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BallasCast – Episódio 34 – Entrevista com Daniel Nascimento (Parte 1)

EPISÓDIO 34 – ENTREVISTA COM DANIEL NASCIMENTO (PARTE 1).


Senhoras e senhores, ladies and geeeeeeeeeeeeeeeeeeeeentlemans, madames et messieurs, raposos e raposas, sejam bem vindos ao…


BALLASCAST.


MÚSICAAA.


Olá, olá, olá, seja muito bem-vindo ao BallasCast, é um prazer inesorbitável estar com você novamente, hoje no áudio e também no vídeo e continuando a série de entrevistas, temos hoje ele, diretamente da Cia. Barbixas de Humor, nada mais, nada menos do que Daniel Nascimento.


(Palmas)


ENTREVISTA COM DANIEL NASCIMENTO – DO IMPROVÁVEL (PARTE 1).


Dani Nascimento eu quero começar lembrando uma coisa que eu não lembro direito porque eu sou mais velho que você.


– Ah não sei quanto… Você é muito mais também.


– Eu tenho 45!


– 45?


– Você tem?


– Eu vou fazer 35.


– Você já fez 30…


– Eu já passei dos 30.


– Você já passou dos 30…


– Juro! Respeite ao menos os meus cabelos brancos!


– Gente! Quando eu conheci o Dani ele era tipo, assim óóó… Juro.


– Eu tava muito pequeno, eu tinha acabado de sair o que? Da escola…


– Da faculdade, você fazia faculdade!


– Fazia faculdade!


– E você teve um dia me ligou pra fazer, como é que foi o nosso encontro…


– Nosso primeiro encontro eu estava, quando você me convidou pra essa entrevista eu tentei lembrar, porque eu achei que ia ser muito sobre isso, tipo Faustão moments, trilha sonora, tô esperando até agora a banda, não sei onde tá…


– Segura a mãe dele! Vai ter um momento, é…


– Vai entrar a mãe, essas coisas, vó falando e tal, mas foi, eu fazia um trabalho em hospital, eu fazia clown em hospital, eu tava fazendo há sete anos já.


E você era um dos instrutores voluntários, você foi convidado pra fazer um curso específico, um workshop específico de uma coisa que você fazia, que era o hospital…


O palhaço no hospital! E você deu esse curso pro Operação Arco Íris


Operação Arco Íris, que eu fiz…


– Que era o que eu fazia parte, que era uma ONG voluntária e você, junto com o Ézio, junto com o ?? e junto com um monte de clowns incríveis dava cursos gratuitos, com ênfase em hospital.


– Gratuito, é…


– Pelo menos me falavam que eram gratuitos, eu não pagava, eu não sei se a ONG pagava, mas eu tenho certeza que era simbólico porque era isso, eles ajudavam mesmo.


– Sei, sei, era! Tô brincando! Mas era legal!


– Eles ajudavam mesmo!


E aí eu fiz esse curso e o Ballas devia receber muito esse tipo de feedback “Não, eu tô fazendo teatro, posso pegar o seu contato? ”e ele fez “Não, tá, pega aí o meu e-mail” e aí eu peguei o e-mail, peguei o contato e liguei pra ele quando a gente decidiu fazer o Improvável.


– Ligou?


– Só que eu liguei, essa história eu conto até hoje porque eu acho muito interessante como o mundo é maluco, eu tinha dois telefones, do Esio Magalhães, que é um clown incrível e do Marcio Ballas que é esse cara.


Eu liguei pro Esio primeiro…


– Primeiro?


– E deu caixa postal!


– Nossa, a famosa caixa postal!


– Aí eu liguei pra Marcio Ballas


– Nossa…


– E ele paga direitinho o celular dele e aí ele atendeu e aí a gente começou a trabalhar com o Ballas, o Improvável.


– UAU, eu não sabia disso!


– E depois eu contei isso pro Esio e o Esio falou “Ainda bem que deu caixa postal, porque eu não conseguiria fazer o que vocês queriam” …


– Olha!

– O que vocês fazem, não é…


– Não é a expertise dele!


– Não é a minha expertise.


O destino ter chegado no Ballas tem muito mais a ver do que se você tivesse feito o curso comigo, você ia dar uma volta muito grande pra chegar no Ballas de novo.


– UAU! Você não tem que agradecer a mim, você tem que agradecer a BCP que era minha operadora na época…


– Sério, a BCP?


– Juro.


– Que legal! Ela fez esse encontro acontecer!


Ballas Company Production.


É verdade, chamava BCP, pra você que é mais jovem…


– Chamava mesmo… É verdade tinha a BCP.


