a
a

BallasCast – Episódio 67 – Buda: O mestre dos jogos (Final)

EPISÓDIO 67 - BUDA: O MESTRE DOS JOGOS (FINAL).


Senhoras e senhores, ladies and geeeeentlemaaaaans, madames et messieurs, mordomos e mordomas, está começando mais um…


BAAALLASCAAST!!!


MÚÚÚSICAA!


Olá, olá, olá, seja intempestivamente bem-vindo ao BallasCast, eu estou recebendo mensagens do Brasil inteiro, mensagens de fora do Brasil, o que é muito legal de saber que tem gente do mundo inteiro… Tem gente de Portugal, tem gente do Japão, tem gente de Camberra – que eu não sei onde é – que me mandou uma mensagem no BallasCast… Enfim, gente from around of the world... Eu adoro essa palavra… WORRRLD… Que é W-O-R-LLLLLD!


Então bem-vindo você, do mundo inteiro ou da estação espacial… E hoje eu vou pra ultima parte da entrevista com ele que é mestre dos jogos, ele dá aula de jogos na GV, ele dá aula de design de jogos, ele cria jogos, ele vive jogos… Com vocês, Fernando Tsukumo, o Buda!


PALMAS!!!


(Música)


– Buda, vamos começar com uma pergunta do Daniel William, que é lá do grupo BallasCast, que é o grupo que a gente tem no Facebook, que escreveu… “Adoro os jogos modernos, qual a sensação e experiência diferentes ao se jogar esses jogos modernos frente aos clássicos de nossa infância?”


– Né? Lembrando que jogos modernos, a gente já falou isso no episódio primeiro, mas assim, que que você diria aqui… Como você definiria os jogos modernos de tabuleiro?


– Os jogos modernos na verdade, eles são muito mais um feeling, do querealmente uma classificação, né? Mas eles tem um marco, lá em 1998, quando o Catan foi lançado…


– Colonizadores de Catan?


– Colonizadores de Catan aqui no Brasil, né? Ele foi um marco, que na verdade foi um sucesso de venda, foi um big hit, ele vendeu mais do que o Halo, que é aquele jogo digital, né? Então ele foi um marco, porque ele uniu várias tribos de jogadores, e principalmente porque ele resolveu várias dores, que normalmente tinham em jogos de tabuleiros antigos, né? Então os jogos modernos, aproveitando isso, eles tem como uma coisa nova, ter uma… Um foco maior na experiência do usuário, e como eles tem isso, eles acabam eliminando certas experiências que eram muito negativas nos jogos de tabuleiro…


– Por exemplo?


– Como por exemplo, eliminação de jogadores… Se você joga ou já jogou WAR, você sabe quantas horas que você ficou olhando alguém jogar…


– Sei…


– Porque você tinha sido eliminado, fica uma vez sem jogar, então quando você rola e cai numa certa casinha, você ficava uma vez sem jogar, ficava só vendo os outros jogar… Quer dizer, o legal é você jogar, não ficar vendo os outros jogar, né? Você deixa os outros jogarem porque tem a competição, mas o legal é você jogar, né? Então eles fizeram essas, várias modificações, tem uma série de outras também, pra poder fazer com que ficasse mais agradável, então ele traz essa ideia do design, que é essa coisa de você olhar para o usuário pra poder desenhar alguma coisa, né?


– Aproveitando a pergunta dele mesmo, ele fez uma pergunta bem difícil, que eu achei bonita, aqui ó… “A concepção/criação de um jogo de tabuleiro seria uma forma de arte passível de apreciação estética, considerando não apenas seu aspecto visual tátil, mas seus sistemas e mecanismos?”


– É, eu acho assim, estética é uma coisa bem importante pra esses jogos, principalmente pela experiência de você pegar, o sensorial é muito importante, né? No tabuleiro, então o material que eles usam, muitas vezes é madeira, e isso é muito gostoso… Ou então um material mais pesado, é uma cerâmica que eles usam que é mais pesada, ou uma coisa que dê um feeling diferente, né? Eu tenho um amigo que ele é designer gráfico, ele faz uma série de jogos, ele é dono de uma editora também, o jogo pode ter uma mecânica incrível, pode ser uma delícia de jogar, mas se for feio ele não joga…


– Ah, quem é? Podemos revelar o nome?


