a
a

BallasCast – Episódio 60 – Gabriella Argento – Cirque du Soleil (Parte 4)

EPISÓDIO 60 - GABRIELLA ARGENTO - CIRQUE DU SOLEIL (PARTE 4).


Senhoras e senhores, ladies and geeeentlemans, madames et messieurs, trocadilheiros e trocadilheira dos Andes... Hã? Hã? Está começando mais um…

BALLASCAST…

MÚÚÚSICA!


Olá, olá, olá, seja despropositadamente bem-vindo ao BallasCast, eu estou gostando muito de fazer esse podcast, porque algumas pessoas agora estão começando agora a vir na rua e falar comigo…

“Ballas, eu ouço o BallasCast, eu sou ouvinte”, tal e tal… E dá uma alegria muito, muito, muito, muito grande, então se um dia você me encontrar na rua, pode vir me dar um abraço e falar “Ballas, eu ouço o BallasCast”, porque eu vou ficar muito feliz!

Sendo assim, vamos continuar essa entrevista que tá muito legal, insight Cirque du Soliel, ela que é atriz, palhaça, improvisadora, três espetáculos no Cirque du Soleil, já foi do Jogando no Quintal, Doutores da Alegria, viajou pelo mundo e está hoje aqui… GABRIELLA ARGENTO! Clap your hands!!!


(Música)


– Eu lembrei que quando eu fui fazer o Ted… O ano passado eu fiz um Ted que eu tinha que falar 15 minutos, e eu falei “Ah, tem uma palestra de uma hora, vai ser fácil, pego minhas coisas”, quando eu fui ver, nossa o que que eu falo? O que que eu escolho? Qual… A essência do que eu cheguei, exatamente isso, devia ter falado com você, porque eu acho que eu chegaria mais rápido, porque eu demorei muito tempo pra entender, mas é exatamente isso… Mas do que uma linguagem, uma técnica, o palhaço e o improviso, eles são, eu não chamei de filosofia, mas é legal… Muito legal, mas eles são um olhar pro mundo, que é uma filosofia…

– Uhum…

– Que é uma maneira de ser no mundo, então eu concordo total com você, e aprendi isso a duras penas, eu demorei muitos anos pra aprender… Eu não sou tanto quanto você da filosofia assim, então eu ouvi até, você deve ter vivido isso, os alunos falam “Nossa Ballas, o seu curso foi um curso de vida, nossa, eu aprendi muito”, e eu falava, achava aquilo meio clichê, meio brega aquilo, não isso é coisa de palhaço, não tem essa coisa de curso de vida, não tem essa coisa de curso de filosofia. Mas depois de tanto ouvir, e de gente mais sacada do que eu me dá esse feedback, eu entendi isso que você falou muito bonitamente aqui, que é essa coisa da filosofia, que é maior do que o nariz vermelho, do que o cara em cena…

– É!

– É a gente ser a gente na vida, né?

– Mas a gente como professor também, a gente não pode abrir esse precedente, começar do princípio, ah, vamos estudar a filosofia!

– Sim, claro…

– A gente tem que ir pro concreto…

– Sim…

– Se não vira o terapêutico…

– Sim…

– A gente teve… Você teve muito aluno também que vai procurar como terapia.

– Sim.

– É sim, curativo! Porque você faz as pazes consigo mesmo, mas não é uma forma de terapia, é uma filosofia.

– É, é que ela acaba tendo, meu professor da Bélgica falava, ganhos terapêuticos.

– É, tem! É inevitável…

– E tem pra caramba… Pra caramba!

– É…

– E aí que acaba, que a gente nem pode falar, nem pode vender, que por muitos anos a gente teve esse medo, mas eu hoje até acho que, não nos ouçam quem está querendo fazer porque não é, a gente não quer que o cara venha fazer como uma terapia, mas eu acho que a profundidade e o ensinamento que o cara tem, é muito terapêutico, e é… As pessoas levam pra vida, a gente levou pra nossa vida…

– Claro, eu sou o palhaço…

– Você, você…

– Isso me salvou, é…

– É, então… Você…

– Eu sou o exemplo clássico, por isso que eu sou…

– Você é um exemplo…

– É, eu sou apaixonada pela filosofia por isso, porque eu tenho tudo pra dar errado na vida, todos os ingredientes pra uma pessoa dar errado na vida, vieram comigo…

– Sei… Sei…

– E eu estou aqui!