– Chamava mesmo. Agora um passo atrás, você além de fazer o palhaço em hospital.


Você gostava muito do “Whose Line is it Anyway? ”, que era um programa de improviso na TV e vocês queriam fazer uma coisa parecida com isso…


– Exatamente.


– É isso?


– Exatamente, a gente na verdade tem um grupo chamado Barbixas que não é um grupo, é um trio, que faz comédia… A gente faz entretenimento, né? Festa de 15 anos, Bar Mitzvá


– Mas vocês já faziam, vocês já eram um grupo na época em que vocês se encontravam na escola?


– Sim! Só que a gente não fazia improviso.


A gente tinha a cada seis meses uma pauta no antigo teatro da escola que a gente estudou. A cada seis meses a gente tinha que fazer um teatro, uma peça né?


E a gente, gostava de fazer comédia…


A gente fazia, escrevia comédia, a gente traduzia comédia pra representar, os nossos ídolos.


Eu traduzia Month Payton, eu traduzia os caras que gostava e a gente apresentava no palco, porcamente, e aí a gente começou assim o nosso trabalho.


Aí um dia o Andy viu esse Whose Line, que eu não conhecia, eu achava legal, tava fazendo rádio e TV na época e eu tinha certeza que era combinado.


E todo mundo que é da TV sabe que é combinado…


E aí o Andy falou “Não eu acho que é improvisado e tal”.


E aí naquela época eu já tava fazendo acho que uns seis anos o trabalho em hospital, e aí o Andy falou, a gente teve uma pauta no teatro “Vamos fazer um Whose Line nosso? ”.


Aí eu falei “Vamos, mas se a gente vai fazer, então é bom pelo menos a gente aprender”.


– Saber o que que é..


– O que que é… Aí foi que eu fiz os telefonemas…


– Aí onde você já tinha assistido “Jogando no Quintal” que a gente fazia?


– Não, não tinha assistido “Jogando no Quintal”.


– Vocês nunca tinham visto ao vivo improviso?


– Nunca tinha ouvido falar, tinha visto Whose Line e só…


– E só?


– …hospital e tinha visto o mais próximo que eu tinha visto de improviso era o Midnight Clown, que era o cabaré dos palhaços que fazia as visitas em hospitais dos Doutores da Alegria


Doutores


– Então os Doutores da Alegria tinham esse cabaré e é o que eu conhecia de improviso, que na verdade não é o improviso que a gente faz hoje.


Esse encontro de palhaços do momento pra tentar reproduzir esquetes.


Que era o que eu conhecia de improviso.


– Aí você me chamou a gente fez um curso pequeno com você, os Barbixas e mais uns convidados, o Tomé, uns cara do AGB.


– É. A gente tinha um grupo também que na época, tinha os Barbixas e tinha os amigos que faziam comedia que a gente achava que tinha a ver na época.


Que era do AGB, que virou só GB, pra valer a pena também, porque, pra que você não ter só três né?


E a gente fechou duas aulas, a gente fechou duas aulas.


Eu lembro que a gente queria tentar fazer as duas antes do primeiro Improváveis e a gente não conseguiu. Aí você tava com uma agenda muito complicada na época, a gente fez uma aula só..


-UAU.


– Fez o espetáculo, aí a gente gravou tudo, e aí a gente sentou um dia com você e você ficou assistindo o vídeo e ficou falando, antes da segunda aula você ficou falando “Então…”


– HAHAHA!


– “Vocês podiam ter aceitado” e aí a cena ia pro outro lado “vocês podiam ter feito outro personagem”, porque aí você começou a ver muito calmamente, começou a chochar.


Professor, estilo professor falando “não, olha, tem um caminho por aqui” e tal.


– O que eu me lembro é de exatamente a gente assistir que era uma coisa que a gente fazia no Jogando no Quintal, que era assistir, comentar e tal.


E ficar um pouco desesperado porque claro, não por nada, vocês eram novos, iniciantes, mas tem uma coisa que eu lembro que vocês chamavam que me irritava muito que era, vocês chamavam de brincadeira.


“Ah vamos fazer agora mais uma brincadeira”.


E eu… não gente, não é brincadeira.


Tal, e aí, isso foi, foi pegando…


– Isso ficou, a gente entendeu isso na época, porque a gente tinha isso, a gente não sabia o que era isso…


O mestre de cerimonias falava sozinho, era o Rafinha na época, né?


Ele falava brincadeira porque pra gente na época era isso, aí depois a gente começou a ver que o jogo, brincadeira, tem uma diferença né?


