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BallasCast – Episódio 92 – Bruno Motta (Comédia)

EPISÓDIO 92 - BRUNO MOTTA (COMÉDIA).


Senhoras e senhores, ladies and geeeeeentleeeemans, madames et messieurs, camelôs e cameloas, está começando mais um…


BALLASCAAAST!


MÚÚÚSICAAA!!!


Olá, olá, olá, seja estrombólicamente bem-vindo ao BallasCast, para você que está chegando pela primeira vez, welcome for the firist time! Para você que me ouve toda segunda feira, está na hora de procurar outros podcasts, pois não tem só eu nessa podsfera.


Hoje eu vou continuar um assunto que eu falei na semana passado, onde eu falei um pouco sobre stand up, improviso, comédia, eu vejo que é um assunto que as pessoas buscam muito e eu trouxe aqui um especialista, um expert.


Ele é humorista, ele é comediante, ele é apresentador, ele estuda comédia para valer, ele faz stand up há muitos anos, ele está em cartaz com a peça de comédia, ele tem um podcast que se chama “Diário Semanal”, e hoje está aqui, com vocês…


BRUNO MOTTA!!!!


EEEEHHHHH…. PALMAAAASSS!!!


(Música)


ENTREVISTA COM BRUNO MOTTA SOBRE COMÉDIA.


(Música)


– Que honra, eu não me sinto especialista em quase nada! Só num assunto, em comédia!


– Só em comédia! Ah, é? O importante é ser especialista em alguma coisa…


– Mas no resto do mundo, comédia não é levada a sério, sabe? Mas assim, por poucos momentos eu pude ser apresentado como um especialista, com seriedade em um assunto que é engraçado.


– Bruninho, queria já atacar direto na comédia. Aquelas coisas que eu vi você outro dia fazendo, que eu achei incrível, coisas que as pessoas não falam sobre comédia, mas você que é um expert sabe, e que quer contar para as pessoas…


– Olha, então antes, se você chegou nesse podcast porque leu “Nossa, o Ballas! Nossa, o Motta! Ah, eles são muito engraçados! Hoje vai ser um podcast muito engraçado…


– Não!


– Não, não vai ser!


– I’m sorry!


– Você digita assim… Barbixas, Improváveis


– Isso…


– Motta e Ballas jogando cenas improváveis…


– Isso! Não é aqui!


– Lá vai ser bem divertido!


– Exatamente!


– Nem tanto as vezes, vai…


– Aqui vai ser teoria, conteúdo!


– Isso! Que as vezes é isso, né? Eu vou dar alguma entrevista, e elas são engraçadas, né? Algumas vezes me liberam “não precisa ser engraçado…”


– É bom, né?


– Não precisa ser engraçado… Legal não precisar ser engraçado, porque eu também gosto de falar um pouco que a gente sabe sobre o que que é comédia. Porque a gente sabe muito pouco, né? De fora as pessoas devem achar que a gente tem o domínio, como é que faz, como é que não faz, o que é engraçado, o que que não é… E a gente, que ainda por cima é improvisador, que você as vezes se joga, e baixa, dá com a cara no chão…


– Sim! Sim! Sim!


– Acontece…


– É muito legal o que você está falando… Porque é muito verdade isso, porque os comediantes, os humoristas fazem, fazem, fazem, e vão fazendo e experimentando, fazendo e experimentando… Por isso eu achei muito legal a aula que eu vi você dar, porque você conceituou um monte de coisas que eu sabia, mas nunca tinha pensado…


– Isso!


– E aí você chamou isso de…


– É uma aula que eu dou desde que eu fazia festival, desde cedo mesmo, desde que eu tinha dezesseis anos, dezoito… E eu fui juntando, e hoje ela é assim “Sete coisas que você deveria saber sobre comédia, mas não vão te contar”…


– SETE COISAS QUE VOCÊ DEVERIA SABER SOBRE COMÉDIA, MAS NÃO VÃO TE CONTAR! Até você ouvir o BallasCast, porque agora eu quero saber a primeira, Bruno


– Algumas dessas coisas! A primeira é, é bom lembrar isso, principalmente para quem quer trabalhar a comédia. COMÉDIA É UMA BRINCADEIRA QUE VOCÊ GANHA POR POUCO!


