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BallasCast – Episódio 52 – A Verdade na Comédia

EPISÓDIO 52 - A Verdade na Comédia.


Senhoras e senhores, laaaaaadies and geeeeeeeeeeeeeeeeeeeentlemans, madames et messieurs, ornitorrincos e ornitorrincas, está começando mais um…


BALLASCAST…


MÚÚÚSICAA!


Olá, olá, olá, seja extraordinária, maximamente bem-vindo ao BallasCast. Semana passada fizemos episódio comemorativo de um ano, e agora continuamos a nossa vida normal, se é que existe algum tipo de vida normal!


Nesse podcast de hoje, eu resolvi pegar um livro que eu estou consultando, que eu estou fazendo uma palestra nova sobre apresentações, uma palestra e um workshop novo, sobre apresentações, como o improviso pode ajudar você a apresentar qualquer coisa pra qualquer público, enfim, e aí eu fui resgatar uma das bíblias do improviso, que chama-se Truth In Comedy, ou La Verdad En La Comedia, ou a Verdade Na Comédia.


O título é tradução, não tem em português. Esse livro é um livro super importante porque ele fala das bases do improviso, então eu estou relendo ele, e eu resolvi compartilhar com vocês, deixando bem claro que assim, eu não vou fazer resumo do livro, que nem fazem a galera lá do Resumo Cast, que estuda o livro e faz um resumo pra valer… Eu vou fazer um comentário sobre os principais capítulos do livro, depois cabe a você ler o livro caro ouvinte ou cara ouvinta.


Sendo assim, vamos ao nosso episódio de hoje, NOW!


(Música)


 


A VERDADE NA COMÉDIA


(Música)


Esse livro foi escrito por Charna Halpern, Kim Howard Johnson e Del Close.


Vou começar falando do Del Close, que é um dos papas do improviso, ele nasceu nos Estados Unidos, morou em Chicago. Ele foi do Second City, ele foi do Saturday Night Live, ele deu aula pra muitos, muitos, muitos cômicos que fizeram depois filmes, Bill Murray, Mike Myers… Vários, vários, vários… Toda a galera do Second City estudou com esse cara, e ele foi um grande expoente do improviso, ele inventou muitos jogos, inventou técnica, ele inventou um formato chamado Harold. Que é um formato de improvisação, um formato largo, onde os autores se propõe a criar uma história de longa duração, diferente dos jogos de improviso e dos desafios de improviso que são mais conhecidos pelo mundo todo, tipo Improvável, ou É Tudo Improviso, que a gente fazia na Band.


Enfim, vamos começar pelo comentário, começando pelos pontos chaves do…


Capítulo 1 que são:



  • SED HONESTOS!

  •  NO BUSQUÉIS EL CHISTE!

  • NADA ES MÁS GRACIOSO QUE LA VERDAD!


Então vamos lá! Seja honesto! Quando a gente improvisa a gente tem que ser espontâneo, honesto, não adianta a gente querer representar, fazer, fakear… A gente tem que atuar com tudo.


NO BUSQUÉIS  EL CHISTE! Isso é um ponto muito importante, fundamental, talvez o ponto mais importante do livro inteiro pra quem quer estudar comédia que é… NÃO BUSQUE A PIADA! No improviso não adianta você querer ser engraçado, não dá!


A cena está sendo criada ali na hora, no ao vivo, a frente do público. Então não dá! Você não vai conseguir! Não é um roteiro que você escreve, é diferente de stand up, por exemplo, que tem um roteirista, não é um stand up… Normalmente  tem um roteirista que escreve o seu texto e ele vai pensar em muitas piadas, quando você está criando ali na hora, NÃO DÁ!


E muito pelo contrário, o que acontece? Quanto mais você tenta ser engraçado, menos engraçado você é!


Sabe aquela pessoa que chega pra você “Ou, vou te contar uma piada, mas é muito engraçada, você vai rir muito. Não! Você vai achar MUITO engraçada…”


Já não dá um desespero assim?


Você já não começa a falar “Ai meu Deus eu vou odiar!”


É exatamente isso!


Então vou falar mais pra frente sobre isso, mas não busque a piada!


E por último… NADA ES MÁS GRACIOSO QUE LA VERDADE! Nada é mais engraçado que a verdade!