– Tá aqui no maior circo do mundo fazendo turnê por todos os países e bombando e fazendo o que você faz nesse nível…

– Mais importante, fazendo o que eu amo…

– É!

– Fazendo o que eu escolhi…

– É!

– Porque quantas pessoas hoje em dia podem falar que fazem o que querem de verdade? Como as pessoas trabalham pelo dinheiro, por uma opção que alguém fez elas terem, entendeu? A gente é muito afortunado nesse sentido.

– Fala referências, quem que você acha palhaços incríveis, assim? Que você fala “Nossa, esse palhaço é um palhaço que eu acho incrível, esse e esse…”

Uns três ou quatro assim, que vem na sua cabeça…

– É, então… Eu tenho… eu sou uma palhaça que faz muita lição de casa assim, eu sou uma pessoa também que não tive muito, muito acesso, nunca tive dinheiro pra viajar, nunca tive dinheiro pra estudar fora…

– Porque você nasceu em Santos, né? Não falamos disso, mas você nasceu em Santos, teve uma família que era classe média…

– Nasci em Santos, família de classe média, média…

– Bem média…

– Bem média, que ninguém tinha dinheiro, ninguém tinha referência artística…

– Sei…

– Eu decidi fazer isso, peguei minha mochila, vim pra São Paulo, estudar teatro, fiz teatro no Célia Helena, e eu gosto muito do Leo Bassi...

Leo Bassi, palhaço italiano…

– É!

– Mora na Espanha

– O meu… O meu herói é o Daniele Finzi Pasca...

– Ai, amo! Legal! Bom!

– Eu acho que ele… Se eu tivesse que escolher um, sem dúvida ele é meu top, top. Porquê? Porque ele tem a filosofia!

– Uau, legal! Sim!

– Porque tudo o que ele faz, é de uma preciosidade, de uma poética, o riso não está em primeiro lugar pra ele, ele não está na corrida ao riso sabe, pra ser engraçado… Ele tá na essência humana, e ele tira a graça da essência humana, ele é muito humano, pra mim ele é o top. O Leo Bassi me interessa muito porque ele tem a questão da bufonaria, e ele tem essa questão crítica que também é uma responsabilidade do palhaço, né?

– Legal! Leo Bassi, pra quem não ouviu, tem um podcast inteiro que fala sobre o Leo Bassi. E Daniele Finzi Pasca tem um livro que também é muito legal, que acho que chama “Teatro de la carícia“…

– Isso, “Teatro de la caricia“.

– Isso! Teatro da carícia!

– Que é muito lindo…

– Que é lindo, vale a leitura, mesmo não sendo do teatro, não sendo palhaço…

– Total…

– É um livro lindo…

– Total… Que mais? Mais algum?

– De palhação clássico eu gosto do Tortell Poltrona!

Tortell Poltrona, criador dos Palhaços Sem Fronteiras, espanhol, legal, incrível também…

– Eu não sou muito ligada nesses da atualidade, o Avner… O Avner

Avner Eisenberg também que fez um episódio inteiro…

– Também gosto muito do Avner

– Gênio! Também…


(Música)


– E brasileiros? Tem algum que você falaria assim, pra quem não conhece assim?

– Ah tem um monte, um monte de gente no Brasil…

– O que você falaria?

– O Xuxu é um espetáculo…

– O Xuxu, o Luís Carlos Vasconcelos… Paraíba…

– É… Assim, porque eu lembro do Philippe Gaulier falando, a gente fala muito da diferença de palhaço de palco, palhaço de circo, palhaço disso… Estilo de palhaço. E o Gaulier falava “No fim do dia só tem dois tipos de palhaço, palhaço bom e palhaço ruim!”

– Sei…

– E é verdade entendeu?

– Verdade total…

– Não interessa se o cara escolhe trabalhar com o nariz enorme, cou um sapato enorme, ou uma maquiagem histriônica, ou ele trabalha sem maquiagem, sem figurino, ou ele toca ou ele não toca, né?

– Uhum…

– E eu acho que no Brasil a gente tem um jeito de levar palhaçaria que é muito orientado por toque mesmo…

– Por toque?

