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BallasCast – Episódio 74 – No Camarim

EPISÓDIO 74 - NO CAMARIM.


Senhores e senhores, ladies and geeeeeeeeentlemans, madames et messieurs, instrumentistas e instrumentistos, está começando mais um…


BALLASCAST…


MÚÚÚSICA!


Olá, olá, olá, seja rebordosamente bem-vindo ao BallasCast, hoje estou muito feliz porque estou aqui, no Teatro Eva Herz, onde eu estou fazendo minha temporadinha, quintas e sextas, quintas e sextas, quinta e sexta, para quem não sabe ainda que dia é… Quintas e sextas!


E hoje eu estou muito feliz, porque daqui a pouquinho tem espetáculo e eu vou gravar uma coisa neste podcast, a pedido de algumas pessoas que falam “Ah Ballas, mas como que é antes? Como que é o camarim? Como é que é esse momento antes de começar?”


Então pra você que não vai ter oportunidade de vir aqui… Quando? Quintas e sextas! Pra quem não sabe onde é esse Teatro Eva Herz, ele fica na Paulista, dentro da Livraria Cultura, dentro do Conjunto Nacional, quer dizer, a Paulista com a Santos e com a Augusta, é um lugar mega central, dá pra vir de metrô, de trem, de helicóptero, de disco voador, mas enfim…


Vamos ao nosso episódio de hoje.


NOW!


(Música)


No Camarim.


(Música)


Essa semana eu fiz alguns stories dentro do camarim, nessa espera, antes do espetáculo acontecer e várias pessoas me perguntaram “Mas Ballas, o que que você faz antes? Como é antes?”


Então eu resolvi gravar esse podcast só pra contar para as pessoas que se interessam e querem saber o que acontece antes do espetáculo, before the show, bastidores e pré show.


Então assim, o espetáculo começa às 9 horas, mas a verdade é que pra mim ele começa a partir de umas 5 horas da tarde, porque?


É hora que eu vou pra casa, faço a minha barba, me apronto e começo a me aprontar para 5:30 estar vindo em direção ao teatro.


Já no carro, para mim o espetáculo começa. Porquê?


Porque eu começo a bater o texto. Bater o texto é o nome que se dá no teatro pra você decorar o texto, pra você falar o texto antes da peça começar para você não errar na hora.


Aí você deve estar perguntando “Mas Ballas, não é um espetáculo de improviso? Como assim um texto?”


Ah, peguei você!


Então, como eu venho dizendo nos podcasts, ou nas entrevistas que eu estou dando no meu stories, ou nas minhas redes sociais, se você acompanha, mas se não, esse é um espetáculo que eu falo que ele é um espetáculo COM improviso, ele não é um espetáculo DE improviso.


Isto é, eu não improviso ele 100% do tempo, a maior parte dele é texto e uma parte dele é improviso, então por isso que eu digo que é um espetáculo com improviso.


Então essa parte de texto, é uma parte que com a minha diretora, a gente refinou, trabalhou durante dois anos para chegar num texto que a gente achou que ficou bacana, e daí agora ele é um texto que eu decoro, eu sei palavra a palavra, eu sei momento a momento, eu sei instante a instante, ele está inteiro marcado.


Então quando eu venho no carro, já no caminho, eu venho passando, falando o texto, falando sozinho, o que é curioso, porque as vezes você para no farol e está falando o texto ali tal-tal-tal, você olha para o lado e tem alguém olhando, falando “Meu, esse cara está muito louco, falando absolutamente sozinho…”


Mas enfim, esse é o momento do pré aquecimento, e agora eu acabo de chegar no teatro, então eu tenho o costume de sempre passar na bilheteria e perguntar “Quantos ingressos vendidos tem?”