Nada é mais engraçado que a própria criação daquela cena que está acontecendo lá, então se você é na cena um carteiro que está entregando uma carta, se você for o carteiro com afinco, com tudo, se você fizer o seu personagem realmente, de verdade, pra valer, possivelmente dali surgirá a graça, possivelmente da própria situação, da cena, do seu personagem, daquela criação é que vai acontecer a graça.


(Música)


Capítulo 2 (pontos chaves)


NO HAGÁIS CHISTES! Não façam piadas!


Dejar que el humor nazca de la situación, deixe que o humor nasça da situação!


Tomar en serio la escena, tome a sério a cena…


El acuerdo mutuo es la única regla que no puede romperse, o acordo mútuo é a única regra que não se pode romper!


Então vamos lá, de novo, você viu que ele bate na tecla do “NÃO FAÇA PIADAS”, não precisa ser engraçado, deixe que a graça chegue, não busque ela. Esse é um erro muito comum dos improvisadores iniciantes, eu dou muita aula pra iniciante e acontece isso muito, muito, muito, muito, muito, em todas as primeiras aulas. As pessoas acham que tem que ser engraçadas, as pessoas acham que tem que falar alguma coisa engraçada, as pessoas acham que tem que fazer uma coisa incrível e NÃO. ELA TEM QUE SER ÓBVIA! Eu tinha um professor que falava “be obvious”, seja óbvio!


Você já está criando a coisa ali na hora, você não precisa ser engraçado o tempo todo, muito pelo contrário, não faça piadas. Deixe que o humor nasça da situação, aquilo que eu tava falando ali atrás, se você está fazendo um personagem que é um astronauta que vai partir pra uma missão pra Marte, beleza!


Assuma o seu personagem, brinca de ser o seu personagem pra valer, seja ele de verdade, com tudo, e aí a graça vai vir da própria situação que vai ser criada ali, na hora. Toma a sério a cena. É um jogo pra valer!

o improviso é um jogo de verdade, como uma criança quando está jogando um “polícia e ladrão”, o molequinho, ele pra valer ele acha que ele é o polícia, que ele é o sargento, ele vai jogar aquilo com tudo pra valer, ele não vai ficar duvidando do jogo. Então tome a sério a cena, ele quer dizer realmente brinque pra valer, daquele jogo, daquela criação, daquele personagem, daquela história que você está criando de verdade, com tudo.


E por último a única regra que não se pode romper é a regra do acordo coletivo, se o improvisador tá fazendo uma cena com outro improvisador e eles decidem ir para o público, e continuar a cena lá do meio do público, todo mundo vai comprar isso e fazer a cena lá no público, se o improvisador propõe nesse momento que a cena vai ser cantada, todo mundo vai comprar e vai cantar a cena com tudo, quer dizer, estão TODOS JUNTOS, cocriadores, naquele momento instante, no aqui agora.


(Música)


Capítulo 3 (pontos chaves)


RESPETA LAS ELECCIONES DE LOS OTROS! Respeite as escolhas dos outros!


NO HAY IDEAS MALAS! Não tem ideia ruim!


NO HAY ERRORES! Não tem erro!


TRATA A LOS DEMÁS COMO SI FUERAN POETAS, GENIOS Y ARTISTAS, Y LO SERÁN! Trate aos demais como se fossem poetas, gênios e artistas e aí eles serão!


E por último… LA MEJOR MANERA DE QUE TU TRABAJO LUZCA ES HACER QUE LUZCA EL TRABAJO DE TUS COMPAÑEROS! A melhor maneira do seu trabalho iluminar né? Ser bom, incrível, é fazer com que se ilumine o trabalho dos seus companheiros!


Então vamos lá, respeite as escolhas dos outros, é muito importante a gente respeitar e aceitar com tudo pra valer qualquer proposta, qualquer sugestão que venha dos seus colegas parceiros. Porque que ele diz isso? Porque a gente tá acostumado muito com o nosso universo, quando vem uma proposta de outro parceiro, que é diferente da que viria da nossa cabeça, a gente muitas vezes tende a bloquear, não aceitar, negar essa proposta, porque? Porque ela não é do meu universo, ela é muito diferente pra mim… E é exatamente o contrário…


O que é interessante é que cada um vai vir com o seu universo, com as suas histórias, com a sua mente, com a sua cabeça e aí novas histórias vão acontecer, que são histórias que não eu conseguiria fazer sozinho, nem você conseguiria fazer sozinho, mas juntos a gente vai cocriar alguma coisa ali.


