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BallasCast – Episódio 55 – Entrevista com Allan Benatti (Parte 2)

EPISÓDIO 55 – ENTREVISTA COM ALLAN BENATTI (PARTE 2).


Senhoras e senhores, ladies and geeeeeeeeeeeeeeeentlemans, madames et messieurs, urubus e uruboas, está começando mais um…


BALLASCAST!


MÚÚSICAAA!


Olá, olá, olá, seja redundante, redundante, rei dum dante, eu sempre erro essa palavra mente, bem-vindo ao BallasCast, pra você que está chegando pela primeira vez, WELCOME! Pra você que nos acompanha, WELCOME AGAIN!


Pra você que está chegando pela primeira vez, saiba que lá no começo eu contei as minhas histórias, contei sobre palhaço, sobre improviso, Palhaços Sem Fronteiras, Doutores da Alegria, histórias pessoais  e um monte de coisas legais, então pode ver de lá de trás, porque hoje é dia de continuação da nossa entrevista.


Hoje eu vou entrevistar ele que foi meu parceiro no Doutores da Alegria, ele que é meu parceiro em Los Camaradas, espetáculo de palhaço, ele que dá aula na Casa do Humor, de improviso e de palhaço também, recentemente viajou com os Palhaços Sem Fronteiras e hoje está aqui, no BallasCast… Recebam com uma salva de palmas… ALLAN BENATTI…


PALMAS!


(Música)


– Como o Brasil conhece o Jogando no Quintal, depois o Improvável, depois É tudo Improviso na TV, as pessoas acham que improviso é humor. Improviso é humor, improviso é humor! Que é normalmente como se começa em todos os lugares do mundo, e lá a gente conheceu essa outra maneira de ver um espetáculo que não era de humor, tinha alguns momentos de humor, mas assim, não era voltado ao humor, não queria fazer humor e a gente teve esse entendimento de que não, o improviso, ele pode ser pra fazer um espetáculo poético, um espetáculo bonito, um espetáculo interessante, um espetáculo com dramaturgia né?


– EXATAMENTE! E aí foi nessa mesma época que a gente se fascinou por isso e acabou juntando e começando a  fazer uma pesquisa, que começaram com aqueles saraus que a gente fazia, que eram os cabarés do Jogando, você lembra disso?


– Uhum, lembrei agora!


– Que a gente fez pela prefeitura alguma coisa assim, era um circuitinho que a gente acabou fazendo, não sei se nos teatros da prefeitura, onde a gente experimentou… Sair um pouquinho da improvisação e entrar em esquetes, ou colocar algumas outras coisas de improvisação, e aí, foi aí que a gente fez… Eu, você e o Cesar, a Rena e o Marcão, o primeiro experimento do que veio a ser depois, posteriormente, o Caleidoscópio.


– Legal! Então o Caleidoscópio, pra quem não sabe, é um espetáculo que a gente fez junto de improviso, nesse tipo de formato que a gente chama de long form. Explica o que é um long form Allan.


– Long form é um espetáculo de improvisação onde a dramaturgia tende a ser única do começo ao fim, formando assim um único espetáculo improvisado… E acho que é isso!


– Acho que é isso! Então long form é como você ver uma peça de teatro, então diferente de jogos, que nem Improvável, o Jogando assim, que tem o mestre de cerimônias que dá um desafio, que tem uma competição, que tem que ser engraçado, que tem uma mecânica, não! É um espetáculo que se parece mais com uma obra de teatro, onde você vai ver histórias, onde você vai ver cenas sendo construídas, e aí a gente começou a pesquisar o que viria ser o Caleidoscópio. Que memórias você tem dessa nossa pesquisa assim, de fazer uma coisa diferente. Ah, tem um detalhe também que é importante, nem sei se quando eu falei disso eu falei lá atrás, que é… Até então a gente só fazia coisas com a máscara do palhaço.


– Do palhaço!


– De nariz vermelho!


– Isso!


– Foi a primeira vez que a gente falou “Putz, e se a gente fizesse alguma sem o palhaço”, né? Como é, que que você lembra assim, desses experimentos, principalmente no começo, que a gente ensaiava, loucamente…


– Eu lembro que essa coisa de questão do nariz foi uma questão que passou,  que foi uma questão, mas acabou passando bem rápido assim…


– Sim! Digo assim, dos ensaios, dos treinos, que dificuldades e prazeres…


– Eu lembro das coisas interessantes que vieram a partir das suas propostas de direção, que eram bem interessantes, que eram pra gente já entrar em comum acordo do universo, então cada um trouxe algumas leituras, trouxemos algumas imagens, e a gente foi afinando comumente que universo a gente ia cercar né? Que círculo de possibilidades a gente ia estabelecer pro espetáculo  e partindo também da relação do depoimento pessoal. Então foi um processo muito legal de conhecer a gente um pouquinho mais, a gente… Meu, só faltava dormir todo mundo na mesma cama.