– É o Luís Francisco, ele é um dos, ele é dono da editora, da Mandala Jogos, né?


– Sei… Que legal…


– E é um baita de um designer, ele é o que fez o C.O.P e o Resistance


– O C.O.P… Adoro!


– E o designer gráfico é dele, né?


– Uau…


– Então ele é um baita design, realmente ele tem essa ligação estética com o jogo, né? E a gente até faz uma brincadeira com ele, porque ele realmente curte muito isso…


– Quem são os fabricantes de jogos no Brasil assim, tentando não esquecer ninguém, mas se esquecer… Esqueceu…


– A gente tem disparado a Galápagos


– Sei, já fui lá, muito legal a galera lá!


– A Galápagos que tem é, já um pioneirismo na área, e que ela fez por merecer ser a maior, porque realmente ela acreditou quando ninguém mais acreditava ainda… Então ela insistiu muito nisso, imagino que por muito tempo eles nem tenham ganho dinheiro, devem ter penado muito, mas que na hora em que o mercado estava pronto, eles estavam lá em pé. E isso fez com que eles fielmente, estourassem, e virassem essa editora, que é tão grande hoje, que tem uma, ela faz frente com a Grow e com a Estrela, que são duas grandes…


– Uau…


– Principalmente a Grow, né? São grandes editoras, né?


– Muito legal você falar da Galápagos, porque eu conheci o Dixit, que eu já falei em todos os episódios e volto falar que é o meu jogo preferido do mundo, um portal de entrada, se você não conhece, vá, compre e jogue! E eu conheci o Dixit e pirei, e comecei a apresentar pra muitas pessoas, muitas pessoas mesmo, fazer jogatinas em casa, muitas… Muitos… Todo mês tinham dez, quinze pessoas, todo mês, todo mês… E eu comecei a dar de presente de aniversário, eu comprei mais de vinte, sem dúvidas, hoje eu acho que deve ter passado de trinta assim, e chegou uma hora, eu falei, “meu, eu vou ficar pobre”, porque não são jogos baratos, porque claro, tem um design lindo, que nem você falou, o jogo é maravilhoso, quer dizer, é um jogo tão bonito, é um efeito que você, quando você vê, você não acha caro, mas claro, quando você dá um monte, eu falei “putz, eu preciso conhecer essa fábrica aí, porque eu preciso ser um cliente VIP deles, né?”


Então eu fui lá e eles me receberam super bem assim, e o que é muito legal, eles me mostraram , me deram um outro jogo muito bacana, que é o 7 Wonders, que eles que fazem também…


– Isso… É um jogo que é um classicão também, é do Antoine Bauza também, que é o…


– Ah… legal!


– O cara que é super bam-bam-bam, né? E ele é muito bem redondinho, é muito gostoso…


– É muito legal, o Dobble também, eu conhecia a versão gringa e eles me mostraram lá também, e eu adorei. E o que é muito legal conheci, conheci lá um pouco e tal, eu fui super bem recebido mesmo, e aí no final ele falou “então Ballas, a gente joga aqui toda semana, toda acho que, sexta feira”, eu falei “nossa, que legal, uma empresa que toda semana tem jogo, é incrível”, e aí ele me convidou para jogar, e em breve eu irei lá na Galápagos jogar com vocês, galapagaianos… Quem mais faz jogos?


– Tem depois, duas grandes um pouco abaixo dessa, a Mandala e a Conclave, são duas bem grandonas que estão…


– Sei, também…


– Mandando muito bem, a Mandala em específico, ela está fazendo uma curadoria de jogos muito bem feita, então ela trás umas pérolas de vez em quando, que ninguém conhece, e que são jogos muito, muito bons, né? Então é legal ficar atento pra elas, né? E também correndo por fora, a Grow, ela está agora entrando nesse mercado. A Grow tentou, durante muito tempo lançar jogos modernos, em vários pontos da história dela e nunca teve muito mercado. Tem muita gente que acusa a Grow de nunca ter feito muito por esse mercado, mas não é verdade! É porque ela errou no time, ou seja, errou ou não, mas tipo, ela tentou vários jogos que o mercado não estava pronto ainda, né? Se fosse hoje ela faria o maior sucesso, e aí ela ter trazido alguns títulos muito bons também…


– Me fala uma outra coisa que eu lembrei que você, no seu TED, quando a gente tava, né? Te dei uma mãozinha pra fazer o TED, você falou sobre uma experiência no SESC, que os pais vinham jogar e os filhos, como é que é essa história?