NO HAY IDEAS MALAS! Não tem ideia ruim!


“Ai essa ideia não é boa!”


Não tem julgamento. Não tem bom e ruim. Eu não posso julgar…


“Mas você falou uma coisa que eu não achei muito legal…”


Não tem que achar nada! Você tem que comprar a ideia do seu colega, não tem ideia ruim, no hay errores, muy importante eso decir acá


Não tem erro!


Regra de ouro do improviso, NÃO TEM ERRO!


Porque? A criação esta sendo feito aqui agora no momento presente, então não tem borracha, não dá pra apagar, não dá pra corrigir, então se teve um pequeno erro, entre aspas, do tipo o personagem chamava José e o outro chamou ele de João, opa, teve um erro, o que que ele vai fazer? Não dá pra parar a cena e corrigir, não dá pra falar “Oh eu não sou José, sou João, você não prestou atenção…”, não, ele vai ter que achar um jeito de incorporar esse erro e falar “Ah meu nome é José João, meu pai quis me dar esse nome duplo e eu nunca encontrei alguém com nome igual…”


Quer dizer, faz uma piada, faz um comentário, faz uma brincadeira… Ou então “Xiii… Ninguém pode saber que eu chamo José, entre nós aqui hein? Só João, só João… Depois falamos desse segredo…”


Quer dizer, ele trás isso pra cena e aquilo vira uma coisa nova, quer dizer, ele vai brincar e jogar com isso.


Outro dia eu fiz uma cena num dos vídeos do Improvável, tem isso, e eu era uma mulher na cena, eu era a mulher da relação e o Elidio veio e me chamou “Jeferson”, ops… Jeferson?


“Ah claro meu amor…”


Eu tive que imediatamente… Opa… Virei o cara da relação e tudo bem!


A gente brincou com isso, obviamente, porque o público tava vendo, e é por isso que não tem erro.


É por isso que muitas vezes esse “erro” vai ser a graça da cena, vai ser o divertido, vai ser o que vai funcionar e a gente joga com isso, então não tem erro, tudo se justifica.


TRATA A LOS DEMÁS COMO SI FUERAN POETAS, GENIOS Y ARTISTAS, Y LO SERÁN! Isso é muito bom né? Você tem que tratar o outro como se o cara fosse genial né. Você tem que olhar o outro com esse olhar de abertura e falar “meu”, esse parceiro é incrível, e já conecta com a próxima ideia né? A melhor maneira de fazer o seu trabalho reluzir é fazer com que o trabalho do outro se ilumine, então quanto mais eu dou luz pro outro, quanto mas eu sirvo o outro, o improviso tem muito disso, de jogar pro outro, de eu fazer o outro brilhar.


Outro dia a gente tava num festival na Colômbia, e aí a Rena me propôs de cantar uma música em espanhol improvisada, e claro, é, parecia uma sacanagem dela, fazendo uma pegadinha comigo, um desafio muito difícil, mas na verdade ela me deu um grande presente, porque daí eu que tinha que cantar alguma coisa em espanhol ali na hora, era uma criança então eu tive que ir lá…


Yo soy una niña.


Yo soy muy hermosa,


Esta es mi mamá,


Y es maravillosa…


E o público já adorou… Eu fiz uma rima banal, que era o possível pra mim né? Mas exatamente isso que ela fez, ela me deu a possibilidade de brilhar, ela jogou a luz pra mim ali naquela hora, naquele momento. Então jogue junto com o seu parceiro, sirva ele, faça ele brilhar!


(Música)


Capítulo 4 (ponto chave)


SÍ, Y… ACEPTA Y COSTRUYE! Aceita e constrói!


Estamos falando aqui do famoso SIM do improviso, ele coloca muito claramente com SIM, E… YES, AND. O que isso quer dizer? Quer dizer que a cada proposta dada, você vai aceitar, você vai dizer SIIIIM, sem julgamento, sem filtro, sem achar nada, sem pensar se essa ideia é boa ou ruim, você vai construir em cima dessa ideia e você vai adicionar o E… AND…


Então se o meu parceiro diz “Olá, seja muito bem-vindo a floricultura Jhonson & Havers, o senhor pode aqui escolher as melhores flores da cidade…”


Então imediatamente ele propôs, é uma floricultura, é nova, e é uma floricultura melhor da cidade. Então imediatamente o outro vai aceitar, “uau, que bonita essa floricultura, realmente eu passeio muito por essa cidade e nunca vi uma floricultura como essa. Escuta hoje é o aniversário de cinco anos de casado, e eu queria dar para minha esposa uma flor incrível”


Quer dizer, ele pega a proposta da floricultura e adiciona… E… Uma nova proposta, “Estou aqui para comprar uma flor especial para a minha esposa porque é aniversário de casamento”


Na sequência o outro vai dizer SIIIIMMMM!