– UAU! Bonito, o título é bom…


– Isso é bom porque as vezes, porque de certa forma comédia é um quebra-cabeças, você vai propor um enigma, o cérebro da pessoa vai desvendar aquele enigma e ela vai rir. O problema é que alguns comediantes levam isso tão a risca, que são enigmas complexos de desvendar, sabe? Aí você ouve aquela piada do tipo “Ah, a sua prima é tão gorda que quando, em 64, o homem que estava na Grécia disse que”, você precisa de tantos conhecimentos prévios, tantas chaves, é tão cabeçudo, sabe? NÃO É ISSO!


– Só para deixar bem claro, não é de ganhar de grana, porque a gente ganha pouco também, né?


– Não, não… Comédia é uma brincadeira que você ganha pouco… Ganhar pouco é assim, é igual brincar com uma criança, se ela perder, ela não vai mais brincar com você, se ela ganhar, ela não vai brincar com você, ela vai brincar com você de novo se ela ganhar por bem pouquinho…


– Sei…


– Na verdade a gente é que tem que ganhar, na verdade se a criança perder para você, mas por bem pouco, se ela perder por bem pouquinho, e ela pensar “nossa, eu perdi por tão pouco, eu posso jogar de novo e ganhar”…


– Sei…


– Isso é comédia! Você vai… É uma corrida com a plateia onde você tem que chegar um segundo antes deles…


– Sim…


– É só isso! Porque senão a pessoa fala “eu já sabia a resposta, né? Eu vi. I see”, ou quando você “o que é, o que é”, se a pessoa souber “eu já sabia”, ela foi imaginando, na hora em que ela estiver naquela construção da imaginação, na metade da resposta e você der a resposta, ela vai rir…


– Sei…


– Essa é a brincadeira!


– Muito legal! Isso é muito legal, o que você está falando, e dá muito para imaginar, e as vezes um bom comediante, exatamente, se você está quase pegando a piada, ele fala, e você ri “ah, isso mesmo”…


– É!


– Muito legal!


– E aquela outra piada, que as vezes também fala, e depois você fala e precisa de um tempo para a pessoa entender…


– Sei…


– Mas se esse tempo for muito grande, não adianta nada!


– Sei… Muito boa…


– Mas aí a comédia é brincadeira também, eu gosto dessa como primeira, porque lembra a gente várias coisas, que é brincadeira comédia também, né? E que você precisa ter as chaves para poder desvendar a brincadeira, você precisa ter o necessário para jogar o jogo, né? Saber as regras, pescar  a peça, que seja…


– Sei, legal… E brincadeira no sentido mais profundo, né? Porque as vezes brincadeira pode parecer uma coisa menor, né? Mas, não!


– Não, não…


– Brincadeira séria, né?


– Eu gosto muito de duas palavras, que as pessoas as vezes, até vejo as vezes algumas pessoas com um certo preconceito. Brincadeira e divertido!


– Sim…


– Brincadeira, to play. Jouer, do francês. Play, do inglês… E eu até acho ruim que seja interpretar em português, em vez de “vamos ali no teatro brincar de ser um personagem”, né? Eu prefiro o brincar, o to play… Porque senão a gente vira o ator que fala “não, eu fiz o laboratório, cortei meu dedo, emagreci dezoito quilos, estou aqui sofrendo para fazer uma pessoa que não tem sono”, e você? “ah, eu vou lá e finjo, eu vou lá e brinco como qualquer criança, é muito melhor, né?”


– Legal…


– Mas confortável… Não que não seja sério o nosso trabalho, estou dizendo na maioria dos casos.


– Muito bom! Vamos para a segunda?


– Vamos!


– Qual é a segunda?


