uma pergunta que ouço, não digo diariamente, mas semanalmente com certeza, e é muito interessante porque você falou uma coisa que quando você viu o Whose Line, ainda mais na TV… VOCÊ ACHOU que não era improvisado.


Quando eu assisti na França, quando ninguém fazia no Brasil e eu caí num espetáculo de improviso, eu tive a mesma pergunta…


– É!


– Caramba! Esses caras têm aquela estrutura, eles têm alguma coisa lá!


– Mas eu pergunto pra você então…


– Pra mim?


– Uma pergunta pro Ballas… Invertendo BallasCast… Bem-vindo ao DaniCast, hoje eu tô aqui entrevistando o Marcio Ballas e eu tenho uma pergunta Marcio Ballas


– Ahn, fala…


– A função de provar que é improvisado é dos improvisadores?


– Ah, mudou a pergunta. E é boa essa pergunta!


Eu acho que é a função da concepção do espetáculo tentar fazer com que o público acredite que é tudo feito na hora, que é criado na hora, pois isso que a maior parte dos grupos de improviso, dos espetáculos de improviso pedem elementos…


“Ah me fala um título, me fala um lugar”.


Pra o público ver ali na hora “Pô, ele falou o meu lugar, então não tinha como ele prever”, né?


Alguns espetáculos na gringa, até você deve ter visto, não pegam nem nada, eles já saem improvisando, ele fala:


Ok, that’s improvised, let’s go” e começam e você fala “Nossa, não vai pegar nada? “.


Mas eu acho que quando o público vê ao vivo o que acontece com a minoria ainda das pessoas, porque a maioria vê na Internet, ou viu na TV tal…


Eu acho que quando ele vê ao vivo ele tira essa dúvida né? A gente tinha essa brincadeira…


Mas você acha que ainda não?


– Não. Essa é uma discussão que tem a ver com a TPM dos improvisadores no camarim. Que tem dias que é evidente que…


– Sim! Eu acho…


– …que a gente não, tem que pegar com a plateia e tem que deixar claro…


– Sim!


– …e tem as vezes que tipo, não, eles que entendam que é improvisado, a gente já falou…


Dani.


– SOU EU! DANIEL SOU EU, NO CASO!


– Defina improviso em uma palavra.


– Improviso em uma palavra? Tá fácil… IMPROVISAÇÃO.


– Hum… outra!


– Outra? Não você falou uma palavra só…


– É mas é que são duas perguntas… A primeira é: “Defina improviso em uma palavra” e a segunda “Defina uma palavra, improvise uma palavra que não pode ser improvisação”…


– Que não pode ser improvisação…


É… Defina improviso em uma palavra…


– Eu adoro pergunta difícil. Quando demora é porque é pergunta difícil.


– É, NÃOPENSE, mas junto. Ao invés de NÃO, espaço, PENSE – porque fica duas palavras – eu tô criando neologismo agora…


– Ahnnn… olha… NÃOPENSE… LEGAL!


– Eu não sei se UCB ou se é o… Acho que é o UBC.


–  Upright Citizens Brigade… Que é um grupo de improviso em Nova Iorque…


– Vamos falar um grupo de improviso em Nova Iorque.


Tem um grupo de improviso em Nova Iorque que usa esse don’t think como meca, não sei se é Del Close, pensador de improviso, mas eu gosto desse lugar, do NÃOPENSE.


E o que ele significa? Ele significa mais do que simplesmente não pense né?


Não. Eu acho que tem a ver com não julgar né?


Não julgue o seu pensamento, vai… vai tendo ideias.


– Legal! Quero te perguntar uma coisa disso porque eu como você sou muito mental, acho que os improvisadores podem ser classificados assim…


– Eu já entendi o que você falou…


– Entendeu. A gente…


Telepáticas. Improvisadores…


Não, eu acho que de verdade, eu acho que tem tipos de improvisadores então a minha turma do Jogando, alguns deles…


Se pegar o Thebas ou o César, são improvisadores muito clownescos tipo que é muito do palhaço…


Então eles estão lá, a resposta vai ser muito imediata, ele realmente não pensa 100%, aí tem os improvisadores que são da dramaturgia se você pensar, o Gustavo Miranda, porque vem do teatro, porque ele vai pensar a história e tal…


E tem os que são da ação, eu acho que tem uma coisa que a gente pode dividir em dois. Os que são um pouco mais cerebrais, mentais. E que eu acho que a gente se encaixa aqui!


E agora a pergunta que eu tenho pra você tem a ver com o NÃOPENSE é…


Como é que a gente não pensa, ao mesmo tempo a gente quer criar uma historinha, quer trazer uma piada lá detrás. Então como que é esse não pensar, mas também você tem que pensar ao mesmo tempo…


Como é que é que a cabeça, você acha que tem que funcionar?