“Claro que temos…”


E vai dar uma proposta…


“veja só, essa é uma orquídea fran gerânio, é uma orquídea maravilhosa! Ela tem que ser regada uma vez por dia hein? Tome! E é presente! Vai ser a sua primeira compra, e vai ser presente da nossa loja”


“Nossa que incrível”


E assim a história vai indo… E a cena seguinte é ele chegando em casa e dando a flor pra esposa… E a cena seguinte é acontecendo algum conflito, a esposa tem uma memória muito grave de orquídea com ex-marido, a esposa tem um problema porque ela é alérgica, enfim… E a cena é construída a partir do que a gente chama de aceitação… YES, AND… Sim, e…


(Música)


Capítulo 5 (pontos chaves)


TOMA OPCIONES, NO HAGAS PREGUNTAS! Faça opções, faça escolhas, não faça pergunta!


ESCUCHA Y RECUERDA. Escute e lembre-se!


ESCUCHA LA TOTALIDAD DE LA IDEIA QUE HAY EN UNA FRASE. Escute a totalidade da ideia que tem em uma frase!


Então vamos lá! TOMA OPCIONES, NO HAGAS PREGUNTAS!


Isso é muito interessante. Quando o improvisador começa a fazer o curso, é muito comum na cena ele começar a fazer um monte de perguntas, a fazer perguntas, porque?


Porque perguntar é uma maneira de não tomar decisões, a gente enrolar, da gente não enfrentar o desafio de ter que criar alguma coisa. É muito comum um improvisador lançar uma ideia “Vamos assaltar uma ideia, aqui está o nosso plano….”


E aí o improvisador iniciante ao invés de criar em cima, ele vai fazer “Mas será que isso não é perigoso? Será que devemos assaltar?” ou então ele vai dizer, “Será que hoje é o melhor dia? Será que não devemos deixar pra amanhã?”


Quer dizer, quando ele faz perguntas, ele está transferindo pro outro a responsabilidade da resposta e não, eu tenho que assumir uma posição e dizer “Sim… E… Vamos” e afirmar alguma coisa, então a gente evita fazer perguntas!


ESCUCHA Y RECUERDA! Você tem que ouvir e lembrar, porque?


Porque uma cena está sendo criada e vários dados estão entrando na cena, então se foi achado uma coroa no baú e essa coroa era do D. João VI, lá na frente eu tenho que lembrar que essa coroa é do rei D. João VI, porque? Porque a gente está fazendo uma história sobre isso!


Eu tenho que lembrar os dados que vão acontecer na cena, o que é uma dificuldade para nosso improvisador, principalmente nas histórias que são longas, uma história de meia hora, 40 minutos, eu tenho que lembrar os dados… Cabe aí ao improvisador fazer esse exercício, porque? Porque quanto mais dados ele vai lembrar, mais conexões ele vai poder fazer com esses dados., mais ele vai poder usar esses dados, mais ele vai poder resgatar esses dados no final da história e muitas vezes é isso que vai fazer a beleza de uma história acontecer.


E por último… ESCUCHA LA TOTALIDAD DE LA IDEIA QUE HAY EN UNA FRASE… Escute a totalidade da ideia que tem numa frase! A gente tá falando daquilo que a gente chama de escuta.


Escuta é um dos elementos mais importantes dentro do improviso né? Do teatro, né? Mas principalmente no improviso que está sendo criado ali na hora. Escutar. Escutar com tudo. Escuta periférica a gente chama, isto é, eu sei tudo o que está acontecendo, eu estou escutando o meu parceiro, estou escutando o público, eu tô me escutando… Então quando ele diz pra você escutar a totalidade do que seu parceiro diz, ela tá dizendo, ouve a proposta que o outro tá dando e ouve o que tem implícito, ouve tudo que ele tá falando. No subtexto, no subtítulo… Realmente uma frase pode conter muito mais do que as palavras que têm nela. Nossa, foi bonito isso hein?