O que faz no acampamento e o que faz no palco.


– É! Exatamente.


– E aí quando alguém fala brincadeira a gente corrige hoje, principalmente no Improvável.


– Isso tem dez anos… Eu vou dar um salto, quântico, pra hoje.


Você hoje, se alguém fala “ Dani o quê que você faz? ”. Alguém que não te conhece.


O cara, ah, ou quando você vai passear lá em Nova Iorque um tempo “ Ah, what’s your profession,  what’s your job? ”, que que você responde?


– Nossa é uma boa pergunta, a gente já teve uma discussão uma vez…


– Já!


– Que que a gente põe no hotel né?


– Exatamente!


– O que que você preenche na pergunta?


– Aí você fica tipo, ahhhh…


Eu já coloquei radialista, porque eu sou formado nisso, mas eu não sei se eu trabalho mais com isso né?


Eu acho que ficou meio romântico escrever radialista, vou começar, vou voltar a escrever radialista.


Já escrevi ator, mas eu nunca escrevi improvisador.


– Não?


– Muito louco isso né? O que eu faço há dez anos, mas eu nunca escrevi no hotel, na profissão, improvisador.


– UAU.


Why not?


Why not, eu vou ter que fazer…


– Análise…


– Hoje saindo daqui eu vou ter que fazer terapia, se alguém tem uma dica de terapia, por favor, manda pra mim, porque eu tô precisando.


– Eu sei um pouco por que… humildemente.


– Fale que eu quero muito saber!


– Não, não! Eu acho né?


Eu acho que você tem uma coisa interessante, que você, como você é roteirista, é comediante, é muito da comedia e o improviso chegou depois de muitos anos, agora não obviamente, porque você já faz há muitos mesmo, mas durante muitos anos você falava, já quando fazia muito tempo que você fazia, “Não, não, essas coisas de improviso eu faço mas assim, eu sou”…


Não por mal, mas por achar que você, que eu acho que você é um cara humilde no sentido de achar que é menos melhor…


Porque eu acho que as pessoas, tem três tipos de pessoa.


A que acha pior do que ela é…


A que sabe o tamanho que ela é…


E a que acha que é maior do que ela é.


E acho que você é dessas que não, é mais assim…


Então eu acho que muito tempo, é interessante isso, você falava “Não, não, eu sou da comedia, a gente faz esquetes, eu sei fazer isso…”.


Porque é sua expertise original, é? Então…


– É! Exatamente! Pode ser isso mesmo, porque de verdade, o palco, é muito acidental. A gente escrevia mesmo, eu fui fazer, quando eu fui fazer Rádio e TV, eu não fui fazer Artes Cênicas, eu fui fazer Rádio e TV, então eu tô ligado mais em como adaptar pro vídeo, esse tipo de coisa, mas a gente tava no palco o trio funcionava, e eu acabei tendo que aprender, e eu lembro o quanto era difícil pra mim entender conceitos básicos de improviso


– Tipo o quê?


– Aceitação, de estar no momento, depois que eu fui entendendo de, o commitment, que eles falam muito no americano que eu uso. O comprometimento em português não tem muito esse nome né?


Mas seria você, seria o acreditar demais naquilo que você tá fazendo.


Eu vejo quando tem os nossos amigos que são improvisadores e atores, a velocidade com que eles topam uma emoção, não é a velocidade que nem eu nem o Andy nem vocês topam…


– Sim.


– A gente tem um tempo de brincar de criar, enquanto eles são atores, improvisadores.


Então se eles falarem “Você tá triste” eles PÁ, eles viram triste na hora.


Então isso é uma coisa que eu falo “Meu, eu não posso falar que eu faço isso, eu posso falar que eu encosto no improviso, na minha comédia”.


Mas eu vejo os improvisadores aí, quando eu fui ver lá fora os amigos, nossos amigos latinos, você vê a força com que os caras improvisam, como eles articulam a cena, como eles inclinam a cena, como eles fazem umas coisas que você fala “Meu Deus do céu! Eles estão muito rápidos”, e tão muito comprometidos com a cena.


Eu não vejo tanto isso no meu trabalho, eu acho que a gente se diverte, consegue fazer umas coisas, tiradas inteligentes, mas meu, umas peças mesmo assim?


A galera improvisando de verdade, é muito louco ver.


– Você acha que você não faz de verdade? Você acha que eles…


– É muito louco isso… A gente tava discutindo isso no camarim, eterno né?