– É galera, o Ballas… A modéstia dele não deixa eu falar, mas o Ballas foi meu coach de TED, tá? De TEDx


– Coach de TED?


– Então ele foi incrível mesmo, foi uma experiência bem legal, mas assim, o que tem de interessante é que as vezes, nas oficinas, tem essa coisa do adulto não jogar, né? Não brincar! E ai, ás vezes, só aparecem umas crianças pra jogar e aí eu falo assim “Olha, o jogo precisa de quatro pessoas, né? Você precisa, tenta conseguir mais gente, e vem que eu te ensino, né?” e uma vez vieram duas crianças que não se conheciam, elas vieram jogar, elas… Pedi pra chamarem mais duas, precisava de quatro. E aí daqui a pouco trouxeram… Cada uma delas trouxe seu pai… Então ficaram dois pais e duas crianças jogando, né? E o que foi mais interessante é que depois de algum tempo as crianças enjoaram, eram crianças pequenas, enjoaram e foram fazer outras coisas, e os pais continuaram jogando um contra o outro, né?


– Ficaram…


– Então aquele jogo que é aparentemente de criança, aquele jogo que a gente chama de familiar, que é bom pra todo mundo, e que falaram “É, eu vou ficar aqui”, né? Mas é capaz de eles terem chegarem depois com os pais e “Pai,  vamos fazer outra coisa”, “Não, peraí que eu estou jogando”…


– Sensacional… É porque isso é muito legal, a gente fala “não, você precisa jogar”, volto a falar, o jogo não é pra criança apenas, é pra criança, é incrível também, mas os jogos são também pra adultos, né? E você falou isso também, que é muito legal pra que tem filhos, sobrinhos e etc… Que é muito legal vários tipos de jogos são familiares, e nem é aquele jogo que você precisa ficar fingindo que você gosta, porque tem alguns jogos que claro, são mais infantis, que você vai brincar, mas é um jogo de criança mesmo, mas assim, vários desses jogos, a gente mencionou aqui o Dobble, tem um que eu jogo direto aqui com os moleques que chama Piratas, que é um jogo que eu adoro… E os moleques, o meu filho de sete anos ganha direto assim, e não é que eu deixo ganhar, até porque eu não gosto de deixar ganhar, regra é regra, jogo é jogo, tem que jogar pra valer… Então ele, a gente joga juntos com eles, o Concept também, que é um jogo familiar, que a gente joga junto aqui m casa, tem muitos jogos que todo mundo se diverte, então é muito legal porque está todo mundo sentado numa mesa, brincando e se divertindo junto, adulto, criança… E isso é muito bacana, né?


– É. Você falou isso de pais que não deixa perder, não deixa ganhar, né? Tem pais que gostam de deixar seus filhos ganharem sempre, né?


– Ah não…


– E eu falo sempre pra esses pais pra tentar deixar eles perderem de vez em quando e ver como é que eles lidam com isso, né? Porque eles precisam ter uma familiaridade com isso, porque eles não tiverem isso no jogo, não vão ter na vida, né? Então também, eu acho que, tem pais que nunca deixam seus filhos ganharem, né?


– Sim… Não precisa ser… Sim…


– É isso! Eu acho que é uma experiência que, você é dessa área, eu acho que é uma experiência empática, você perceber como é que o seu filho está se sentindo, se você só ganha dele e ele está aguentando, ele tá curtindo essa competição pra ter o desafio de ganhar, continua ganhando dele, beleza. Mas toma cuidado, pra aquele pai que sempre só ganha, não desestimular seu filho e fazer com que ele perceba que ele nunca vai conseguir ganhar…


– Exato! É o que eu falei pra vó outro dia, a avó sempre… Porque vó, é vó, né? Então não tem nenhum problema, mas a vó sempre deixava ganhar “ah, você ganhou”, eu falei “Não, deixa, ele precisa aprender”. Até porque quando ele ganhar ele vai sentir “Meeeeu… Ganhei mesmo, né?”