UMA FRASE PODE CONTER MAIS DO QUE AS PEQUENAS PALAVRAS QUE EXISTEM DENTRO DELA.


Quer dizer, eu caguei a frase… Mas não importa, é isso. Ouvir com tudo!


E olha que lição pra vida né? A gente tem que ouvir o outro com tudo, pra valer, o meu parceiro quando  tá falando comigo, o meu filho quando tá falando comigo, um vendedor que tá ouvindo o cliente falar, ele tem que ouvir o subtítulo, ele tem que ouvir com tudo, ele tem que ouvir pra valer o que está sendo dito lá.


(Música)


Capítulo 6 (ponto chave)


HAY QUE ESTAR EM EL MOMENTO. LO QUE SUCEDE AHORA, SERÁ LA CLAVE PARA DESCOBRIMIENTOS POSTERIORES! Tem que estar no momento, o que acontece agora, será chave para descobrimentos posteriores!


NADA DEBE IGNORARSE, HAY QUE SEGUIR LOS GIROS INESPERADOS… NADA dever ser ignorado, tem que seguir os giros inesperados. Giros no sentido de, as mudanças inesperadas, né?


E por último… LOS ERRORES NO EXISTEN! Os erros NÃO existem!


Então vamos lá! Você tem que estar no momento, o que acontece agora é a chave para descobrimentos posteriores, é o exercício do aqui agora, do momento presente, de você estar na escuta do que está acontecendo, que história é essa que estamos criando, isso é fundamental, e isso é muito importante porque nós somos muito mentais… Adulto, é muito cerebral, muito racional, então a gente fica pensando muito na nossa cabeça, querendo ter uma ideia, querendo criar alguma coisa, “Ah já sei, vou falar isso, não, vou falar isso, vou falar isso aqui não…”


E nisso eu me perco do aqui agora, eu me perco do que está acontecendo, eu me perco na fala do meu colega, que acabou de dar uma proposta nova e eu estava pensando na minha e não entendi exatamente o que ele tá propondo.


Ponto seguinte. Nada deve ser ignorado! Temos que seguir todas as mudanças inesperadas. Se acontecer uma reviravolta na nossa cena, a gente tem que seguir essa reviravolta, não adianta eu, “Ah mas nossa cena estava indo por essa caminho aqui”, ou então “Ah eu tinha uma ideia e aí…”


Não, teve um giro, teve uma mudança, teve uma rotação e bi-rotação a gente segue e vai atrás dela, todo mundo junto. E por último, os erros não existem! Já falamos sobre isso. NÃO TEM ERRO!


No mistakes! Jogamos com o que acontece.


(Música)


Capítulo 7 (pontos chaves)


Pontos chaves OU ponto chave? Boa pergunta! Alguém pode responder lá no BallasCast, o grupo do Facebook, se é pontos chave, ponto chaves, pontos chaves, enfim, vamos á eles.


SÉ SIMPLES. MENOS ES MÁS! Seja simples. MENOS É MAIS!


Já vou comentar assim em seguida, porque são vários nesse capítulo. A gente tem que ser simples, a gente tem que ir pro óbvio não precisa complicar. Improvisadores iniciantes tendem a colocar dados assim, mirabolantes, porque querem fazer com que as histórias sejam incrível, então de repente a gente tá construindo uma pequena história na floricultura, o cara vai pra casa, vai levar a flor pra ela porque é aniversário de casamento e de repente ele chega em casa, e aí um ET tá lá na sala, jantando com ela, um estrogonofe feito com papel picado de alumínio, aí de repente o teto se abre e pousa um disco voador, e aí de repente surgem espigas de milho gigantes, daí a história vai embora e o público vai embora, e não precisa.


Seja simples! Menos é mais!


EMPIEZA LAS ENCENAS POR LA MITAD! Comece as cenas pela metade!


Isso é muito interessante, principalmente pra improvisadores que vão criar histórias, improvisadores em cena tendem a começar a cena do começo “ah prazer, como é seu nome”, tal, e a graça da cena é que ela já comece de um dado estabelecido, então por exemplo, de pessoas que já se conhecem, ao invés de a gente ver elas se conhecerem, “ah como é que é seu nome? O que que você faz?”