– Sim, legal! Que é legal também o que você tá falando porque as pessoas não sabem, mas mesmo pra você criar um espetáculo, você… De improviso… “Ah, vamos fazer aí um espetáculo de improviso”… Não, a gente ficou acho que um ano e meio em sala né? Treinando, experimentando… Isso eu não lembrava também, a gente trouxe cada um, uns livros que gostava, uns contos que achava legal, pra gente bater os universos e entender, “Poxa, a gente quer fazer esse tipo de espetáculo, que fale esse tipo de história”, porque essas são as escolhas. E no Caleidoscópio foi uma coisa muito coletiva da concepção, quando a gente fala… Bom, vamos escolher histórias, fazer, criar histórias que sejam do universo poético, do universo de histórias que não sejam cotidianas, de que tenham histórias que tenham início, meio e fim, que a gente consiga construir, quatro histórias que se entrelaçam e cruzam… A coisa do depoimento pessoal também né? Que a gente foi trazendo histórias… Como que era?


– A gente veio trazendo várias histórias, e aí a gente contava e aí a gente mesmo ia se ajudando pra uma melhor dramaturgia da história, sem alterar a história, que palavras seriam melhor pra gente encaixar… Foi um processo gostoso também, assim… De entendimento… Mas o mais importante do depoimento pessoal, não era nem isso, não era o depoimento pessoal, o mais importante eram as perguntas que eles geravam pra gente poder construir boas histórias…


– Hum, legal!


– Tanto que tinham muitos depoimentos pessoais e a gente escolheu os de melhores perguntas.


– Legal! Depoimento pessoal também, pra clarear, essas histórias nossas, então cada um lembrava as suas histórias da infância, da juventude, da adolescência, histórias curiosas, interessantes… Não precisavam ser histórias engraçadas, histórias que a gente lembrava, a gente falava “Pô essa história é legal de compartilhar com o público”, porque a partir das nossas histórias o público contava histórias deles. E as histórias que eles contavam, aí a gente improvisava, se inspirava, a gente não fazia a história deles, não era uma recontagem da história não! Era uma inspiração pra história que ia ser criada e ia ser improvisada.


(Música)


– Então que tipo de pergunta você lembra que a gente faz, ou fez no espetáculo?


– As que eu fazia era se tinha alguém, qual a pessoa mais importante pra você, na sua vida.


– O que você mudaria na sua mãe?


– E se um amigo seu namorasse a sua mãe? Você lembra?


– É!


– Porque era uma piada!


– É, você se lembra de algum apelido de infância?


– Se lembra, você já ouviu ou disse alguma cantada, que cantada é essa que você se lembra?


– Então eram perguntas que faziam as pessoas pensarem, lembrarem… Que parente seu foi importante, que marcou… Então, o cara contava… Eu lembro de um cara que contou a história do pai dele que tinha morrido um ano antes, e que era um… Como é que ele falava? O pai dele era um grande, as pessoas achavam que ele era um grande sábio, e aí a gente fez uma cena de um cara que era um grande sábio e tal, tal, tal…


– Eu não me lembro desse!


– É mas, pô mano!  Bom, ficamos por aqui, a gente volta semana que vem!


– Hahaha! Não, mais ou menos eu lembro sim, mais ou menos eu lembro!


– Não, se der pra, pra criar, compartilhar do universo, acho que não era engraçado…


– É, exato!


– Primeiro o cara compartilhou a história do pai que morreu, que era um grande sábio, e agente fez uma história de um cara que tava numa montanha e bá-bá-bá!


– É…


– Era uma inspiração, a gente não contava a história, então enfim…


– Sim!


– Esse foi o Caleidoscópio!


– E aliás a sua direção, meu… Pra mim foi onde eu entendi o sentido da palavra direção, principalmente no sentido de improvisação assim…


– Opa!


– Foi muito inspirador assim, e eu carrego como fonte de inspiração para os trabalhos que eu faço como direção também.


– Legal!


– Que é… O diretor ele tem a função de dar a direção…


– Isso! Legal!


– Ele tem a função de escutar tudo aquilo e decupar uma forma estética aquilo que entre dentro de toda a estética que se trabalha e direcionar tudo pra esse lugar.


– Legal, legal o que você tá falando, até porque eu não sou diretor, até as vezes me chamam pra dirigir trabalhos de fora assim, mas não é humildade, é que eu não tenho essa formação. Mas eu entendi também, como diretor, isso o que você está falando, e demorei muito pra entender… De que o diretor é aquele que, quer dizer, até no meu caso, que eu gosto de dirigir que é ouvindo, ouvindo, ouvindo, até porque eu trabalhava com meus parceiros, não era porque vocês sabiam menos do que eu não. Era porque era todo mundo mesmo, era o Marcão, a Rena, você e eu, puta músico, então tava todo mundo aqui… Então, ouviam, ouviam, ouviam, ouviam, e tem que escolher também… Eu aprendi isso, dirigir é fazer escolhas, e a escolha passa por um gosto, passa por um X, captar a mente do grupo, não só “Ah eu acho”, não! Acho que “Putz, acho que esse grupo tá querendo, vamos todo mundo pra cá, vamos juntos” e aí todo mundo compra essa direção né?


– Exatamente!