– Uma boa pergunta!


Eu acho que isso é uma discussão que a gente que faz muito tempo tem esse lugar, esse tipo, a gente quer dar os passos pra frente…


Então como aula básica de improvisação a gente fala que não tem erro, tem que aceitar e tudo mais.


Mas a longo prazo a gente entende que tem escolhas para ser feitas né?


– Isso! Legal.


– E essas escolhas tem que ser pensadas, ou pelo menos articuladas interiormente.


Então acho muito importante dizer pra todo mundo que tá começando improvisação, não pense e aceite e não negue, mas isso, que a improvisação não tem erro. Mas isso, isso não é verdade a longo prazo.


Depois você vai ver que tem…


– BOMBA!


– Bomba, bomba… todo mundo aí que tá achando que improvisação é sem errar, não é assim que funciona, improvisação tem erro, mas a longo prazo!


Fica tranquilo!


Se você tá agora fazendo, não se preocupa vai aí no errando, mas eu acho que tem umas coisas de acordo, é, coisas claras de não entender, de não entendimento, de cancelar, bloquear…


Que são coisas que a gente estuda pra não acontecer né?


– BLOQUEAR?


– Bloquear! O que será bloquear?


MOMENTO VOCABULÁRIO DE IMPRO…


– B-L-O-Q-U-E-A-R!


– Bloqueio na improvisação é muito interessante. É quando alguém dá uma proposta e o outro improvisador por querer, ou sem querer, não ouve ou não segue a proposta dada pelo primeiro, ou seja, ele bloqueia a ideia do coleguinha.


– Vamos dar um exemplo?


– Vamos!


“ Oh, boa tarde senhor, bem-vindo a nossa loja de moveis. Essa é a nossa cadeira design feita pelo arquiteto… “


“MEU DEUS UM TUBARÃO ESTÁ ENTRANDO NESSE BARCO”


– Bloqueio!


– Eu bloqueei! HAHAHA


– Esse é o bloqueio non sense. Faz um bloqueio básico, tá?


– Bloqueio básico!


“Ah, bem-vindo a nossa loja de moveis, essa é a cadeira feito pelo arquiteto Ronald Defroes…”


“ Eu queria um número 1… “


“ Não, é uma loja de… de… “


“Mas eu não quero comprar… ”


“Mas aqui também não tem número 1… Obrigado”


– HOUVE BLOQUEIO! QUATRO BLOQUEIOS SEGUIDOS!


– De uma vez!


É quando a cena não acontece porque o outro não aceita a sua proposta e não cria junto com ela…


– EXATAMENTE!


(Musica)


Mas voltando, entendi…


Muito legal isso que você falou e…


– Então eu acho que o don’t think, só pra terminar, o NÃOPENSE, que é o que eles falam bastante, eu acho que é “Não julgue a sua ideia” mas a longo prazo eu acho que tem que, que é outro termo que os americanos usam muito que é o “topo da cabeça” né?


Que é você usar suas ideias no limite, você de fato entrar e tentar dar o seu melhor do que você conhece hoje, pra que a cena já fique lá em cima, comece lá no alto.


Não você fazer uma cena completamente preconceituosa, clichê…


Ou fazer uma cena onde você faz um vô que é burro, e não sabe nada e não ouve, esses são lugares legais, mas depois de um tempo eles falam pra você espremer as suas ideias e tentar fazer coisas boas improvisadas.


Como se você tivesse escolhendo fazer uma boa escolha e você trazer isso pro ao vivo.


Então você tentar fazer uma boa escolha, com um bom roteiro improvisado.


Então esse é o objetivo que eu acho que a gente tem que estar voltado, né? Quando fala de improvisação.


– Porque aí vai acontecendo, que é isso que o público dúvida. Quando o público fala “Nossa, mas não era, é tudo improviso mesmo”, na verdade traz um elogio por trás que ele quer dizer o quê?


“Nossa foi tão lega, foi tão bom que eu não acredito que vocês criaram na hora”


– Exatamente!


– Então acho que o que você tá falando, tem a ver com isso e eu tô te perguntando isso porque a gente já teve muito discussão interna com a Rena, com grandes improvisadores, Marcão, disse:


“Ah, mas você pensa demais” e uma época “É, realmente eu penso demais” e a Rena defendia…


“Mas improvisador tem que pensar também, não dá pra sair fazendo qualquer coisa”


– É, eu acho que é isso ai! É!


