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BallasCast – Episódio 70 – Estreia do meu Solo

EPISÓDIO 70 - ESTREIA DO MEU SOLO


Senhoras e senhores, ladies and geeeeeeeeentlemans, madames et messieurs, artistas e artistos, está começando mais um…


BALLACAST…


MÚÚÚSICAAA!


Olá, olá, olá, seja extravagantemente bem-vindo ao BallasCast, pra você que está chegando pela primeira vez, welcome for the first time, e para você que me acompanha semanalmente, welcome again.


Obrigado por acompanhar esse BallasCast, que sai todas as segundas feiras, e hoje eu vou falar de um assunto muito legal, porque eu vou fazer a estreia do meu solo novo.


Sim!


É, senhoras e senhores!


Ladies and gentlemans!


Eu vou fazer um espetáculo solo, novo, que estreia aqui em São Paulo, dia 18 de maio de 2018, porque se você se esta ouvindo este podcast daqui há alguns anos, ele já estreou e já esta incrível, mas por enquanto ele ainda nem estreou, e ele vai acontecer as quintas e sextas feiras aqui em São Paulo mesmo, no Teatro Eva Herz, que é um teatro que fica ali na livraria do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, dentro da Livraria Cultura mesmo, na Paulista com a Santos, com a Augusta, quer dizer, no centro de São Paulo, no coração da cidade, quem for de São Paulo não tem desculpa pra não ir…


Ele vai acontecer as quintas e sextas feiras, depois vai ser quintas e sextas, e depois vai acontecer quintas e sextas, e na outra semana sextas e quintas, e assim vai rolar…


Então ele rola maio inteiro, junho inteiro, com certeza… Julho, se estiver indo bem, vai também, mas pra garantir mesmo, é maio e junho.


Então se você já quiser garantir, va lá no ingressorapido.com.br, e compra seu ingresso e venha, e quando acabar o espetáculo me dá um abraço e fala “eu ouvi no BallasCast“, eu vou ficar muito, mas muito, mas muito feliz e vou te dar um abraço recíproco, um free hug.


Então já que o assunto é esse, eu tô muito, muito pensando nisso, preparando isso, falando sobre isso, eu tô vivendo isso, a minha vida tá sendo isso nesses últimos dois meses, porque preparar um solo é uma loucura, em todos os sentidos, no sentido artístico e no sentido de produção e no sentido de quando você não tem patrocínio também, então o assunto de hoje é exatamente que é o meu espetáculo solo, absolutamente novo que se chama “Bagagem“, então vamos para o episódio, NOW!


(Música)


MEU ESPETÁCULO SOLO!


(Música)


Quando eu me dei conta que está chegando a data de estreia do meu solo, 18 de maio de 2018, e estava pensando o que gravar no podcast, obviamente que eu pensei, vou gravar falando sobre o processo do solo, falando um pouquinho do solo, contando um pouquinho do que é a loucura, o que são os bastidores de se fazer um solo.


Eu acho que pra começar essa história, eu tenho que voltar em 2010.


Em 2010 eu organizei um Festival Internacional de Improviso aqui no Brasil


Aquela era a época do Jogando no Quintal, que eu fazia em co-direção, co-criação com o César Gouveia, e eu estava procurando convidados internacionais, e um dia eu conversei com o Ignacio López, e com o Jorge Rueda, que são do Impromadrid, um grupo de Madrid, e estava pedindo dicas e sugestões pra eles de possíveis convidados, e eles perguntaram “Você já viu o solo do Omar?”


Na verdade eles perguntaram “Tu ja viste solo de Omar Argentino?


Aí eu falei assim, “Solo? Como assim o solo?”


Pausa dramática!


Omar Argentino é um dos maiores improvisadores do mundo, é um mestre do improviso, é um cara que virou meu amigo, mas é um cara que eu admiro desde a primeira vez que eu vi ele em cena, e vi ele falando do improviso e tivemos muitos cursos e muitas aulas com ele, e ele viaja o mundo ensinando improviso e apresentando improviso, inclusive ele escreveu um livro que chama-se “Del salto al vuelo“, que é um dos livros mais legais de improviso do mundo, enfim, fecha parênteses!


Quando ele me falou um solo de improviso eu fiquei assim, “Mas como assim solo? Um solo de improviso, mas ele sozinho, sozinho mesmo?”


Ele falou “É, é incrível! É muito bom! Acho que vale muito a pena!”


