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BallasCast – Episódio 47 – Anderson Bizzocchi – Barbixas (Parte 4)

EPISÓDIO 47 – ANDERSON BIZZOCCHI - BARBIXAS (PARTE 4).


Senhoras e senhores, ladies and geeeeeeeeeeeeeeeentlemans, madames et messieurs, cientistas e cientistos, está começando mais um…


BALLASCAST…


MÚSICAAA…


Olá, olá, olá, seja infindavelmente bem-vindo ao BallasCast, pra você que tá chegando pela primeira vez, welcome, e pra você que não esta chegando, welcome back…


Saiba que esse podcast eu comecei contando as minhas histórias pessoais, começando as histórias dos Palhaços Sem Fronteiras, dos Doutores da Alegria, do Jogando no Quintal, do início do improviso no Brasil, episódio de improviso, de palhaço, e agora estou nessa fase de entrevista…e hoje vamos continuar com a entrevista com ele que é Anderson Bizzocchi.


Ele é da Cia. Barbixas de Humor, mais de 700 milhões de views na internet, 10 anos em cartaz, milhares de espetáculos pelo Brasil, e hoje ao vivo, no podcast, Anderson Bizzocchi… PALMAS!!!


(Música)


 – Você gosta de “troca”?


– Gosto!


– Troca!


– Eu não gosto mais!


– Troca!


– Tenho dificuldade em aceitá-lo de volta no set list dos jogos…


– Olha só, eu saber disso que é o que o público mais gosta, eu gosto até hoje, as vezes eu jogo com eles… “Ai, troca tem que fazer”


– Eu gosto! Eu gosto do “troca”, eu gosto do “troca”, mas é… A gente tem um limite de tempo num espetáculo, e aí chega uma hora que a gente tem que abrir mão…


– De alguma coisa!


– De alguma coisa! E a gente vai estudando novos jogos e querendo fazer novas coisas, alguém tem que sair…


– Alguém tem que sair!


– Então, o único que eu acho que permanece até hoje é o Cenas.


Cenas Improváveis, vamos falar desse porque eu queria saber o que passa na sua cabeça no Cenas Improváveis, especificamente, nesse jogo.


– Tá!


– Porque é uma curiosidade que eu tenho…


– Dentro das ramificações dele né? Porque as vezes as pessoas perguntam né?


– Sim, sim! Eu vou te dar um exemplo pra ver se você explicitar o que passa na sua cabeça. Porquê? Porque o que o público não sabe, mesmo a gente não sabe que a gente, quer dizer, a gente imagina, eu te conheço bem eu posso supor, mas assim, cada improvisador tem um tipo de raciocínio, um tipo de pensamento, e passam muitas coisas na nossa cabeça durante o jogo, durante a proposta. Eu queria que você me, pra gente descortinar, abrir… BUM… Abrir sua cabeça, eu vou te falar “Cenas improváveis, por exemplo, O PIOR ELETRICISTA DO MUNDO”… Quando vem esse DUM… Vai me falando o que se passa na sua cabeça de possibilidades, antes de você escolher uma…


– Hum, a primeira coisa que eu penso é o que o eletricista faz quando chega na casa então, mas esse pensamento é muito rápido, então já falo…


– Fala dele rápido, tipo…


– Primeiro o eletricista, o eletricista rápido, ele abre a caixa, a caixa de voltagem… A caixa de voltagem me remete de repente a alguma coisa, tipo o que que posso encontrar lá não sei…


– Isso, isso, isso…


– Então as vezes eu falo assim ” Se a senhora quiser eu já instalo um refrigerador aqui também, aí a senhora já vê a luz”…


– Legal… Mais, mais, mais!


– Tipo “A senhora não tá afim de… Já tá com nove meses, vai dar a luz!” Aí um trocadilho com a eletricidade.


– Sei, trocadilho, que mais? Diga!


– Aí vai muito talvez do repertório pessoal…


– Sim, nem importa a piada, o que eu tô perguntando, tô falando de pensamento.


– Sim… O repertório pessoal, não exatamente eu vou falar algo que aconteceu, mas eu vou desvirtuar um personagem que eu conheci, pra criar um modo de falar, e nisso fazer, engraçado, eu tô gaguejando mais…


– Sim.