– Vamos sair do Caleidoscópio! Você começou a fazer uma pesquisa de improviso também, junto com Marcelo Savignone, na Argentina. O que que são as 3 coisas que você lembra né? Marcelo Savignone é um improvisador exímio na Argentina, tem uma escola incrível na Argentina, foi aluno do Lecoq, que foi a escola que eu fiz também lá na França, que é um dos papas, dos clowns, do improviso, do teatro. E tem o jeito dele de trabalhar e você foi lá estudar a fonte, passou um semestre, quase um ano na Argentina, que que são as coisas que você trás e leva do seu trabalho assim?


– Cara, uma coisa que eu percebi assim… Pra mim o mais importante, o mais importante da minha estada na Argentina foi olhar o pedagógico. A minha aula mudou muito depois que eu fiquei lá…


– Olha, legal!


– Porque eu identifiquei nele o mesmo olhar que eu via na Quito e via na Bete.


– Cristiane Paoli Quito… Mestre, mestra master do palhaço aqui né?


– Que é saber observar o que se propõe… Porque você passar um exercício, qualquer professor pode passar, qualquer exercício. Agora, você saber analisar o que tá acontecendo ali, você tem que conhecer muito o exercício e entender muito ele pra poder dizer sobre, o que tá acontecendo…


– Uau, legal!


– E ele me ensinou muito isso assim, porque eu observava, ele era muito certeiro e muito pontual nos comentários dele com cada um. Podendo inclusive, ser cruel, porque não era a primeira opção dele. Ser cruel não era a primeira opção dele…


– Uhum…


– Mas ele, quando você percebia que a pessoa não escutava, não é que não fazia do jeito como ele queria, mas não escutava o que ele comentava, ele chegava a parar “Escuta… Então porque você está aqui? Porque você não, não, não escuta o que eu te digo”… Só isso!


– Sei… E aí ele pegava, e aí…


– E aí a pessoa ficava abalada e era um gancho pra pessoa, meu… Porque era uma escola de ator também, não é como…


– Claro…


– Não era uma escola que vem gente pra se divertir ou pra tirar timidez nem nada…


– Sim!


– Era uma escola muito pra profissionais mesmo, então essa era uma coisa que me marcou. O olhar pedagógico! A segunda coisa foi essa relação da linguagem mesmo, em levar a improvisação pra essa questão mais da linguagem teatral, eu já tinha esse interesse, mas essa mescla de, como no Jogando no Quintal, que você tem o palhaço e a improvisação…


– Uhum…


– A vontade de misturar linguagens, por exemplo, realismo e improvisação, linguagens teatrais, ou a máscara e a improvisação, ou melodrama improvisado, então essas coisas que hoje em dia eu procuro investigar, mais a fundo.


– Você lembra algum exercício assim curtinho, que a gente faz aqui… Qualquer um… Que você dá na aula…


– Na aula?


– É, pode ser de palhaço, pode ser de improviso, pode ser qualquer coisa…


– Ai caramba…


– Eu sou seu aluno, “Olá Alan eu vim aqui, queria fazer muito um exercício qualquer assim, tipo…”


– Tá bom. Vamos ver se funciona sentado né?


– Tá bom!


– Ele é um exercício que eu adoro porque eu acho que ele é muito importante pro improvisador…


– Tá…


– Porque ele ajuda a criar gavetas na cabeça, ao mesmo tempo que você executa, você presta atenção…


– Ai meu Deus…


– Então você vai começar a fazer uma sequência de sons, só de sons a princípio…


– BLUM-BLUM-BLUM…


– Não… Mas é aleatório! BLOM-TIM-TÁ-SI-TÁ…


(SONS)


– Hahaha, sensacional!


– É.


– Ótimo que você vai pegando um tempo, depois o outro, e você tem que fazer todos…


– Exatamente, você faz um tempo a menos ao mesmo tempo que você executa uma ação, você tá prestando atenção em outra, e aí a gente vai criando complexidades desse exercício também.


(Música)


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um episódio (AAAHHH) mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH).


E se você ainda não faz parte do BallasCast, que é um grupo incrível que a gente tem no Facebook, onde tem comentários do podcast, onde tem informações, onde tem textos, onde tem coisas incríveis, enfim, entra lá, pede pra eu te aceitar… Que eu te aceito com o maior carinho do mundo… WELCOME TO THE BALLASCAST!


E vamos agora ao nosso momento merchan….


“Oh Marcio, eu sempre me interessei por essa coisa do clown e do palhaço, eu nem sei a diferença, mas eu queria fazer um curso”


É fácil!


Em Março na Casa do Humor, tem curso com a Bete Dorgam pra iniciantes, é só você entrar no site www.casadohumor.com.br


É isso aí. Obrigado pelo acompanhamento constante de você que está acompanhando a gente constantemente… O ano está acabando, mas a vida segue. A vida continua…


Então…


Thank you very much…


Nwhjpiehipe]


Ergjve´og


Ergj veojho


Eç jvhojtvh


Eltlj horjhó


Lçj õehj]´r


In next Monday, I see you!


Bye bye!


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