– A segunda é, você ri do que você conhece… Também tem tudo a ver com o primeiro, né? Você ter um conhecimento prévio para rir daquilo.


– Ah, você ri do que você conhece, isto é, você… O cara pensar comédia, ele tem que pensar com a referência na cabeça do público…


– O público precisa de alguma referência, né? Mesmo “o que cai em pé e corre deitado”, responder chuva, mesmo uma pessoa que nunca viu chuva. Não adianta, né? Imagina uma pessoa que vive num lugar seco, que não tem chuva, uma espécie de Kaspar Hauser, uma referência aí, você pode jogar no Google


– Kaspar Hauser? 


– Lembrar quem é Kaspar Hauser!


– Sei…


– Mas, o mito da caverna de Platão, o cara não conhece nada, se ele não conhece chuva, “o que cai em pé e corre deitado”, chuva, a pessoa vai dizer —


– Tenso…


– “não sei o que é isso, nem um pouco me interessa”… Você ri do que você conhece, por isso que é interessante para o comediante ser um cara de referência, seja ela qual for, eu não acho que tem que estudar tudo, mas tem que ter repertório, né? E quanto mais repertório, pode ser até localizado de uma coisa só, mas quanto mais repertório melhor.


– Muito bom. Terceira, Bruno Motta


– E na aula a gente vai abrindo todos esses…


– Claro, claro… Eu estou pegando um resumão, para depois a gente ficar mais …


– É um clássico, mas cada vez mais, verdade! Ainda mais em tempos sombrios, nós somos comediantes temos que nos lembrar disso!


– Qual é?


– COMÉDIA É TRAGÉDIA+TEMPO!


– UAU! Olha que bonita essa… Essa frase é sua?


– Não, de forma alguma!


– COMÉDIA É TRAGÉDIA!


– COMPEDIA É TRAGÉDIA+TEMPO.


– O  falava que o comediante amador acha engraçado você vestir um ator de velhinha e jogar ele de escada abaixo… Um comediante de verdade sabe que só é engraçado se for uma velhinha de verdade!


– Ótimo!


– É isso! Comédia-tragédia+tempo, tempo não precisa ser tempo, tempo na verdade é a distância emocional que você tem daquilo, tempo pode ser distância física, estou dizendo assim… Um terremoto num lugar muito distante, dos quais a gente não conhece ninguém, tem zero relação com as cinco pessoas que sofreram esse terremoto lá, tudo bem pra gente… Também é uma espécie de tempo, mesmo que tenha acontecido essa semana, né?


– Sei…


– Mas comédia é tragédia+tempo… Tempo também pode ser distância emocional, assim você vê essa velhinha sendo derrubada da escada, e você ri, até que você descobre que ela é sua mãe, aí você não ri mais. Porque? É bom lembrar que, onde tem emoção não tem riso. O riso é muito, é meio egoísta, ele sobrevive sozinho, qualquer outra emoção anula o riso, e você ri, depois você chora. Você chora e depois você ri, não tem as duas coisas, quando você lembra que é a sua mãe, você tem emoções, precisa levar no hospital, você tem uma situação. Qualquer que seja a emoção gente, assim… Tristeza, preocupação, tesão, ou tem uma coisa, ou tem outra… Não tem as duas.


– No exemplo que você deu, tem tudo a ver também, neste sentido, de que se ele acontece aqui na sua cidade ou você conhece gente…


– É triste… É claro…


– É triste, não tem comédia… Isso é muito legal, é simples isso, mas é muito legal e é muito verdadeiro, né? Isso é muito real, né?