– Porque isso foi um estímulo e o meu cérebro não parou…


– Tá pensando, tá pensando! Que mais, que mais, o que eu quero saber nem é a paint line, mas assim, “Eu poderia fazer, eu poderia ir pra esse lado, esse caminho, o que se passa com esse eletricista, coisas, o pior do mundo, eletricista do mundo”


– Eletricista, um que não resolve, o que não resolve o problema então como eu vou fazer ele não resolver o problema de uma forma…


– Legal!


Non sense


– Que mais?


– Eu vou pra uma emoção, um eletricista, e aí cria uma emoção absurda, como você espera que seja o eletricista e inverto…


– Legal!


– E aí trabalha uma teoria, uma teoria de humor totalmente, você trabalha uma inversão.


– Legal!


– Aí você trabalha numa inversão, você trabalha num aumentativo, num diminutivo…


– Legal…


– Você trabalha numa coisa… Num procedimento do eletricista…


– Legal…


– Então o eletricista ele faz o que? Ele vai concertar, ele vai ter o aspecto de segurança… Então eu mexo no cara de segurança, aí trabalho com emoções das pessoas, porque que as pessoas têm medo de eletricidade? Então eu trabalho nisso, a aflição…


– Aham…


– Então, e isso eu não tô nem preparando, acionando um livirinho…


– Sim!


– Eu tô vendo agora…


– Sim!


– O que que eu faria? Aflição! Então eu faria uma coisa que as pessoas teriam aflição, e aí uma reação na plateia que eu espero ter, então de repente fazer uma piada que as pessoas falam ao invés de rir façam “AAAHHH”, tipo isso.


– Sim, sim!


– Hm, trabalhar com um eletricista freak, que eletricista você teria medo…


– Sei!


– E aí então volta na questão de emoção. Então eu trabalho as emoções de o que faria um eletricista, você fazer uma pessoa alegre, uma pessoa triste, uma pessoa freak


– Legal!


– E por aí vai abrindo um leque de possibilidades.


– E isso é muito louco, porque é muito legal de ouvir o que passa na sua cabeça, porque isso tudo, saiba você caro ouvinte, caro visualizador, passa em milésimos de segundos. Você que conhece… Todo mundo conhece o Cenas Improváveis, esse tempo, e o Andy é o primeiro a sair normalmente, então esse tempo, ele faz…. Achei uma “BUM”… Ele vai lá e faz… E nisso ela já tá voltando… E cada um dos improvisadores tem modus operandis, por isso é muito legal o Dani responder na minha cabeça, como eu gosto de trocadilho “Ai como eu gosto de trocadilho…”, não, na minha cabeça eu já penso… Voltagem… Volts… Ah como é que eu volts? E você volts?


– Hahahaha


– E como é que você wats, eu volts… Na minha cabeça já vem isso, isso e isso. Depois que acabou todos os trocadilhos…


– Mas é engraçado, você falando isso agora me, me gerou uma… Me gerou um personagem…


– Aham…


– Tipo assim, qual o pior eletricista do mundo? É aquele que quer fazer o trocadilho com o cliente!


– Sei…


– Então aí eu chamaria e falaria pro Elidio, faz uma cara de eu não acredito! Ou então de repente falar assim… Eu iria pra frente, chamaria e falava pro Elidio, faz uma cara de idiota e eu falo “Wats going on?” Ele forçaria, e pro Elidio fazer uma cara de “ai caramba”…


– Hm, meu Deus!


– Tipo, você não queria ter essa pessoa como eletricista, falar “Ai meu Deus! Seu Zé de novo tá fazendo isso…


– É, isso é muito legal, porque isso gera as vezes no outro alguma coisa… Eu abro uma janela aqui, aí o outro vai lá e fala “Não, pode deixar que eu volts com você”


– É! Aí gera, por exemplo, se ele faz isso eu falo “putz, eu nunca tinha pensado em volts”, aí isso abre um outro caminho… Volts, voltagem, 110, 220, “Vou instalar 330 aqui”, não, não, não, vai que né?  Sobre essa coisa do raciocínio, teve um exercício que o Gustavo Miranda passou, Gustavo Miranda é um dos convidados do Improváveis, um improvisador da Colômbia, ele passou pra gente um exercício que ele depois ele apelidou de “O Jogo do Andy”, que é uma dinâmica e que eu descobri, quando ele passou, eu falei, aí eu descobri “gente, eu sou louco”. Eu faço isso desde criança sozinho, que é uma livre associação de pensamento, você deixa solto, então você fala qualquer palavra, qualquer palavra…


– BEXIGA!