Quando a gente fala “eu fui ver uma peça semana passada”, aí o outro improvisador fala “teatro, teatro”…


– É! Mas eu vou te falar uma coisa que eu aprendi depois de muito tempo também, porque quando eu conheci os caras, os gringos que faziam, a mesma coisa…


A gente era palhaço que fazia improviso, a gente não era improvisador.


Quando a gente viu eles a gente falou


“Nossa, os caras fazem…” tal, tal, tal.


Agora eles, muitas vezes, muito tempo, davam o feedback inverso pra gente, falando “nossa, a gente queria se divertir como vocês no palco, mas a gente não consegue, nossa, como vocês fazem um espetáculo de três horas”


Por que eles viram o Jogando né?


“ Como é que vocês fazem pra manter a energia lá em cima? ”.


Então o que eu entendi é que tem os tipos de improviso e os tipos de improvisador.


Cada um com sua maestria, cada um com a sua expertise.


E normalmente você quer, você almeja o outro, eu sou que nem você, eu vejo os caras puta ator, eu queria fazer isso aí, eu faço o mesmo personagem e é tudo Marcio Ballas.


(Música)


– Mas aí eu acabei entendendo esse caminho, e eu acho que tem os exercícios de ator, que a gente usa no improviso, pra criar e tem os exercícios de escrita, que a gente usa no improviso, pra criar história.


Então eu comecei a me ligar mais com esse de desenvolver dramaturgia que o Omar inclusive, mestre de absolutamente todas as pessoas do mundo, fala das cinco pessoas que estão dentro do improvisador, que é o diretor, o ator, o dramaturgo e o escritor e o quinto que eu não lembro agora…


– Olha só! Na minha cabeça eram três, o ator, o autor e o diretor…


Então tem mais duas.


– Ele separa, porque tem o dramaturgo no sentido de pensar na história e de como contar essa história, não adianta só pensar na história e sim como você encaixa ela.


Eu acho que eu gosto muito de pensar na história, nos rumos que ela leva e eu acho que isso tem muito a ver com escrita que é o que eu gosto de fazer.


E também de dramaturgia, que é como eu gosto de apresentar, que é como você revela uma piada, isso é uma coisa que me traz muito hoje, porque quando a gente fala da piada zero a gente faz muito disso hoje.


O vocabulário de…


– O quê que é piada zero? Boa! Vamos lá…


– Piada zero! Você que não sabe o que …. MOOMENTO…


– MOMENTO LEIGO!


– Vocabulário de improvisadores dos comediantes pra você é completamente inútil isso, mas você está aprendendo um negócio hoje. A gente chama de piada zero aquela piada que todo mundo pensa, então cai na mesma, todo mundo vai ter a mesma ideia que a gente chama de piada zero, que a gente acha que todo mundo vai ter.


Aí na hora que chega essa piada, a gente tá fazendo a muito tempo isso, então a gente tem várias maneiras de atacar essa piada, ou de revelar ela.


Então isso é que é uma coisa que me interessa, principalmente nas cenas do Improváveis, quando a gente vai fazer uma sugestão de cena e a gente pensa numa ideia, como que a gente não conta ela do ponto de vista, do interlocutor, ou do cara que tá reparando na cena que tá acontecendo, ou lê uma notícia de uma coisa que aconteceu.


Tem várias maneiras de você contar a mesma piada.


– Queria um exemplo prático esse eu achei muito legal. Até pra mim, me interessa.


Que passa na sua cabeça quando vem uma sugestão de cenas, por exemplo, quais são as, por exemplo, conversas entre milhos no milharal, que pensamentos vem?


Tipo revela, abre sua cabeça no que você tá pensando agora…


– Agora eu tô pensando na primeira ideia que é…


Porque você tá muito ligado na nossa base de conhecimento de improvisação, deu pra ver, trocadilho…


– Trocadilho.


– E aí a gente já chama isso de trocadilho Marcio Ballas, tem um…


– VOCABULÁRIO DE IMPROVISADOR…


– Eu pensei num trocadilho Marcio Ballas, então tipo…


Cara você tá muito mal… É, ontem eu tava mió.


– Tipo, um trocadilho de milho, porque faz isso…


– Tá!


– A gente inclusive, acho que tem essa no Improvável, que o Andy vai pra frente e ele começa a ficar muito irritado e aí ele faz PAN… casei.


E aí tipo, ele cai no juntar outro inverso.


Mas a gente pode falar quando o milho tá sendo colhido.


Então eu já fico pensando num cara que tá colhendo um milho, então você já desloca da ação.


Eles não tão conversando no milho tranquilo, já estão separados no micro-ondas…


Ou estão sendo pegos por um cara.