– É. Isso também tem um fundo nas duas teorias, na do Freud, do alívio, e na do Platão, que é da superioridade. Elas se cruzam nesse sentido assim, o bom e velho riso da desgraça alheia, né? Porque que a gente ri do outro? O Aristóteles fala, que nada nos dá mais alegria do que lembrar que nós não somos como aquela pessoa. Mas ao mesmo tempo, nada nos dá alegria… Tem uma coisa na comédia, que é meio mágica, de novo, quem faz improviso consegue perceber no ar isso, que é, aquele breve instante onde a gente lembra todo mundo que nós estamos no mesmo barco, e que se aquela pessoa caiu eu também posso cair, e que bom que não sou agora, mas a comédia as vezes é um lampejo de mortalidade, sabe assim? Por algum motivo aquilo nos lembra sempre indiretamente, não tem emoção, de que está todo mundo no mesmo barco assim, isso também pode acontecer comigo, que bom que não sou eu, mas que pena que sou eu…


– Sei, sei, sei…


– Sabe? É interessante isso!


(Música)


– Número 4!


– 4 é… Quem é você?


– Quem é você?


– É um pouco de verdade, truth in comedy, que a gente precisa, né? Quem é você?


– Truth in comedy, o livro que eu falei algumas semanas atrás…


– Mas…


– Você leu esse livro?


– É maravilhoso!


– É maravilhoso, né? Ele fala isso, “la verdad in la comedia”...


– Nem tudo que é escrito sobre comédia, tem muita balela, mas tem alguns que são tipo… É isso aqui, gente… Não precisa escrever mais nada…


– Sim…


– Vamos ficar com 5, vamos falar sobre eles…


– Conta mais disso, quando você disse quem é você… A verdade…


– Você saber quem é você, é um processo, que as vezes doloroso, você quer trabalhar com comédia, tem gente que está só reproduzindo, tem um certo sucesso, no sentido assim, está obtendo um certo resultado, mas vai ficar ali, a não ser que você descubra quem é você. Essa é a descoberta que liberta assim, que solta… Quando você solta mesmo, tem também esse princípio, que quando você deixa soltar é que as coisas acontecem… Deixa soltar… Solta… Deixa acontecer… Quem é você? Vamos ter um certo pensamento de quem você é, as coisas que você faz, o que que você representa, e deixa a verdade vir daí, a comédia vem daí… Ter uma sinceridade, né?


– E o público sente isso, né Bruno? Você que faz muito esse tipo de comédia, stand up, contar coisas pessoais… O público sente, né? Quando…


– Sente…


– Quando é verdade, quando…


– Sente…


– Quando é teatrinho…


– Principalmente no stand up…


– “ah, eu namorei uma gorda com bafo”, hum, namora uma gorda que também tinha bafo, que também chamava Luzinete, e lembrava que tinha que pagar a luz e a NET…


– É um pouco de… É exatamente isso… Não estou desmentindo o teatro, estou falando desse nosso é… No stand up você é você mesmo, e a verdade você pode ir interpretando e deixar a verdade aparecer dali. É, acho que tem que ser mais sincero, né? Com o que a gente está fazendo, é melhor, acontece mais…


– Legal… Não quer dizer que não tem floreio, não quer dizer que não tem devaneio…


– Não…


– Não é nada disso…


– Não. É, tem gente que vai dizer “então eu não posso fazer um personagem”, claro que pode fazer um personagem. Então não sou esse personagem, esse extraterrestre que chegou, não, você não é… Mas de onde vai vir a sua comédia tem que ter… É DE ONDE VAI VIR… Nós estamos aqui pensando comédia, né?


– Número 5!


– Número 5 é o seguinte… A gente fica aqui pensando, nossa, piada é isso, é a distância, é quando eu falo e é verdade, e aquilo tudo, e aí eu vou lá monto e aí a gente vai descobrir o resultado, né? Então a 5 é a seguinte, sabe quando é uma piada? Quando as pessoas riem…


– Aí é uma piada!


– Aí é uma piada!


– Sei…


– Porque as vezes a gente fica pensando e vai falando e a pessoa vai rir em outro lugar, e assim, ok… Pode ter acontecido uma vez, aí você faz de novo e ri em outro lugar, então… Surpresa! A piada está em outro lugar! Então, as vezes na produção, nosso cérebro produz na nossa frente e a gente nem percebe que a piada está em outro lugar…


– Sim!