– Exatamente! Exatamente! E aí assim, eles percebem também quando você tá deixando eles ganhar, né? E eles não sentem que  aquela vitória, daqui a pouco eles percebem que aquela vitória não foi realmente legítima, né?


– Legal…


– Então, tem que ter essa ideia também…


– Ontem a gente jogou o Dobble, né? E meu filho pequeno jogou junto, e claro, os mais velhos jogam mais, são mais astutos e chegam mais rápidos nas figuras, e descobrem as figuras, mais rápidos, então o que que a gente fazia? Uma vez que primeiro ganhava, a gente deixava, o segundo, o terceiro, e ele… Deixava até achar, então quando chegava a vez dele e ele achava, ele beleza, ele não era o primeiro, mas a gente esperava ele ter o momento que ele tinha aquela vitória dele, então, concordo total, eu não deixo ganhar, sou mega rigoroso, pra mim regra é regra, eu sou muito, muito, muito restrito com regras, mas é claro, né? Não é que eu não deixo nunca ele ganhar. Eu percebo quando as vezes você tem que dar uma amolecida, ou tem que dar uma facilitada, porque claro, a gente sabe mais do que eles, então a gente está numa competição que é desleal em alguns tipos de jogos, então, ou as vezes eu falo, “tá, vamos virar as figuras”, com os mais velhos, e com os mais novos né? Eu tenho três, né? Então “vamos virar, Artur vira primeiro, depois vira o Davi, depois vira o Luísa“, então o Artur tem mais tempo, a Luísa tem menos…


– É um…


– É…


– Tá certo!


– Então cada um vai ter o seu jeitão!


(Música)


– Agora, você falou uma coisa que eu queria também te perguntar, porque a gente trabalha muito dentro do improviso, eu acho que o jogo tem muito isso, que é o erro, né? O erro faz parte do improviso, o erro faz parte da criação, quando dou aula, palestra da criatividade, quando eu faço os workshops de improviso e criatividade nas empresas, e eu falo muito disso, que o erro faz parte do processo criativo, tem que errar, e no improviso a gente brinca, a gente joga com o erro, e muitas vezes o erro é transformado em um momento mais legal da cena e muitas vezes, é aquela hora que deu errado. O jogo acho que tem um pouco disso também, o que que você falaria disso?


– O jogo tem MUITO isso, né? Eu acho que a partir do momento que eles são recortes e são laboratórios, testar hipóteses, né? Ele tem a ideia de que se você errar, você pode tentar de novo, né? E que você agora, não vai estar no mesmo ponto que você estava quando você começou o outro jogo, você agora vai sabendo que você não pode cometer o mesmo erro. E aí você vai estar mais perto de fazer alguma coisa melhor, de ter um sucesso maior, então eu acho que não é a toa que as empresas estão chamando tanto pra fazer improviso, pra lidar melhor com o erro, porque na verdade, em grandes corporações é muito caro errar, só que ao mesmo tempo, se eles não errarem eles não aprendem…


– Sim…


– E eles perdem velocidade, perdem performance… Então na verdade, o que eles estão tentando fazer é com que você lide melhor com esse erro, e que aceite melhor a possibilidade de você errar, né? Pra que realmente você transforme isso num degrau.


– Perfeito! E porque, eu falo pra eles, a gente experimentar fazer, a gente mesmo as vezes, experimenta jogos novos, jogos mais difíceis, mais ousados, então você está sujeito ao erro.


– Não. E hoje em dia a quantidade de informação que a gente tem, é impossível você dar conta de tudo pra não errar, então inevitavelmente você vai errar!


– Isso!