Tal, tal, tal, tal, tal, tal, tal… Muito mais interessante, dois amigos por exemplo, de faculdade, que se reencontram dez anos depois no supermercado…


“Miguel não acredito, você tá aqui??


“Alberto, cara! A gente não se vê desde aquela mega festa de despedida da galera de medicina.”


“É mesmo, que festa hein? Não acredito! Como você tá cara?  Vamos aproveitar que você está aqui, vamos passar o dia juntos?”


“Vamos”


E aí a história já vai embora,  a história já acontece… Eles não tem que ficar se conhecendo em cena, então a gente já pode começar a cena pela metade, já temos dados estabelecidos, e vamos jogar a partir deles.


VOCÊ MUITAS VEZES TEM QUE FAZER UMA DECISÃO, uma opção, pra cena avançar, pra nossa história ir para a frente, então a gente precisa tomar decisões e nem sempre é fácil tomar decisão, porque? Porque a história tá indo direitinho, pode ser que dê uma caca, pode ser que a gente perca a história. Então é um desafio, é um risco, mas a gente tem que fazer isso pra cena avançar.


Então esse cara que está comprando o presente pra esposa na floricultura e chega em casa, e ela tá lá, e ele acha incrível, eles estão lá jantando… Tá tudo bom, só que precisa acontecer alguma coisa, então de repente toca a campainha. Entra o outro improvisador, e abre a porta e é o ex-marido dela, que chega lá e veio falar com ela, porque ele precisa falar com ela…


Quer dizer, quebra aquilo, alguma coisa acontece, então ele toma uma opção e faz a cena avançar, porque daquele jeito não vai ficar mais.


VALORA LOS SILENCIOS. HAY ACCIÓN EM EL PENSAMIENTO! Valorize os silêncios. Tenha ação no pensamento!


Quando a gente começa a improvisar é muito comum a gente preencher a cena o tempo todo falando, falando, falando, falando… Então por exemplo, a menina chama o cara pra conhecer o apartamento dela na faculdade, na república, e ela vai e eles estão lá conversam, e muitas vezes essas conversas são ininterruptas, porque tem impressão que o vazio é uma ausência de cena, que algo não está acontecendo, então eles estão lá…


“Então, essa é minha casa, você gostou?”


“Nossa adorei! Esse quadro é de quem?”


“É do… Minha mãe que me deu de presente!”


“Nossa que legal, a sua mãe gosta de arte?”


E vão falando, falando… E muitas vezes o silêncio é importante…


“Olha, essa é minha casa…”


“Que legal hein, poxa… Bonito esse quadro hein? De quem que é?”


“Esse quadro é do Van Gogh, mas na verdade a minha mãe que pintou, é uma reprodução, minha mãe pinta muito desde pequena e é por isso que eu aprendi a desenhar e eu sou artista plástica.”


“Sério? Você é artista plástica? Eu também!”


Então percebe que esses silêncios que a gente viu, ouviu, aqui no caso, eles servem para contar história também.


(Música)


Capítulo 8 (ponto chave)


LA MENTE DE GRUPO! A mente do grupo!


Aqui ele fala de uma coisa muito interessante, ele fala que quando todos os improvisadores eles concentram a sua atenção nos outros, quando um tá fazendo o outro brilhar, quando tá todo mundo realmente junto no aqui agora, todo mundo se respeitando, todo mundo se aceitando, acontece a criação de uma mente do grupo…


É uma coisa um pouco abstrata, mas quem trabalha com isso é uma coisa absolutamente simples e fácil de entender, quanto mais estão conectados os atores, os jogadores, os improvisadores, quanto mais se conhecem, quanto mais eles confiam, maior vai ser a capacidade dessa mente trabalhar coletivamente.


É muito comum por exemplo, a gente faz a Noite de Improviso, todas as quartas feiras aqui no Comedians, eu o Edu Nunes e Marcos Gonçalves, e é muito comum quando a gente sai depois e fala “Nossa, aquela hora você falou uma coisa que exatamente aquilo que eu tava pensando…”


“Nossa, você deu uma resposta que era o que eu ia falar e foi perfeito, porque você…”


Porque que acontece quando a gente tá conectado, surge essa mente do grupo, então sai do nosso ego que é um do trabalhos do improvisador deixar o ego de lado e tá ali pleno, sem o ego, sem a cabecinha ali, sem aquele pequeno, cabecinha que fica achando… “Essa ideia é boa, essa ideia é ruim, essa ideia é boa, não, não, não…”


Essa vozinha a gente tem que aquietar e deixar ela de fora, e estarmos todos plenos, cocriando juntos no aqui agora pra assim criar a mente do grupo.