– É! Também, de novo… O improviso também é uma aula sensacional… Quantas vezes a gente não vai lá pra frente fazer um negócio, riem antes, e a gente faz o que? Encerra ali mesmo, né? Porque afinal de contas, parece que nasceu uma piada.


– Sim…


– E muitas das vezes quando a gente teima, chega lá no final e…


– Era lá mesmo!


– Era lá mesmo! É isso! A gente tem que ir para o teste, quem vai trabalhar com isso tem que ir para o campo.


– Legal! Ótimo! Isso é legal porque as vezes você está criando uma piada, de repente, ao experimentar, ao criar, você experimenta ela, no setup, na criação dela tem um momento de risada, isto é, já temos uma piada que originalmente estava dentro, inserido numa piada que nem você sabe que…


– Nem você sabe… E aí quando, nós que estamos falando para a gente que trabalha com isso, então você está em campo, você testa de novo, sem mudar nada… Riram ali de novo, você testa de novo… E vai para o campo de testes, né? Comédia é cozinhar… Comédia é reduzir uma cauda. Então você tem que reduzir, reduzir, reduzir, testar, testar, testar… Hm, deu certo mesmo! É desse jeito!


– Sensacional!


– O que nos leva ao número 6!


– O que nos leva ao número 6…


– Repetição traz profundidade!


– Uau! Fala de novo…


– Repetição traz profundidade!


– Fala de novo!


– Repetição traz profundidade!


– Mais uma vez…


– Repetição traz profundidade!


– Juntos…


– REPETIÇÃO TRAZ PROFUNDIDADE!


– Olha, o próprio enunciado, já é o título…


– As vezes não é, é só repetitivo, mas não é profundo?


– É profundo! Uau! Deep!


– É uma regra do teatro mesmo assim, o ensaio traz isso, porque você repete três vezes e não é nada, mas você vai descobrindo, quando você repete, todas as camadas que tem embaixo daquilo, além de você fazer os testes mesmo. Repeti três vezes e riram onde eu não achava uma piada, então realmente há uma piada ali, então você descobre onde não está, onde tem humor, onde tem pausa, onde está a sua respiração, onde você dizendo pela centésima vez, você fala “nossa, foi eu que escrevi, mas eu não tinha percebido esse sentido ainda”, você traz mas um sentido. Você está fazendo um espetáculo solo agora…


– Sim!


– Eu faço um há quatro anos, e é impressionando como 4 anos depois eu descubro uma coisa numa frase que eu estou falando há 4 anos…


– Sim! Isso é interessantíssimo!


– Isso quando eu não descubro que uma respiração traz mais uma risada pra mim…


– Sim…


– 4 anos depois!


– É muito interessante! Eu estou menos tempo, mas o que você falou é muito verdade… Uma coisa que você já tinha falado no item anterior, eu não queria te cortar no fluxo… Tem um momento que eu falo uma frase que o público ri muito, e não tinha nenhuma piada. É uma frase… Aí eu falei para minha diretora “porque eles acharam engraçado”, primeira vez que eu fiz em Portugal… Eu achei que era uma coisa de Portugal, não sei… Fiz de novo, riram de novo… Fiz  de novo, riram de novo, falei “caramba, tem uma piada aqui que nem eu sabia” e isso… Você vai fazendo e você descobre coisas profundas ali que nem você…


– E não é legal?


– Eu achei incrível!


– Gente, eu acho que talvez repetir 5 vezes é até chato, mas depois da décima vai virando um… É uma aventura mesmo, é o feitiço do tempo, né? Você se descobre naquele mesmo dia, descobrindo coisas que estavam ali o tempo inteiro e você nunca viu… Assim, você está há um tempo já, são meses, está indo para 6… Metade do ano já, e eu estou há 4 anos, e nós descobrimos. Descobri com um mês, e depois 6, e dois 1… É interessantíssimo, porque eu faço um espetáculo sobre a história do mundo, um milhão de anos em uma hora, claro que tem muito conteúdo ali e eu descubro as vezes uma pausa e uma palavra, é trazer mais camadas… Mas é isso! Reflexão traz profundidade, para quem faz comédia é a gente está falando o contrário do improviso nesse ponto, né?