Aí ele faz… Eu te falei que Deus não era amarelo


Tipo, eles acham que Deus é amarelo, blá, blá, blá…


– Sei.


– Então você já começa a deslocar o, você põe essa conversa em outros lugares…


– Legal!


– Que era uma coisa também que a gente estudava muito como começar a mesma cena…


– E isso é uma coisa, que eu tô perguntando, porque me interessa, porque eu acho que isso é uma coisa que é menos do improviso no sentido de que até esse jogo, não é um jogo que os improvisadores do mundo fazem muito.


É um jogo até mais de comediante, acho inclusive, que é um dos melhores jogos que vocês fazem e a gente que faz improviso, digamos, que não veio da comédia direto, tinha até, eu acho que com o tempo a gente foi entendendo pra entender essas logicas…


Porque pra gente o improviso é criar histórias, criar uma cena…


Então o milho é o tema? Beleza!


Vai tá um cara no milharal, vai ouvir o outro e falar…


Ah escuta eu queria comprar uns milhos!


Aí vem o terceiro…


Um vai ser o milho né? Que é do clown.


– Isso.


– Esse é nosso universo, agora quando você tem que construir uma piada aí é interessantíssimo porque a gente vai buscando os universos…


Ah, poxa! Então vários milhos juntos.


Como seria uma reunião de milhos?


Ah, da onde que vem, quem seria o deus dos milhos?


– Exatamente!


– Que que vem antes do milho, ah a pipoca… putz, o que eu poderia fazer com pipoca? E antes da pipoca? O pipoqueiro, então…


O universo vai aparecendo a partir daí né?


– Exatamente, e do mesmo jeito que os usa motores no improviso pra começar uma cena…


– Motores?


– MOTORES! Está na hora do momento… VOCABULÁRIO DE IMPROOOO…


Motores é um termo latino americano usado pra começar uma cena, você pode usar o que eles chama de motor verbal que é começar uma cena falando…


– Olá, tudo bem?


– Ou o motor físico, começar uma cena com uma ação.


Ou o motor emocional, começar uma cena com o motor emoção…


– Ah meu Deus, eu tô muito triste mãe!


– E é assim que eles chamam de motores, esse foi mais um momento… VOCABULÁRIO DE IMPRO…


Então a gente pode dizer das cenas do Improváveis também…


Então tem vários tipos de contar piada.


Então a gente pode fazer piada de humor negro, a gente pode fazer piadas de trocadilho… Então você pega um tema e também você pode usar piadas non sense.


A gente fala piada de performances, que as vezes é uma piada simplesmente porque foi executada engraçada…


Então o que a gente aprendeu muito com você também foi o de incorporar, incorporar um objeto inanimado, talvez até por conta do Lecoq, eu nem sei de onde veio isso seu…


Mas eu lembro que isso era muito forte, tipo…


Vai, faz corpo, vai fazer…


Então a gente hoje faz uma espiga de milho…


– Sei. Do ponto de vista do objeto…


– Exatamente. Então isso é um jeito também de pensar a piada, e lá a gente pensa uma  cena ou humanizar o milho, então a gente pega um milho e põe ele vendo TV…


– Falando…


– É, ele tá vendo filmes do popcorn time e ele tá…


– Ai, milho e uma noite de amor com você…


– Exatamente! Isso é Marcio Ballas! Gente!


(Palmas)


Ah o BallasCast termina aqui (AAAHHH) mas segunda feira que vem tem mais (EEEHHH)…


E a continuação dessa entrevista você assiste na semana que vem. Se você quiser fazer parte do BallasCast, que é um grupo que a gente tem no Facebook, com conteúdos exclusivos…


Eu vou colocar mais algumas coisas do Dani lá. Algumas coisas dessa entrevista que a gente filmou.


E agora assista o momento improviso Marcio Ballas e Daniel Nascimento.


Now. For You.


– Estamos chegando no final…


– E o BallasCast é sensacional.


Muitas câmeras e muita luz…


– E a minha espinha tá soltando um pus…


Mas semana que vem a gente se vê de novo…


– E vamos todos ficar brancos, como uma casca de ovo.


E isso nos trará mais nossa percepção…


– Porque realmente a gente tem amor no coração…


Eu sempre me lembro nesse momento de Quéops…


– Eu na rima digo Ops…


E para o meu amigo Ballas só penso no futuro, no presente e no past…


– E esse foi mais um BallasCast!


– Rimou no final… Caralho… Porra… Podia fazer improviso.


– Eu pensei nisso! A gente podia falar disso


– Eu tenho um cartão…


– Você tem cartão? Você usa cartão?


– Eu tenho, eu tenho!


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