– Bexiga… E aí eu, você começa, só que você… você começa aqui só que todo mundo meio que faz isso, só que talvez, em velocidades diferentes… Então pra mim eu falo bexiga… Bexiga me lembra aniversário pra você comer bolo, a menina me deu um bolo, eu combinei com ela três horas da tarde e ela não marcou, não foi… Aí fiquei no bolo lá e fiquei tomando só café, e café me dá uma coisa, uma aretmia, e eu fico aretmando e tal, o meu vô morreu de aritmia, ele morreu de ataque cardíaco, deu ataque cardíaco tal, ele faleceu e foi pro hospital, e hospital eu odeio porque eu fiz uma operação de cero assim, que tinha que fazer uma operação, e eu odeio operação, operação lava jato tá rolando eu vi hoje no jornal em que se teve, mais três caras foram presos e tudo mais e aí você tem intestino preso você toma um negócio, iogurte, iogurte você toma pra liberar um pouco o intestino grosso, delgado, salgado, Salgado Filho, aquele cara fotógrafo, que tira foto, você varia a questão do shut, shut fuck up, então é uma coisa de inglês, os xingamentos que você vê se uma pessoa ficar muito nervosa ela fala what the fuck is going on? WTF… WTF que era a antiga da World Taekwondo Federation, eu luto Taekwondo, eu lutava Taekwondo e fazia tipo WTF, STF… Federation, STF, Supremo Tribunal Federal que o Gilmar Mendes está metido em polêmica, e a polêmica se fala “Ah, Twitter, polêmica, #”, # que é o joguinho da velha, jogo da velha se você tá no telefone, antes você falava só jogo da velha eu perdia, se você não fecha a bolinha e o xis, você perde!


– E a bolinha é o formato de uma… – Formato de uma…


– Be…


– Xiga!


(Música)


– No Jogando eu me lembro, quando tinha o Cris, que era… A formação dele ela a nova dança, ele era físico, a gente tinha aquele jogo dos Dez Segundos, que você tinha um título e tinha que fazer em 10 segundos, então o público dava um título, sei lá, fala um título…


– Ah, Manteiga!


– Manteiga! Eu falei “Cris o que você pensa?” porque ele falou, ele um dia me perguntou “Ballas, que que você pensa?”. Putz manteiga, nesses milésimos de segundo que eu ouço, até o juiz dar o apito, que é muito pequeno, eu penso, manteiga, um pote de manteiga, eu poderia ser a manteiga, vou fazer a manteiga derretendo, hm, eu poderia fazer um trocadilho com manteiga, margarina, família feliz, eu vou fazer a família feliz, eu vou fazer uma família diferente feliz, eu vou fazer a mãe-tega…


– O nome de uma manteiga.


– O nome de uma manteiga… Aí eu escolho uma e eu faço, e aí tal, tal, tal, tal, tal, tal… Eu quero comer Doriana, e faço. Ele falou “Nossa, você pensa tudo isso? Eu falei “Como é que você?”, ele falou “A manteiga, eu penso manteiga, o meu corpo e eu começo a fazer como uma manteiga e eu vou vendo que que acontece…”


– Que legal!


– E às vezes ele fazia coisas que eram incríveis…


– Muito bom, muito bom!


– E aí é um tipo de pensamento que é muito diferente, então esses são os diferentes tipos de improvisadores de cabeças, e claro, com o tempo de improviso, né? Que era o que axontecia, você tá falando no início de você e dos Barbixas… Vocês queriam fazer piada, piada, piada… Depois entenderam que não precisa fazer piada o tempo todo…


– Sim!


– Depois vocês entenderam, é legal criar historinha, uma cena é legal com história, um troca não é só ficar falando troca, não, o legal do troca é quando você tem uma história e além disso tem uma mecânica dentro né? E é aí que a coisa vai andando, que a coisa vai acontecendo.


– É, exato!  Você vai se achando com o tempo né? Você vai achando qual é a sua característica, e no início foi muito bom todos os tipos de aprendizado que a gente… Os workshops que a gente fez, as escolas que a gente frequentou.


– Referências! Três pessoas de comédia que você acha foda no mundo, fora Brasil, no mundo…


– Mundo! Michel Courtemanche, que me influenciou, Courtemanche é um mímico canadense… Eu falei dois no começo, eu acho que o Jim Carrey e o Robin Williams.


–  Jim Carrey e o Robin Williams, é verdade, você tinha falado!


– São duas pessoas que tipo até hoje eu assisto, e acho que dos mais atuais…


– Isso!


– Dos mais atuais gosto muito do Louis C.K.