– Sim!


– Mas é sobre conhecer o seu material, eu acho que ou é improvisado ou não é… O meio do caminho é meio ruim, né? Ou é fresco…


– É uma tentativa de algo…


– É! Ou é fresco ou é em conserva gente, não me traga uma coisa requintada…


– Uau!


– E vamos para o nosso sétimo e ultimo… Que é?


– Esse se desdobra, não sei se teremos tempo para desdobrar tudo aqui, mas ele se desdobra, é assim… Preste atenção no ambiente! O sétimo é OUÇA! É a escuta! É, mesmo quem não é improvisador, mesmo quem não é comediante, você tem que aprender a escutar. Estar disponível para o que o ambiente está te dizendo, o ambiente, o ouvinte…


– O ambiente está incluso a plateia…


– A plateia…


– O próprio ambiente, o jeito que está disposto, a iluminação, a técnica, o tamanho do palco, a altura, tudo isso pode te servir, então presta atenção, porque se você se informar desses detalhes, se você coletar essas informações, e estiver disponível, elas vão ser uteis no momento certo.


– Sim, isso é muito legal. E isso combina muito com o que eu falo de improviso e tem tudo a ver, né? Porque as vezes eu vejo alguns comediantes, ou gente de palco de comédia, de não, de menosprezar esse dado, aconteceu alguma coisa ali na hora, caiu um refletor, eu estou num ginásio, está disperso, o público está com fome, o público está muito agitado, tem muita gente no celular, se a pessoa não percebe esse ambiente, ela está perdendo essa relação com o público.


– Está perdendo essa relação. Na minha aula, depois eu continuo falando das cinco ferramentas de comedia e a gente também vai falar de outras dicas que estão entre a número 1, número 2, número 3, que são as dicas entre… Mas eu acho que essas 7 já são muito valiosas…


– Uau! Incrível.


– E de graça!


– E de graça! E só para terminar, para encerrar, eu quero uma frase que você goste, de algum comediante, uma frase que você acha inspiradora, bacana, para a gente fechar assim, tipo, nossa, abre aspas… Pode ser sua frase, mas qualquer frase que você gosta.


– Eu gosto muito de uma frase do Oscar Wilde, que não era comediante, mas era um escritor com ironia muito refinada, que é, quando perguntaram para ele “Sr. Oscar, escrever é fácil ou é difícil”, ele disse “Minha senhora, escrever ou é fácil ou é impossível”, isso quer dizer, que para nós, que fazemos isso que a gente faz, as pessoas acham que é muito difícil, mas não… É muito fácil. Porque fazer o que você sabe fazer, seja lá o que for, ou é fácil ou é impossível!


– Uau!


– Tipo, eu não sei lançar foguete, mas quem lança acha isso simples, é só apertar os botões e lançar o foguete…


– Uau…


– Imagina decolar um avião…


– Legal…


– Ou fazer um mil folhas…


– Ah, isso aí! ESCREVER OU É FÁCIL…


– OU É IMPOSSÍVEL!


– Fecha aspas, Oscar Wilde by Bruno Motta... Ah, semana que vem tem mais!


(Música)


Muito bem, muito bem, muito bem, chegamos ao final de mais um episódio (AAAHHH), mas na segunda feira que vem tem mais (EEEHHH)


E se você ainda não entrou no grupo BallasCast, que é o grupo que tem no Facebook, entra lá, porque lá tem informações exclusivas… Eu vou colocar um pouco de informações do Bruno Motta, eu vou colocar um stand up para você assistir ele, então entra lá, que eu aceito você, então sendo assim…


Terminamos o nosso episódio..


Ladies and gentlemans, ksdhviphw


Rghhbgjoekngjf


Vdjhjebnfhife


Bye bye!


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