(Música)


Capítulo  9 (pontos chaves)


IMPLÍCATE EM EL TERRENO FISICO… Se coloque na parte física!


Que quer dizer isso? O improviso tem que ser uma ação teatral, então a gente não pode, como improvisador, tá falando blá-blá-blá-blá-blá-blá, pra cena não ficar um monte de verborragia, não… A gente tem que se colocar na cena fisicamente, então se eu sou um personagem eu vou trazer um aspecto físico pro meu personagem, como é que vai andar esse personagem? Como é que vai ser a cabeça dele, onde vai tá o corpo, onde vai tá o peso do pé? Onde vai tá o peso da bacia? Então a gente se implicar ativamente, fisicamente dentro das cenas. Se somos dois ladrões planejando um ataque, eles podem ter um momentinho de planejamento, mas na sequência tem que acontecer a ação física, eles tem que ir pro roubo, pra poder pegar, abrir o cofre, pra pegar o dinheiro, pra sair correndo, pra polícia poder ir atrás… Pra acontecer ações físicas.


Porque estamos falando de teatro.


MUÉSTRATE A TRAVÉS DE TU PERSONAJE! Você tem que se mostrar através do seu personagem, se deixar ser você, mas você interpretando esse personagem.


Se concreto, evita generalidades! Seja concreto, evite generalizações!


É muito importante no improviso, quanto mais específico a gente puder ser melhor, porque? Porque assim o público consegue visualizar melhor o que a gente tá fazendo na cena, então por exemplo o namorado que chega com um presente pra sua noiva, e ela abre e fala “Nossa, que colar incrível, poxa… muito obrigada!”


É uma maneira de receber, ok, não tem nada de errado… Agora, se ela recebe e dá detalhes sobre o colar, ela ajuda o público, por exemplo se ela abre e “Ah, eu não acredito! Um colar de ouro, com uma pirâmide que tem pequenos pedacinhos de diamantes dentro, Alberto isso deve ter custado uma fortuna!”


E ele responde “É, essa pequena pirâmide é uma réplica da pirâmide que tem no México…”


E tal, tal, tal…


Então de repente alguns pequenos dados a gente consegue visualizar, é um colar de ouro e na ponta dele tem uma pirâmide com algumas coisinhas dentro, então o público, ele consegue ir mais longe dentro dessa história né?


Se uma amiga chega na festa e fala “Nossa , esse vestido com essa estampa do Romero Brito, eu vi numa loja na Oscar Freire, tal…”


Ela é uma perua que gosta do Romero Brito, tem gente que gosta do Romero Brito, legal! Que que ela ajudou o público? A imaginar aquele vestido.


A outra dizendo “Mas você, sempre elegante, toda de branco, só de alcinha… Gostei Margaretty


Opa!


Num pequeno instante a gente viu o vestido das duas atrizes, isso ajuda a gente entrar e embarcar mais na história.


(Música)


Capítulo 10 – Último capítulo.


Nesse capítulo ele fala de um ponto muito interessante, que são algumas das funções do ator improvisador. Então por exemplo, ele fala do ator como editor, porque ele que vai editar a cena ali na hora. Porque a gente tem um tempo, tem uma hora o espetáculo, cinquenta minutos, quarenta minutos… A cena tem quatro minutos, cinco minutos… Então ele tem que ser o editor que edita ali ao vivo, as vezes ele vai usar uma técnica do tipo “cinco anos depois”, bum, e a cena avança pra cinco anos depois… “E no último capítulo”, opa, e a cena vai pro último capítulo, a gente vai ter que fazer a edição da cena acontecer, ao vivo.


EL ACTOR COMO DIRECTOR! O ator como diretor!


A cena está sendo criada ali na hora, então o ator ele tem que ser também o diretor da cena, ele tem que ter esse olhar de fora, ele tem que ter esse olhar de entender. Estamos chegando no começo? Estamos chegando no final? Já é hora de acabar? Precisa fazer uma proposta? Então o tempo todo ele precisa pensar também como diretor.