– É, pra gente tocar o outro…

– Ah, de tocar…

– É, a gente tá empenhado em tocar o outro assim, a gente não tá fazendo… Porque você vê muito palhaço técnico, né? Nos Estados Unidos, principalmente…

– Sei…

– Na Europa, que eles já tem um nível… A técnica é incrível…

– Legal!

– Eles fazem um monte de coisas… Agora de brasileiro ah, vou falar dos amigos né? A Lu Lopes, eu acho ela uma entidade, a Paola Musatti, a Vera, o nosso ido Domingos… Você…

– Ahhh…

– Gosto muito… Gosto muito do Fernandinho SampaioFernandinho Sampaio… Talvez o Fernandinho Sampaio seja o mais palhaço de todos assim…

– Sim, sensacional… Legal! Muito legal! Muito legal! Você fez palhaço em navio, fez em muitos lugares né? Mas eu me lembro que você fez palhaço no navio…

– Eu fiz!

– Como que você foi parar pra fazer palhaço no navio, e me conta como, que que você fez lá no navio…

– Então meu, é muito louco, porque eu sou uma pessoa de grupo, eu adoro grupo, eu adoro trabalhar em grupo, mas a minha vida sempre me empurra pra fazer algumas coisas sozinha… Eu me apresentei, estava me apresentando num cabaré que é a única cena clássica que eu tenho que se chama “TPM”, que é uma palhaça em TPM, aí depois alguém chegou pra mim e falou assim “Ah, então… A dona dos cruzeiros ibero e não sei o que, viu você e quer te contratar pra um show no navio, você tem um show solo?”

Tenho nada, né? “Tenho, claro”, “Ai que legal e…”

– E desculpa, parênteses, isso é muito do palhaço também né?

– Muito!

– É porque o palhaço aceita tanto, ele está treinado tanto a aceitar as coisas, aceitar a situação, aceitar as propostas, que quando vem alguém… “Ah, você tem um show em navio?”

– Tenho, claro…

– Claro que eu tenho…

– E vai pro desafio…

– Não, foi a maior cara de pau da minha vida, mandei um release pra mulher com uma foto…

– Com um show que não existia…

– Com um show que não existia, descrevendo um show que não existia… E a louca comprou, não é problema meu! Ela comprou! Entendeu?

– Sim…

– Ela viu 5 minutos meus em cena…

– Sei…

– E me contratou pra fazer 16 espetáculos…

– Uau…

– No navio…

– E aí?

– E eu estava num ano muito ocupado, eu estava trabalhando com orquestra, que eu faço muito concerto didático pra criança, fazendo opera, fazendo um monte de coisa, tava super ocupada, aí eu vi a minha agenda, tal… OK… Embarcava dia 18 de dezembro, meu ultimo compromisso era 29 de novembro… Ok, esse ultimo compromisso depois 20 dias…

– Você vai lá e cria o espetáculo…

– Crio o espetáculo fácil…

– Aham…

– Como sempre na minha vida, eu tive um problema… Que nem vale a pena comentar, mas um problema pessoal muito sério, muito sério, e eu fiquei em estado de catatonia…

– Nossa…

– Eu ficava tipo quatro horas na minha cozinha sentada olhando pra minha parede, assim, sem fazer nada…

– Nossa…

– Aí eu olhava pro teto e falava assim “Eu tenho que criar um espetáculo, eu tenho que criar o espetáculo, hoje é dia 10”

– Nossa… Que é muito legal, você tá falando um parênteses, porque as pessoas acham, primeiro que a gente que é palhaço é feliz o dia inteiro, que a vida é só cor de rosa, e que a gente chega assustando as pessoas e fazendo todo mundo rir o dia inteiro, e não sabe que esse processo de criação, ele muitas vezes pode ser doloroso, árduo e difícil, principalmente se você está tipo, nessa situação… E daí você tava lá…

– Difícil… E aí os dias passando e eu na cozinha, e eu não criando, e eu não criando… E eu falei “Bom, agora eu preciso, porque eu preciso desse dinheiro”…. Precisava do dinheiro pra viver, pra pagar conta…

– Sei…

– Aí, eu falei “OK, eu vou pegar todos os meus figurinos”, peguei todos os meus figurinos de palhaço, todas as minhas malas, meu computador com as minhas músicas e fui pro barco. Eu falei “OK. Eu tenho uma cena aqui, uma cena ali e tal…”