Porque eu quero saber quantas pessoas tem. Como hoje tem muitos ingressos vendidos, eu acho que talvez até lote, eu estou muito feliz, então dá uma alegria muito grande em saber que já tem muito público que vai vir, isso dá uma felicidade assim, do tamanho do mundo, eu acho que é até melhor do que se tivesse muito dinheiro é se tem sempre muita gente. Não importa da onde, não importa de que jeito… Tendo gente todo o resto do mundo está feliz no teatro, porque o que a gente gosta de ter é gente, gente, gente…


Então eu entrei aqui, fiquei muito feliz que tem público, vim para o camarim, que é onde estou… E aí neste momento eu já tiro a minha roupa, coloco uma roupa que eu chamo de roupa de aquecimento, vou para o centro do palco e começo a alongar, começo a entrar em contato comigo, começo a fechar os olhos, normalmente eu faço uma pequena meditação para sair da loucura do dia de São Paulo, para sentir o corpo, entrar em contato comigo, perceber a respiração, perceber parte do corpo que está tencionado, eu deito no palco, alongo, estiro, é aquela hora que você fala “Nossa, meu Deus do céu, o meu corpo está moído”, sabe assim quando você se dá conta.


E aí o trabalho nosso é respirar nas partes que estão congestionadas, nas partes que estão tencionadas, e entrando em contato com o momento presente, com o aqui agora, deixar as coisas fora a fora, uma espécie de meditação, porque o improviso, ele é a arte do aqui agora, então eu tenho que entrar no aqui agora, e não é fácil, “Ah, agora eu estou no aqui agora”, não!


Tem um trabalho pra isso!


Então eu fico ali no palco respirando e fazendo todo esse encontro comigo mesmo!


(Música)


Na sequência, eu agora estou esperando o iluminador, Nani Sanches, porque a gente vai fazer o que a gente chama de passagem técnica.


Nessa passagem técnica a gente faz uma, como se fosse um ensaio geral rapidinho, para o cara da luz, ele colocar a luz de novo no lugar, eu acertar os focos onde eu vou ficar, porque tem uma coisa que é interessante, que talvez você não saiba que é assim, o espetáculo de improviso, mesmo sendo de improviso ou com improviso, ele tem uma concepção.


Então eu chamei uma diretora, que é a Rhena de Faria, maravilhosa, incrível, sensacional, que eu até vou fazer um podcast só com ela, entrevistando a minha diretora. Ela concebeu o espetáculo, então a gente chamou uma iluminadora, que é a Lica Barros, que ela pensa uma luz para o espetáculo. Então todos os momentos de luz do espetáculo estão pensados, então numa hora eu vou falar daqui, vai ter uma luz especial daqui, numa hora eu vou falar desse canto e aí vai ligar um canto, uma luz colorida, aí eu vou falar daqui e vai ter um foco central.


Então ela está inteira, absolutamente marcada, tem uma coisa que a gente chama de concepção de luz, então no dia agora eu cheguei e a gente vai fazer o que a gente chama de passagem de luz para eu vou voltar para lembrar exatamente os focos ode vão ser, o iluminador pegar a manha da mesa de novo.


Aí a pessoa que vai fazer o som, né? Que vai operar o som, o operador de som, ele coloca a trilha sonora de novo, eu vou entrando no clima do espetáculo, tudo vai ser preparado, e daqui a pouco começamos o nosso show.


Vale dizer também que tudo isso é amparado pelo que a gente chama de PRODUÇÃO, que é quem chega antes, monta o cenário, monta as peças onde vai ficar, cada objeto de cena, monta onde vai ficar a cadeira, monta a coxia, deixa o teatro pronto e preparado para a chegada do ator, no caso, sou eu.


E essa experiência também, está acontecendo uma coisa muito interessante que eu queria compartilhar com vocês, que é primeira vez que eu estou fazendo um solo, é o primeiro solo da minha vida, então normalmente eu fiz espetáculo com muitas pessoas.


Jogando no Quintal, meu primeiro espetáculo importante, tinham 10, depois 15 palhaços, né? E depois o Improvável, éramos em 6. O Caleidoscópio, em 6. Noite de Improviso, em 5.