E eu já neste dia fiquei estupefato, pois como é que alguém faria um solo de improviso absolutamente sem ninguém em cena? Na época eu fazia o Jogando no Quintal, que éramos em 10, 12 até, palhaços em cena. Eu já fazia o Caleidoscópio que éramos em 6, o Improvável, com os Barbixas também, mais pra frente fui fazer, éramos em 5. Eu já tinha visto espetáculo de improviso com 2 pessoas, que eu já achava muito difícil, né? Por exemplo o grupo Complot Escena, que era um grupo do México, o que era o Omar Medina, e o Jose Luis Saldaña, faziam improviso com 2 atores, e eu já achava muito difícil, né? Porque um bate a bola pro outro, vai pro outro, que vai pro outro, e não tem um terceiro, um quarto pra salvar. Mas solo, eu nunca tinha visto!


E quando ele me deu essa ideia eu falei “Yes! É isso aí!”


Entrei em contato com Omar Argentino, fiz o convite, graças a Zeus, Deus, Buda e todos os deuses, ele aceitou e veio aqui para o Brasil.


(Música)


E finalmente chegou o dia que ele ia se apresentar aqui no Festival, em São Paulo, o Solo de impro.


E então no início do espetáculo, ele deixou uns post its, onde as pessoas escreviam frases, palavras, escreviam o que quisessem em pequenos post its.


Então depois, ele entra em cena, e tem todos os post its grudados no casaco dele, vários, vários, vários, vários, vários post its…


E a medida que a peça vai acontecendo, ele vai tirando os post its, vai usando esses post its como inspiração para as cenas, tranquilamente, sozinho em cena.


Um músico acompanhava, mas todas as improvisações ele fez absolutamente sozinho, sem ninguém, solitariamente.


Improvisou vários personagens, fez várias histórias, dramaturgia, isto é, histórias com início, meio e fim. Quando acabou as pessoas bateram muita palma, muita palma, e eu fiquei “UAU! OH MY GOD! OH MI DIOS!”


Eu achei aquilo tão incrível, que não foi aquelas coisas que você assiste e fala “Nossa, eu quero fazer isso um dia”


Não, não, não! Eu achei que aquilo era muito longe de qualquer coisa que era possível fazer, então em nenhum momento eu pensei em fazer um solo, e fiquei maravilhado.


Depois do solo dele eu vi alguns outros solos, vi improvisadores da Colômbia fazerem, o Beto Rea, o Pipe, o Marcelo Savignone, que é outro argentino, então eu comecei a assistir mais alguns solos, e um dia eu encontrei com Gustavo Miranda, que é um improvisador genial da Colômbia, do Acción Impro, mas que está morando no Brasil, já há muitos anos.


E como nós somos muito amigos e tal, e ele é genial, tipo fora de série mesmo, eu falei “Gustavo, tá na hora de você fazer o seu solo”, aí ele me respondeu “Ballas, no, no, no, no, tá na hora de tu hacer tu solo“, e eu falei “Não, tá na hora de você fazer o seu solo”, falei “Não, você!


Ele “NÃO, VOCÊ!”


“NÃO, VOCÊ!”


“VOCÊ!”


“VOCÊ!”


“VOCÊ!”


“VOCÊ!”


E eu falava “Gustavo, se tem alguém no mundo que tem que fazer um solo agora, é você!, e ele falou “La misma cosa pra ti Ballas“…


Conclusão, nós dois chegamos a conclusão que estava na hora de fazermos o nosso solo, obviamente não juntos, né? Porque senão não seria um solo, né Seria um solo de dois, quer dizer, seria uma inovação, né? Seria acho, que o primeiro solo de dois de improviso na face da Terra, mas enfim…


Aquilo ficou na minha cabeça, aquela pulga ficou na minha cabeça mais alguns anos…


(Música)


No início de 2016, a minha amiga, parceira, artista, palhaça, incrível, Rhena de Faria, chega pra mim e fala “Ballets, você não sempre disse que queria que eu te dirigisse? Eu acho que chegou a hora!”