– Então a ideia é que se você tem que errar, erra rápido, porque aí você aprende rápido e aprende logo o que tem que fazer…


– Isso… Muito legal! Fail fast! E vai com tudo, e erra com tudo… No improviso tem uma coisa interessante que, muitas vezes a gente joga o jogo e ele é tão bom, que ele não fica tão divertido, e vezes tem alguém que joga menos mas tá tentando, obviamente não é errar, quando eu falo em erro, também isso eu falo na palestra assim, eu não tô falando fazer coisa fora da lei, fazer desleixo, não é isso. Muito pelo contrário, eu tento com tudo, com afinco, eu vou pra experiência, eu vou pra experimentação, aí a gente vai ver o que dá, e aí o que sai a gente vai trabalhar com isso.  A gente vai aprender, vai refazer, ou as vezes a gente vai encontrar uma coisa nova que a gente nem tava pensando que podia acontecer, outro dia a gente achou um jogo novo, porque alguém não entendeu a regra direito, então ao invés do professor parar o jogo ele deixou o cara errar, todo mundo riu, foi engraçado, eu falei “Putz, esse pode ser um jeito diferente de jogar”. Então a gente vai achando maneiras, vai errando, vai errando com tudo, e aí o erro, ele faz parte da criação e quem sabe, vez ou outra, vai surgir algo novo que a gente nem sabia que podia acontecer, né?


– E é muito louco porque isso na verdade, tem vários momentos na história, que você vê que esse erro é usado, se você tem o olhar pra isso, você usa esse erro muito positivamente. Então, vencendo a penicilina é um suposto erro, mas se o cara não tiver essa cabeça de olhar pra aquele erro como uma coisa que pode ser boa, nunca teria inventado a penicilina, né? Então a ideia é essa.


– Legal… Muito legal! Pra gente falar de mecânica, né? No improviso a gente tem as mecânicas dos jogos, que são os elementos que tem por trás de um jogo, que são muito importantes pra jogos de improviso, todo jogo tem uma mecânica?


– Sim…


– Fala um pouco, acho que pro leigo, acho que talvez não seja uma palavra tão obvia…


– Sim. Mecânica a gente fala que é a alma do jogo, então pra quem jogou qualquer jogo, as vezes o jogo é lindo, maravilhoso, super bem feito, mas você joga e faz “Nossa, esse jogo é ruim”…


– Sei…


– Por que que ele é ruim? Porque a mecânica não é bem feita…


– Ah, legal…


– Então o que vai trazer realmente a jogabilidade, aquela coisa incrível, é a mecânica, né?


– Você me falou que no TED você passou por uma experiência com o erro… Conta pra gente…


– É, a minha fala do TED, pra quem vê no vídeo fala “Nossa, ficou legal”, e lá no dia, no palco, foi cheio de erros, né? Desde a diretora de arte, da direção de arte que deu um monte de dificuldades lá, até partes que eu esqueci, umas duas ou três vezes que eu parei, e tive que parar pra lembrar, né? E o que é legal é que, como eu estava vindo já num processo de improviso muito forte, né? Eu estava fazendo toda semana, eu estava fazendo num período de três horas, né? Eu estava com essa cabeça, com esse modelo mental de improviso, né? Então toda vez que eu errava, fazia alguma coisa errada, na minha cabeça, eu falava… Pode falar palavrão?


– Pode!


– Eu falava “foda-se”, que a palavra mais incrível que tem nessa hora, né? Daí eu falava “foda-se”, e aí eu, a coisa ia, e aí eu fazia pequenos errinhos, quando eu via a galera tava gostando também, porque acho que eu fiquei mais relaxado em relação a isso e a galera entrou junto, e aí quando eu percebi que a galera entrou junto, ai que eu relaxei e comecei a parar de errar tanto. Então essa coisa do compromisso relaxado, que é o que você fala do improviso, foi muito útil pra mim, por isso que eu acho que eu sou muito fã dessa coisa de improviso mesmo.


(Música)


– Buda, pra gente ir encerrando, eu queria que você falasse, pra educação mesmo, agora a gente falou muito de jogo adulto, adulto e tabuleiro, mas o que que você acha que as crianças aprendem jogando assim, nesses jogos de tabuleiro especificamente, que é diferente por exemplo, do jogo online, que não tem nenhum problema, né? Mas assim, jogo online ele tá lá sozinho e tal, num jogo de tabuleiro, quando ele se reúne, quando junta os amiguinho lá… Que aprendizado você acha que a molecada tem?