EL ACTOR COMO ESCENÓGRAFO! O ator como cenógrafo!


O cenário também vai ser construído ali na hora, normalmente num espetáculo de improviso não tem cenário. Então, seja eu lá fazer um objeto lá no fundo, eu vou fazer um relógio, eu vou fazer o Cristo Redentor lá no fundo, eu vou fazer uma montanha, então vou desenhar uma montanha no ar, então enfim… O ator, ele vai ser cenógrafo ao mesmo tempo.


EL ACTOR COMO EFECTO DEL SONIDO! O ator como como efeitos sonoros!


Muitas vezes o ator vai ter que fazer sons pra ajudar o público a compreender, a acompanhar melhor a cena, então ele pode fazer…


“Nossa, essa casa está cheia de pernilongos…ZzIIZIzIIZIIIzIIIIZ... PEGUEI VOCÊ, preciso dar uma varridinha aqui… Xixixix… Ah meu Deus o celular está tocando… BLULULUM


Quer dizer, ele pode usar os sons pra dar um colorido pra cena.


El actor como coreografo. O ator como coreografo!


Porque?  Ele vai desenhar a cena, vai dançar a cena, não necessariamente dançar mas fazer o equilíbrio dos corpos na cena, fazer a dança do improviso acontecer lá na cena.


E tem um que não fala, mas eu vou  falar aqui que é…


El actor como dramaturgo. O ator como dramaturgo!


Não é nem dramaturgo que se fala em espanhol, é guionista eu acho, mas não importa, o ator dramaturgo é o ator que vai escrever a história ali, no aqui agora, então é muito importante do elenco, dos improvisadores se atentarem pra qual é a história que esta sendo feita aqui.


Qual história que a gente tá criando? A gente tá fazendo a história de quem? A história do dono da floricultura ou a história é do marido que vai dar o presente pra ela? De quem é a história?


Por exemplo naquele caso a floricultura era um elemento da história, mas o protagonista da nossa história provavelmente vai ser o cara que veio comprar a flor pra ela, porque na sequência a nossa história continua e aí ele vai lá e dá a flor pra ela, e ela lembra de um ex-marido, e ela fica mal e começa uma crise no casal, daí o ex-marido aparece, aí ela tem que tomar a decisão, fica com o ex-marido ou fica com o novo?


E tal, tal, tal…


Aí ele fala tal, tal, tal… E aí vai ser uma história que vai acontecer várias coisas, e quem vai estar escrevendo essa história são os atores… E é por isso que eu digo que no improviso nós somos três coisas ao mesmo tempo… ATOR, que é quem tá encenando, atuando ali… O DIRETOR e o DRAMATURGO.


TRÊS papéis em um, tudo ao mesmo tempo, no momento presente, no aqui agora, aceitando, dizendo sim, não fazendo gracinha, não fazendo piada, não querendo ser engraçado, jogando com tudo, pra valer, de verdade, como crianças que brincam com tudo quando estão fazendo uma brincadeira, ouvindo meu parceiro, dando luz as ideias dele, aceitando, dizendo SIM e cocriando todos juntos, fazendo aquele espetáculo acontecer, aquela criação ser realizada ali no momento presente, aos olhos daquele público que pagou o ingresso e está assistindo um espetáculo totalmente novo, que nunca vai ser feito igualzinho a este que está sendo feito agora, irrepetível. É esse o desafio do improvisador.


Com amor, com esplendor, sem horror, com torpor, com um desador, e assim termina o nosso episódior.


(Música)


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um BallasCast (AAAHHH) mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH).


E se você quiser conhecer o livro, dá uma olhada na internet… Del Close é o nome dele, D-E-L-C-L-O-S-E. Tipo deu um close, mas é Del Close o nome dele. LA VERDAD EM LA COMEDIA, TRUTH IN COMEDY…


E se você ainda não faz parte do BallasCast que é um grupo incrível que a gente tem lá no Facebook, entra, pede pra eu te aprovar e eu te aprovo.


É muito legal, eu vou colocar essa referência desse livro, eu tô colocando várias outras referência lá. É muito legal, é um conteúdo explosivo, exclusivo, explosivers, é como se fosse a continuação do BallasCast, não tem muita informação, não tem muitos dados, ninguém fica te enchendo e nós somos felizes e só.


Sendo assim,


Thank you very much…


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See you next Monday…


Bye bye!


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