Vamos por partes…


Ballets, é como ela me chama, né? Então eu sou o Marcio Ballas, eu sou o Ballets, e eu sempre quis que a Rhena me dirigisse… a Rhena é minha grande parceira de muitos e muitos anos, desde que eu comecei a minha carreira de palhaço, que eu voltei ao Brasil, né? Que eu fui morar fora, pra quem ouviu o BallasCast sabe desse episódio lá, dos primeiros episódios, se você não sabe, ouve lá atrás, mas eu fui morar na França, voltei ao Brasil em 2000…


2000… E eu comecei a fazer o Sarau do Sales, que era um Sarau que tinha na Vila Madalena de palhaços, de João Grandão, e é um sarau, foi um sarau que eu aprendi muito, e lá eu encontrei a Mademoiselle Blache, a Rhena de Faria, e nós ficamos muito amigos, e já começou a nossa parceria aí…


Mais pra frente eu fiz Jogando no Quintal, dirigi o Jogando no Quintal e ela foi uma das atrizes, depois eu fiz o Caleidoscópio junto com ela também, e eu era o diretor, mas ela era uma espécie de assistente de direção de tanto que eu acreditava, eu via a opinião dela, ela era praticamente uma co-diretora comigo.


Na sequência a gente fez o Eterno Retorno, que é um espetáculo de palhaço, que fazemos eu e ela, João Grandão e Mademoiselle Blache, quer dizer, ela é uma grande parceira minha, artística.


E eu sempre gostei muito do olhar de direção dela, e há uns anos atrás, antes disso, ela foi dirigir André Macena, ela dirigiu outros palhaços, outros artistas e eu falava “Ai que inveja, eu quero que você me dirija, eu quero que você me dirija! Eu quero que você me dirija!”


E finalmente ela chegou pra mim com essa proposta “Você não sempre disse que queria que eu te dirigisse? Acho que chegou a hora!”


E eu “Ah, mas eu não sei se estou pronto! Vamos ensaiar?”


“Vamos ensaiar!”


E lá fomos nós para a sala de ensaio!


Então a gente começou a conversar sobre possibilidades de se fazer um espetáculo novo, a minha ideia inicial era fazer um espetáculo de improvisado, isto é, um espetáculo que fosse totalmente improvisado, tipo esse do Omar Argentino que eu vi, ou os espetáculos de improviso que eu faço com outros parceiros, mas sozinho…


A ideia da Rhena era totalmente diferente, a ideia dela era fazer um espetáculo de teatro, teatral mesmo. Inclusive, ela nem queria que tivesse improviso, o que pra mim foi uma grande surpresa.


“Como assim? Não vai ter? Mas improviso é o que eu sei fazer!”


Aí a gente começou a discutir, começou a pensar, começou a co-criar


Pensamos sobre o palhaço, “Será que eu faço algo de palhaço?”


Fazia muitos anos que eu não fazia palhaço, eu tinha muita vontade de retomar o palhaço, “Será que a gente faz teatro, será que a gente faz improviso?”


E ficamos, e ficamos, e pensamos, e conversando… E ensaio vai, e ensaio vem, ensaio vai, ensaio vem… Foram muitos, muitos ensaios, muitas salas de ensaio, até que a gente chegou a conclusão de que a gente poderia fazer um espetáculo que fosse mais teatral.


Eu consegui convencer a duras penas, a Rhena, a ter um pouco de improviso também, mas ele não seria um espetáculo de improviso, ele seria um espetáculo com improviso…


“Mas o que é isso Ballas? Eu não entendo a diferença”


Não se preocupe! Não é que… Nem existe esse termo assim, formalmente, eu pensei isso a alguns meses atrás quando eu me dei conta de que assim, ele não era um espetáculo de improviso, mas ele é um espetáculo com improviso… Isto é… Tem improviso? Tem improviso! Mas não é 100% ou 90% improvisado. Não! Ele é sei lá, 50%, 60%, uma parte improvisado, né?


Então ele é parcialmente improvisado, mas a outra parte ele tem texto. É um espetáculo de teatro, é uma obra teatral mesmo!


(Música)


E como eu sou um cara que faz 78 coisas ao mesmo tempo, eu tenho esse podcast, eu dou palestra de criatividade e improviso, eu dou workshop de improviso e criatividade nas empresas, eu faço mestre de cerimônias, eu faço show no Comedians às quartas, eu faço shows nas empresas, eu faço 78.012 coisas ao mesmo tempo… O solo foi caminhando devagar, a passo de formiga, a gente foi ensaiando, a gente se encontrava semanalmente, a gente foi processando, processando, processando…


E a verdade é que esse processo durou dois anos!


Durou o ano inteiro de 2016, durou o ano inteiro de 2017, e quem sabe duraria mais muitos anos se não fosse uma mensagem do Marco Graça, diretor do grupo Estantaneos, lá de Portugal, me convidando pra um festival internacional de improviso que aconteceria em fevereiro deste ano, de 2018.