– É, eu acho que por mais interativo que seja o jogo digital, hoje em dia você tem microfone, você tem internet…


– É, né? Tem aquelas coisas…


– Hoje em dia você joga em equipe e não sei o quê, por mais que seja, os jogos digitais eles são tão, têm um ritmo tão rápido e mudam tanto os seus sentidos, que não dá tempo de você realmente se relacionar significativamente com outra pessoa, então eu vejo filhos de amigos meus jogando, e eu vejo como eles falam coisas absolutamente técnicas um para o outro, pra ter o melhor time, é como se fosse o exército mesmo, né? Então não dá tempo de você perguntar “E aí como é que tá a sua família?”


– Aaahhh…


– E principalmente não tem uma coisa que eu acho mais importante, que é o olho no olho…


– Sim, olho no olho…


– Sabe?


– Sim! Claro!


– Então você poder olhar no olho do outro, negociar com ele, conversar com ele, ter até uma pausa pra falar “E aí, como é que estão outras coisas”, fora do jogo, isso é um pote de ouro que pouca gente aproveita jogando jogo digital. Então quando você tá reunido em volta da mesa, você ter o pretexto pra ficar quatro, cinco horas, em volta de uma mesa, conversando sobre nada, é a melhor coisa do mundo. E é isso que forma aquelas grandes relações, reforça os laços que você tem na sua família, e também gera melhores resultados de trabalhos, então assim, todos os âmbitos você vai ter melhores relações, então isso é a coisa, acho que mais me motiva nesse trabalho todo, é o que eu acho que o jogo tem pra entregar no mundo. O jogo analógico, né?


– Para os filhos, tipo, eu sempre falo, mas eu falo leigamente assim… Que que você acha que tem de, o que que o moleque aprende jogando? Qual que é o tipo de jogo? Que coisinhas?


– É eu acho que tem isso, né? Essa coisa do eu faço a hipótese, que se trabalha tanto na teoria, na escola, que é hipótese, teste… Observação, hipótese e teste… E aí formulação da sua teoria, enfim, tudo isso é feito na prática do jogo…


– Jogando…


– Então quando você vai, testa uma estratégia e essa estratégia não dá certo, e aí você perde o jogo, o que seria muito caro pra você fazer fora na sua vida real…


– Sei…


– No jogo é extremamente barato, porque você perdeu algumas horas pra aprender que você pode, não deve fazer isso de novo, ou que você tem que tomar cuidado com isso, né? Então numa situação análoga na vida, depois, onde tem uma analogia com aquele jogo que você teve, as vezes até, nem conscientemente você vai lembrar disso, e aí você vai falar “não, eu tenho que agir de outra maneira”. E aí você está moldando comportamentos pra lidar com dificuldades da vida mesmo, e essa é a ideia que a gente falou lá no primeiro capítulo, lá na primeira parte, que era brincar é se preparar para o inesperado, né? Então você realmente esta se preparando pra coisas que você nem sabe que vai vir, né? Não a toa, animais que tem, que são tidos como inteligentes e sociais, quanto mais inteligente social, mais eles brincam…


– Ah é? Olha só!


– É, então você vai ver a parte da brincadeira dos filhotes, ela é muito forte porque eles estão realmente gerando repertório pra lidar com coisas da vida, então leões filhotes, estão brincando de caçar…


– De brincadeira primeiro?


– É, e pra que brincar? Pra poder na hora que precisar caçar de verdade, já terem algumas habilidades que eles precisavam…


– Buda, pra gente encerrar, eu queria que você falasse três jogos portais assim, pra introdução. Pro cara que tá ouvindo não falar “nossa, por onde eu começo?”


Fora o Dixit que é O jogo, o melhor jogo do mundo, que eu acho, e foi eleito inclusive, né?


– Sim…


– Teve uns campeonatos…


– Ele é um dos jogos mais premiados da história.