Então eu sempre estive com muita gente, então o camarim como é que é? Sempre muitas pessoas no camarim,  batendo papo, conversando, depois a gente bota o figurino, depois a gente faz um jogo coletivo, depois a gente faz respiração coletiva, depois faz um desafio, um jogo de rima, tal-tal-tal, e está pronto, e entra!


Só que nesse é diferente!


Nesse, uma vez que eu faço a passagem técnica de som, a passagem técnica de luz, fiz meu aquecimento físico, relembrei o texto, respirei, entrei em contato comigo, abri meu corpo, conectei, eu vou para o camarim. Aí desta vez, eu estou absolutamente sozinho!


Não tem ninguém!


Aí eu fico ali comigo, visto meu figurino, que é uma maneira de entrar no espetáculo, né? Então o figurino também tem uma concepção, pensamento, que roupa você vai usar, né? Qualquer apresentação, qualquer espetáculo tem que ter essa pergunta.


Que roupa que eu vou usar?


Qual o figurino, né?


A gente teve um pensamento sobre qual o figurino que eu vou usar neste espetáculo, e entrou no figurino digamos assim, né? Coloco o figurino, faço a minha maquiagem. É gente, eu maquio!


Sou desses! Eu adoro, sempre gostei, não sei maquiar direito, mas o sonho desde moleque é que eu queria passar maquiagem, eu sempre gostei dessas paradas, a minha mãe até um dia contou que quando eu era pequeno eu falei “Mãe, quando eu for grande eu quero ser mulher pra vestir os vestidos da minha irmã”, não era só que eu queria ser mulher, é que eu sempre gostei dessas roupas coloridas e tal, eu sempre gostei de usar saia, mesmo que não era comum homem de saia, eu sempre achei muito legal.


Então a hora da maquiagem é um momento muito bacana, muito legal, né? Que a gente maquia, né? E aí eu fico pronto!


E aí eu estou sozinho, eu faço novamente uma respiração, eu dou uns pulinhos, eu dou um axé babá, eu ouço a produtora falando “Eu vou abrir a porta Ballas, preparado?”


“Preparado! Claro!”


Não estou preparado, mas não tem outra opção, então tem que abrir a porta, o público entra e eu vou ouvindo o barulho, burburinho, burburinho, eu fico espiando ali pelo fundo do palco.


PAM! Primeiro sinal!


Eu fico olhando as pessoas chegarem “Ah, olha quem está aí. Ah, o Marcão veio, nossa que legal! O Jôca veio! Ah, milagre! Adoro! Ai caramba! A Cris, a Mari, eu adoro o trabalho delas. Meu Deus, será que elas vão gostar?”.


Fico olhando o público chegar.


Eles entram, tem o segundo sinal, tem os avisos para publicidade, tem os avisos de segurança e dá o terceiro sinal, quando dá o blackout, que é o momento que vai começar, eu faço a minha ultima respiração, conecto comigo, faço a minha ultima rezinha, entro no palco, a luz acende.


E assim inicia o meu solo BAGAGEM.


MERDA!


BOM SHOW!


E É NÓIS… Digo… É EU… Digo… SOU EU com a minha bagagem!


Fim do episódio!


(Música)


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos os final de mais um episódio (AAAHHH), mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH).


E se você ainda não entrou no grupo do Facebook, chamado BallasCast, você tem que entrar, está muito legal. Lá eu dou várias informações , lá eu dou desconto pra peça (EEEHHH), e se você não assistiu a peça, onde você compra?


Ingressorapido.com.br


“Aonde Ballas?”


Ingressorapido.com.br


“Ah, não entendi”


Ingressorapido.com.br


Thank You ladies and gentlemans,


Djfgnekflg,ej


Smflçjw çlvjvwej


Qwwj rçcqjçej


Thank You very much.


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