Era 2017, e isso a gente estava ainda ensaiando e tal, e ele me mandou um e-mail fazendo um convite pra eu participar do festival, eu já contei essa história num podcast, falando do festival internacional, então se você quiser ouvir com mais detalhes, ouve lá. Mas resumidamente, quando ele fez o convite ele tinha verba pra dois improvisadores, e todos os meus espetáculos são com mais improvisadores, o “Noite de Improviso” somos em 4, mais o músico em 5.


o “Caleidoscópio” são 6, o “Jogando no Quintal” são 10, então não tinha espetáculo pra 2 improvisadores, e eu tinha o meu solo mas eu ainda estava ensaiando, não estava pronto.


Além do que como eu já expliquei aqui, ele não é um solo de improviso, é um solo COM improviso, mas ele tem muito texto e tal, e esse é um festival internacional de improviso, então eu contei pra ele até pra falar as novidades e ficou por isso mesmo.


Eu expliquei pra ele toda essa história, agradeci o convite, mas infelizmente não ia rolar!


Tempos depois, eu recebo uma mensagem dele muito bacana que eu adoro, e eu vou ler ela de novo aqui, porque em português é mais divertido e ele diz o seguinte…


“Oi Marcio, no que diz respeito ao teu espetáculo, eu fazia-te uma proposta meio louca, que era de estreares o teu solo aqui, no festival. Poderá ser um optimo laboratório, e da nosta parte ficaríamos muito orgulhosos de poder assistir a estreia do seu espetáculo solo aqui em Portugal, mas isso é só uma proposta nossa. A decisão é tua! Grande abraço, espero que nos vejamos aqui em Portugal!”


Então conversei com a minha diretora, e tomamos a decisão de SIM! Ir para o festival! Pegamos um avião, voamos até Lisboa, e em fevereiro de 2018, ocorreu a pré estreia, ou a estreia internacional do “Bagagem“, o meu novo espetáculo.


Assim que o espetáculo terminou o público bateu muita palma, mesmo assim, sem modéstia, modéstia a favas, foi muito legal, aqueles dias que dá tudo muito certo, tudo muito redondo, o público estava muito amável, muito afável, muito bacana, eu consegui lembrar tudo, fale tudo legal, o improviso foi legal… Sabe quando tudo dá muito certo?


Foi realmente muito, muito, muito, muito, muito especial, muito bacana, muito mágico e maravilhoso, e uma coisa incrível, que na plateia neste dia estavam o  Jorge Rueda e o Ignácio da Espanha, os Ignacios da Espanha, do Impromadrid, assistindo lá.


São meus mestres, eu sou fã deles, eles estavam lá assistindo, e estava lá também, que veio especialmente para me assistir, Omar Argentino, ele que eu tinha visto anos atrás, fazendo o solo dele, estava lá na plateia naquele dia… Muita emoção!


E naquele dia eu tive a certeza de que SIM, o espetáculo está pronto! SIM, o espetáculo podia andar o mundo! SIM, o espetáculo podia ser feito aqui na minha casa, pro meu público, para os meus amigos, pra minha família!


Sim, estava na hora de fazer a estreia do meu novo solo “Bagagem“, agora, aqui em casa, em São Paulo.


18 de maio de 2018, aconteça o que acontecer, vai ser o dia em que a “Bagagem” vai seguir o seu destino!


Fim do episódio.


(Música)


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um episódio (AAAHHH), mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH).


E se você ainda não entrou no BallasCast, que é o grupo que a gente tem no Facebook e está muito legal, entra lá.


Lá eu vou colocar link pra compra de ingressos, fotos do espetáculo, alguns bastidores de algumas coisas que eu não consigo colocar no podcast porque aqui é só áudio, então, entra lá que têm conteúdos exclusivos muito legais…


Se você quiser, se não quiser, não entre… Afinal, você é free!


E lembre-se que 18 de maio de 2018, quintas e sextas, quintas e sextas, e sempre quintas e sextas, eu tô lá no Teatro Eva Herz, Avenida Paulista, Conjunto Nacional


Então se você for de São Paulo, venha!


Se você não for de São Paulo pega um avião, um trem, um ônibus, um jato e come to see my new show!


Thaks…


Rhgioegphrg


Lwjwjhrgójrójngnv


Smvçsjgjrsovj´f


Sgçjwrgvjwójg


Bye bye!


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