– É né? Então o Dixit D-I-X-I-T. Compre, porque é muito legal, esse é o primeiro, número um, na minha opinião. E quero que você fale três portais primeiro, de iniciação assim, legais.


– Tá bom! Então primeiro, como jogo cooperativo, que é um dos jogos, do tipo de jogos que eu mais gosto… Ilha Proibida, ou Forbbiden Island, em inglês, né?


– Ilha Proibida, legal…


– Você tem também um jogo bem levinho, bem tranquilo, mas que é um jogo quase que filosófico que eu gosto muito, porque são dragões viajando no céu, e aí eu falo que se você deixar o outro determinar o seu caminho nesse, nessa história, você pode acabar se dando mal, e ela se chama Tsuro.


– Tsuro?


– Tsuro! T-S-U-R-O!


– T-S-U-TSURO!


– Tsuro!


– Tá.


– E o terceiro?


– O terceiro é um jogo bem antigo, chama Set. Você tem que achar padrões em trios de cartas pra poder pegar e quem achar primeiro, e assim, é bem cerebral, é um jogo que você fica observando as vezes um minuto em cima…


– Esse é muito legal…


– Com dez pessoas e ninguém sabe qual que é o padrão…


– Esse é muito legal… Eu joguei, é Set, como que escreve o nome?


– S-E-T!


– S-E-T sem o e no final…


– Set, é coleção!


– Tá legal! Putz, esse é muito legal, jogamos naquele dia, muito…


– A Copag lançou a muito tempo e acho que eles continuaram, mas você encontra por aí e principalmente lá fora.


– Set! Muito bom! Eu vou me aventurar falar os meus também, Codinomes… É um jogo que eu amo!


– Sensacional! É um jogo pra fazer associações inusitadas…


– Isso…


– E acho que é por isso que você gosta tanto…


– Nossa, eu adoro, ele é inteligente, ele é simples, a gente joga de galera, tem uma galera, que gruda e vem aqui em casa jogar, a gente joga de doze pessoas, seis contra seis, sete contra sete, não tem… Pode jogar oito contra oito, né? É muito legal… Codinomes


– Total part game


– Part game legal… É divertido, esse inteligente também… Concept, que é um jogo de conceitos que é incrível… Eu não sei se eu tô explicando certo, mas ele é quase uma versão do…


– Imagem e ação


– Do Imagem e ação, né?


– Só que com ícones…


– Só que com ícones e com siglas…


– Que apresentam ideias, por isso que se chama Concept, né?


– Isso… Que é muito legal, é muito inteligente, interessante, inclusive trouxe estava jogando só com a minha mais velha, meu pequeno quis jogar, tem sete, oito anos agora ele tem, e falei “putz, eu não sei, ele é pra mais de dez anos, vem e tenta…”


Meu, o moleque pegou já na segunda rodada e já tava jogando… E o terceiro é o Piratas, que é um jogo que eu jogo com as crianças semanalmente, demais… Eu adoro jogar, é pra adulto, é pra criança, é tipo o Dobble que a gente falou bastante, montar mais um…


Falei quatro, tudo bem que o podcast é meu… Mas é tipo o Dobble que eu dou tipo, todo aniversário, todo presente de aniversário que eu dou, eu dou o Dobble que é um jogo tipo Lince, tipo esses jogos de você reconhecer que a cada carta tem uma figura igual na outra. Todas as cartas tem pelo menos uma figura.


– É, essa mecânica chama reconhecimento de padrão…


– Ah então…


– Então você… O que é incrível nela, é que ela tem um algoritmo incrível pra montar as cartas, onde cada carta tem uma coisa em comum com a outra, nem sempre é a mesma pra outra carta, então cada carta vai ter uma coisa em comum, e é uma coisa só apenas… Então é incrível…


– Só uma… Então é muito legal… Uma carta que você tem que olhar no outro… “Ah o óculos”, então é simples, criança de quatro, cinco, seis, sete, oito, até adulto adora jogar junto… E por ultimo, eu quero cinco jogos, porque esse você gosta, esses são os jogos de jogador mesmo assim, da atualidade, que eu sei que você tem milhares de jogos, ele tá colocando a mão no olho, ele tá sofrendo…


– O melhor jogo que eu tenho, não… O melhor jogo que eu jogo hoje em dia, é aquele que eu tô jogando agora…


– É o do momento…


– É o do momento… Mas assim, eu estou numa vibe, numa hipe assim total, de jogos legacy, e o que que é o jogo legacy? É um jogo que tem um conceito novo que é, o eu você faz na sua primeira partia, ela deixa consequências pra segunda, e assim por diante…


– Ah tá!