Embarquei, que deu um super bafafá porque eu tinha uma cena com faca…

– Ixi, não pode passar…

– E aí fiquei 4 horas pra entrar no navio que não podia, tal… E aí no dia que eu embarquei, eu dormi, porque eu estava num estado de esgotamento, eu estava tão nervosa, eu embarquei e apaguei…

– Aham…

– Só que o meu telefone estava desconectado, então disse que todo mundo ficou atrás de mim, ligando na cabine, que ninguém me achava, e aí virou um boato, “a menina das facas”, porque uma faca já virou dez… “Ela se matou”…

– Nossa…

– Vocês não sabem o que foi! E aí eu passei três dias no barco observando as pessoas, observando onde eu estava, que tipo de plateia que era, quanto tempo de show eu tinha, e eu fui criando… Criei o espetáculo nesses três dias no barco. Aí na noite que eu fui fazer, acho que alguém me perguntou “Quais são os seus maiores medos, né? O que que você tem medo?”

Eu sou muito medrosa, eu tenho medo de tudo… Tenho muito medo das coisas e nesse dia eu estava aterrorizada, porque eu não tinha nem ensaiado, eu tinha pensado o espetáculo. Aí eu estava de palhaço na cabine, pus o nariz, tava com a roupinha de baixo, aí eu sentei na privada da cabine, e comecei a conversar com Deus… De nariz, de Do Porto

– Que cena boa, de nariz, de Do Porto, que é o nome da sua palhaça…

É o nome da minha palhaça…

– Uau… Sentada na privada, de nariz, conversando com Deus…

– Com Deus… Eu falava “Deus, eu sei, eu sei que eu não presto, eu sei que eu faço tudo errado, mas só me ajuda nessa, mais essa, só nessa, só mais uma por favor, vamos conversar juntos… O que que pode dar de mais errado? Eu vou lá e aí eu começo o espetáculo, aí começa a levantar uma pessoa, aí começa a levantar outra, e eu continuo fazendo, eu continuo fazendo… Aí eu vou vendo que vai ficando vazio, aí uma hora eu vejo que não tem mais ninguém na plateia e aí eu continuo… Aí acendem a luz na minha cara, aí o diretor do cruzeiro chega pra mim e… Então Gabriella, é, seu material não era adequado, tal, não sei o quê, a gente vai cancelar o seu contrato… Oh Deus, eu não conheço ninguém aqui né? Então vai estar todo mundo bêbado mesmo. Tudo bem né? Eu peço um empréstimo no banco, devolvo o dinheiro que eles me pagaram, meus amigos não estão sabendo o que eu estou fazendo, ninguém tá vendo… Tudo bem, né? Então segura essa pra mim, e vamos lá!”

E eu fui e fiz…

– Foi e fez… E foi legal o show?

– Foi super legal, tanto foi legal que ela quis me contratar pra fazer um navio maior depois…

– Uau…

– Foi na época que eu fui pro Varekai. Eu estava com duas propostas, ou o Varekai, ou uma longa temporada num navio de 6 mil pessoas, tal…


(Música)


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um episódio (AAAHHH) mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH)

Muito obrigado pela sua presença constante, pra quem tá ouvindo constantemente o podcast… Muito obrigado pra você que está chegando pela primeira, segunda vez.

Quem ainda não se inscreveu no BallasCast, que é um grupo que a gente tem no Facebook, se inscreve lá, porque é muito legal. Tem desconto pro workshop, tem ingresso pro Noite de Improviso, tem informações exclusivas, tem comentários de leitores, coisas muito legais, poucas informações e boas… Assim é que deve ser a vida, poucas e boas!

E agora vamos para o nosso momento merchand…

“Ballas, eu tenho uma empresa e quero te indicar para o RH para que você dê uma palestra para todos na convenção, como é que que faço?”

É fácil!

Eu tenho uma palestra de improviso e criatividade e um workshop de improviso e criatividade corporativo, basta você me indicar para o pessoal do seu RH e dar o meu site marcioballas.com.br.

É isso aí…


Thank you…

Danke… Muchas gracias…

Skrçgkv eog

Eçrg jçerjgpoEçrç jgvçkerjgv

Elkrjgv ejk jg er

Thank you very much.

Bye bye!


Comentários

Loading Facebook Comments ...