– Ah Louis C.K….


– E nem é minha praia, é stand up. Vou dizer atual, mas acho que é um cara extremamente completo que é o Wayne Brady do Whose Line


– Ah Wayne Brady, gênio!


– Tipo, pra mim ele é gênio, os outros são piadistas, mas Wayne pra mim ele é genial, ele canta, inclusive ele está num musical que eu adoro, ele tá agora no Hamilton, não sei se você já ouviu falar.


– Não!


Hamilton é um musical dos EUA que tá bombando, você não acha ingresso, é sobre um dos Founding Fathers, dos fundadores da América, e é uma quebra do musical clássico, que eles fazem hip hop, então são quatro negões, fazendo os quatro Founding Fathers… Já é uma quebra maravilhosa isso, os quatro branquelos sendo interpretados por quatro negões fazendo hip hop, e muito, muito, muito bom. E tem uma frase desse musical, têm duas frases que estão me guiando atualmente.


– Opa! A primeira…


– A primeira é justamente parecida com a sua pergunta que é… Em inglês é THERE’S A MILLION THINGS I HAVEN’T DONE. JUST YOU WAIT… Tipo, HÁ MUITAS, MILHARES DE COISAS QUE EU NÃO FIZ AINDA… Da música tema, que é do Alex Hamilton, que era um cara megalomaníaco e queria fazer muita coisa…


– A frase de novo inglês…


– THERE’S A MILLION THINGS I HAVEN’T DONE. BUT JUST YOU WAIT…


THERE’S A MILLION THINGS I HAVEN’T DONE. BUT JUST YOU WAIT… What’s your name, men? Alex Hamilton! E é da música… E tem a outra que é spoiler… Mas a história dele é…


– Tudo bem eu não vou ver não!


Na primeira música é falado, ele é morto! E ele fala “Ah, não completei o meu legado! My Legacy! E ele fala o que é o legado senão, olha lembrei dessa frase… Lembrei dessa frase não sabia de onde…


– Olha milhões de coisas que passaram agora, viram?


– Eu falei pra minha mãe essa frase e ela perguntou “Da onde é essa frase?” e eu falei “Eu não lembro!”


E eu lembrei agora, tem a frase que é o legado ele fala, “WHAT’S A LEGACY? PLANTING SEEDS IN A GARDEN YOU NEVER GET TO SEE!


– Uau! Explica aí, traduz aí…


– LEGADO É PLANTAR SEMENTES EM UM JARDIM QUE VOCÊ NUNCA VAI VER!


– Uau!


– É muito, é muito forte essa frase!


– Bonito! Como canta? Vamos cantar essa…


– Não, essa parte ele fala, é falada. Legacy, legacy… Ele tá morrendo, ele tá delirando, e ele fala “LEGACY. WHAT’S A LEGACY? Besides PLANTING SEEDS IN A GARDEN YOU NEVER GET TO SEE!


– Faz de novo, mas eu vou fazer junto…


“LEGACY. WHAT’S A LEGACY? Besides PLANTING SEEDS IN A GARDEN YOU NEVER GET TO SEE!


– Recomendo, quem não conhece Hamilton, ouçam as músicas, tá no Spotify. É maravilhoso!


– Sendo assim chegamos ao final desse episódio. NOW!


(Música)


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um episódio (AAAHHH), mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH).


E se você ainda não entrou no grupo do BallasCast no Facebook, entra porque tá muito legal, lá tem conteúdos divertidos, exclusivos, explosivos, especialmente pra você, então entra lá que tá muito bacana… E se você também não quiser entrar, então não entra pois você faz o que você quiser, a vida é sua amigo, então vamos ao nosso momento merchand


 


“Oh Ballas eu sei que dias 28 e 29 de Outubro, tem um curso de improviso lá na Casa do Humor pra iniciantes, mas eu queria levar você na minha empresa, na convenção de final de ano. Como é que eu faço?”


É fácil, basta você entrar em contato comigo que eu posso ser mestre de cerimônias, ou posso fazer uma palestra de improviso e criatividade, ou posso fazer um workshop especialmente para o seu time, então entra lá no marcioballas.com.br


É isso aí, cheagamos ao final, esse momento da despedida, esse momento que você vai embora e eu fico por aqui, e nos encontramos no próximo lembrando que sempre um bom carteiro é aquele que gosta de Sê-lo!


Thank you very much…


W~mgk ejpi gj


Wlknerknge


Erjgejge]


Errngçke


Bye bye!


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