– Então o que acontece é como se você tivesse vivendo numa série de tv. Então por exemplo, só que aí você tá sendo protagonista, então interessante é isso, como você tem jogos digitais hoje, e parece que você está vivendo uma série de TV sendo protagonista dela, tem esse coisa do jogo de tabuleiro onde você vai ter várias, capítulos acontecendo um atrás do outro, e que vão mudando um pouco o tabuleiro, então tem adesivo pra colar, tem carta pra rasgar, tem história que você vai destravando e vai lendo, então tem, o que é incrível nele, é que ele tem toda uma história, uma contação de história do começo ao final, onde você entende o que tá acontecendo e sente muito dentro do tema, né? Então dentro desse, eu tô jogando Pandemic, joguei Pandemic season one, olha como ele chama, chama season one, como se fosse uma série…


– Pandemic em português é o Pandemia!


– Pandemia! É…


– Tá legal, eu joguei esse…


– Então Pandemic season one, Panemic season two é o que eu estou jogando agora, tô no meio, tô em julho, porque ele normalmente de janeiro a dezembro, né?


– Nossa… Incrível…


– E eu estou jogando um outro chamado,  que é um jogo basicamente de rpg, só que sem mestre… Ele é, ele tem a temática de rpg, só que a mecânica é e um jogo euro, né? Então… É isso! E tô jogando alguns novos, tem o Fotossíntese da Mandala, que é um jogo fantástico… Aliás inclusive, pra quem tá um pouco mais que começando, já é um pouquinho fã, é um jogo fantástico o Fotossíntese, e tem um outro que foi lançado agora de um autor que eu amo que é o Uew Rosenberg, que é o autor do Agrícola, vários jogos clássicos, que chama Um Banquete pra Odin, que inglês chama A Fest For Odin


– Muito legal! Bom, eu vou deixar uma lista com os jogos recomendados pelo Buda… Vários, vários jogos no BallasCast, e sendo assim Buda, queria uma frase final pra encerrar esse podcast, que tem a ver com jogos, que tem a ver com o que você quiser, afinal a frase é sua… The frase is yours


– É uma frase que eu terminei o meu TEDx, que é OS JOGOS NOS DÃO A OPORTUNIDADE DE DEIXAR DE SER O PEÃO DO DESTINO E SER O JOGADOR DO SEU JOGO…


– Uau…. Fala de novo… Fala de novo…


– Os jogos nos dão a oportunidade de deixar de ser o peão do destino e começar a ser o jogador do seu jogo…


– Uau… De quem é essa?


– Ah essa frase, eu fiz pra encerrar o TED, foi na fala do TEDx


– Olha… O cara faz jogos e faz frases, senhoras e senhores… Sendo assim, terminamos a nossa entrevista, com Fernando Tsukumo… O fraseiro e jogador… Obrigado Buda!!!


 


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um episódio (AAAHHH). Mas semana que vem…


– Tem mais!


(EEEHHH)


Obrigado você qu ouviu até agora, eu vou deixar a listinha de jogos que o Buda recomendou, lá no BallasCast que o grupo que tem no Facebook, se você não entrou, entra lá, porque é muito legal. Lá eu dou informações que eu não consigo colocar no podcast, as pessoas comentam, fazem perguntas, eu respondo tudo, sou eu mesmo que respondo, não tem ninguém lá, nenhum robozinho não, não tem essas coisas de Facebook, de robozinho, de algoritmo não, é marcioballoritmo, então sendo assim, nos vemos por lá…


Thank you for…


Senk wjptv]ekrh v~e


Lekv hgçet~h


Ewvth ~weh


Bye bye!!!


Comentários

Loading Facebook Comments ...