– Né? É isso aí. Porque quando a gente improvisa a primeira coisa que vem à cabeça é legal, mas pra você entender que não tem que julgar, que tem que deixar sair, tem que fazer a coisa…


Só que depois quando você vai, passa 5 anos né? Você vai entendendo “Opa, eu tenho escolhas pra fazer”, que nem você falou, eu achei isso muito legal.


E aí você vai fazer opções por escolhas que você acha mais inspiradoras e claro, o perigo disso mesmo pra gente é, tá no think to much, porque aí eu fico muito pensando…


“Não, não, acho que eu vou fazer isso, eu poderia fazer isso acho que eu vou fazer isso, ah eles estão nessa cena eu acho que eu vou….


E aí a gente entra no mental e o Johnson tem uma imagem que eu acho boa pra essa que é você improvisar é como você dirigir um carro na estrada.


Você vai dirigindo, você tá olhando pra estrada, você tá olhando pra frente, mas tem um retrovisor ali que você tem que saber um pouco do que tá acontecendo ali atrás porque você tá criando uma história, você tá criando uma dramaturgia, tá criando uma cena…


– É! Eu acho exatamente isso mesmo! Eu acho que essa discussão é do tititi do improviso, gente, essa discussão tem direto. Tipo “ Ah não tem que ter…”


Eu acho muito importante pras pessoas que tão aprendendo improvisação, porque o problema de quem vem, do aluno iniciante, você dá muito aula pra aluno iniciante é isso. Eles nem sabem que eles podem ter um fluxo de ideias, então é muito importante que saia.


E aí vai sair um monte de coisas estranhas, e não tem problema, o importante é que saiu.


– Isso!


Depois que você acostuma a sair ideias aí você pode começar a analisar. Porque que eu falei isso?


E aí vem a segunda parte, tipo escolher melhor a associação de palavras que é um exercício que a gente faz muito.


– Por exemplo… ROUPA!


– É, CABIDE!


– ARMÁRIO!


– MADEIRA!


– JESUS!


– PREGO!


– MARTELO!


– COMUNISMO!


– Você acabou de assistir um exercício de improviso. É associação de palavras… é verdade! É um tipo de exercício que dá pra você começar…


– Só que dá pra gente fazer esse exercício, exatamente esse mesmo exercício só que no outro lugar, que é tipo ir pra um, um lugar mais semântico…


Então a gente vai falar sobre a terceira associação, não a primeira associação, então são exercícios que os pensadores ou os “overthinkers” fazem muito, então eu vou falar cabide.


Ele vai falar “roupa”, eu vou falar “cabide emprego”, e aí você pode falar “política de educação” e ai eu vou falar “pobreza na África”.


Então a gente já tá levando pra assuntos ao invés de estar fazendo o exercício pequeno, que é extremamente importante no começo, pra você conseguir saber que você produz ideias e depois você falar que tipo de ideia você produz.


– Defina improviso num gesto…


– Num gesto? Aí vai ser muito mais fácil.


– Vai!


– UAU! Você que está ouvindo o podcast ele fez um gesto incrível, a gente vai publicar depois no BallasCast que é o grupo de improviso, pra você aprender através…


Tem gente que é mais sensorial, imagético, então…


– Exatamente.


Mas é importante estar no podcast né? Essa coisa mais sensorial e imagética… entendi!


– Exatamente. Podiquético!


É isso aí Dani.


Muito obrigado.


Semana que vem a gente continua essa entrevista.


Então thank you for now!


Fim do episódio.


(Musica)


Muito bem, muito bem, muito bem chegamos ao final de mais um episódio (AAAHHH), mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH).


E se você quiser fazer parte do BallasCast que é um grupo que a gente tem no Facebook, onde eu coloco alguns conteúdos exclusivos, vou colocar provavelmente alguma coisa a mais do Dani lá pra você dar uma olhadinha…


Entra lá, essa entrevista foi filmada também, em breve no meu canal no YouTube, então se você quiser já pode se inscrever lá Márcio Ballas – com dois eles – e sendo assim vamos ao nosso momento merchand…


(Musica)


“ Marcio, eu queria ter umas aulas de improviso assim, pra fazer essas coisas que você e o Dani fazem, como é que eu faço hein? “.


É fácil. Basta você ir na casa do humor que tem cursos de improviso, stand up e palhaço, agora em julho, cursos de férias e depois os regulares que vão de agosto a novembro.


www.casadohumor.com.br


É isso aí.


Nós ficamos por aqui.


E você fica por aí.


Thank you very much.


Msjfasj l.fcoaheghçoue bgceabner


Wfçxçhfxnbarbixasw,flçkq ojg


See you later…


Bye bye.


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